Aos 46 anos, Corecon-PB projeta novos caminhos para a profissão na Paraíba 

Werton Oliveira, presidente do Regional, destaca participação em espaços de decisão, produção de conhecimento, preparação para a inteligência artificial e iniciativas de impacto social como prioridades para os próximos anos

No último sábado (26) o Conselho Regional de Economia da 21ª Região (Corecon-PB) completou 46 anos. A história tem início em 1980, quando o estado da Paraíba deixou de fazer parte do Conselho Regional de Economia da 3ª Região, com sede em Recife.  

O Corecon-PB passou a constituir uma referência institucional própria para os economistas paraibanos. Ao longo das décadas, sua atuação se estendeu da fiscalização e valorização profissional à participação em discussões sobre planejamento, políticas públicas e desenvolvimento econômico. 

“São 46 anos de uma trajetória que se confunde com os melhores momentos de desenvolvimento socioeconômico da Paraíba”, comemora o vice-presidente do Corecon-PB, economista Celso Mangueira. “O Corecon-PB tem como missão precípua fiscalizar o exercício da profissão, zelar pela ética e defender a sociedade, expedindo e mantendo o registro profissional. Mas, ao longo dessas quatro décadas, foi além: consolidou-se como espaço de reflexão, proposição e valorização do economista”. 

Para o presidente do Corecon-PB, economista Werton Oliveira, ao celebrar a trajetória da instituição, também é importante discutir quais espaços o Conselho pretende ocupar no futuro. “Olhando para os próximos anos, vejo três frentes centrais para o Corecon-PB. A primeira é ampliar a presença do economista nos espaços de decisão pública”, comenta Oliveira. “Nossa entrada no Conselho de Desenvolvimento Urbano de João Pessoa é um exemplo concreto disso. Mostra que a ciência econômica tem muito a contribuir em temas como mobilidade, habitação e uso do solo, e precisamos replicar esse tipo de articulação em outros conselhos e instâncias do estado para contribuir com a sociedade”. 

Mangueira, que já presidiu o Regional em várias ocasiões, mencionou que as sucessivas gestões do Corecon-PB têm ampliado sua inserção na sociedade. “São parcerias com a Universidade Federal da Paraíba, a Universidade Federal de Campina Grande e outras instituições, promoção de cursos, projetos e consultorias econômicas, educação financeira, campanha pelo orçamento público e transparência popular, interiorização das ações e diálogo permanente com a sociedade civil”, relata o economista. 
 
A economista e empreendedora social Angélica Costa, vencedora do Prêmio Mulher Transformadora em 2024, também destaca a importância da atuação do Conselho na valorização profissional e na ampliação da participação feminina. “Ao longo desses 46 anos, o Corecon-PB tem acompanhado as transformações da economia paraibana e contribuído para fortalecer a profissão. Destaco, especialmente, a ampliação da presença das mulheres economistas em diferentes áreas. O Conselho tem papel fundamental na valorização do profissional, na promoção da igualdade e na abertura de novos espaços para a atuação do economista e da presença feminina na economia paraibana”, afirma. 

Para Angélica, a trajetória da instituição também representa a continuidade de um trabalho de fortalecimento da profissão e de ampliação de oportunidades. “Seguimos fazendo o melhor e buscando ampliação deste espaço tão importante para economia de nossa Paraíba”, ressalta. 

A segunda frente apontada por Werton Oliveira é qualificar o debate público com produção técnica própria. “O estudo que nossa Comissão de Conjuntura Econômica tem desenvolvido sobre a Paraíba busca justamente entender como o estado está crescendo, quem participa desse crescimento e o que ainda precisa ser transformado”, afirma o presidente do Corecon-PB. “Um Conselho que produz conhecimento qualificado fortalece a profissão e, ao mesmo tempo, oferece à sociedade instrumentos melhores para avaliar políticas públicas”. 

O futuro da profissão também passa, segundo o presidente, pela capacidade de acompanhar as transformações tecnológicas. O avanço da inteligência artificial já modifica processos de trabalho e exige novas competências dos economistas. Por isso, a capacitação nessa área está entre as prioridades da atual gestão, que prepara uma programação específica sobre os impactos e as oportunidades da inteligência artificial para a profissão. “Ainda neste mês, vamos realizar nosso primeiro evento voltado especificamente ao tema, com a participação de um economista e professor da Universidade Federal da Paraíba que é referência na área”, conta Oliveira.  

A agenda de futuro se conecta ainda a uma preocupação mais imediata: os efeitos da situação econômica sobre a população. Nesse sentido, o Corecon-PB lançou o programa Paraíba Sem Dívidas, voltado ao enfrentamento do endividamento das famílias paraibanas. A proposta é levar orientação, informação qualificada e apoio técnico para transformar o conhecimento econômico em uma ferramenta de enfrentamento de problemas concretos. 

Para Werton, a trajetória dos 46 anos estabelece uma responsabilidade para o próximo ciclo. “O futuro da profissão será definido pela nossa capacidade de nos atualizar continuamente e, ao mesmo tempo, transformar conhecimento técnico em desenvolvimento concreto para a sociedade. É esse o convite que deixo aos economistas paraibanos e à população do nosso estado: construir, junto com o Conselho, uma economia mais atualizada, mais inclusiva e, acima de tudo, mais próxima da vida real das pessoas”, finaliza. 

Celso Mangueira vê o Corecon-PB preparado para atuar nos próximos anos com mais participação de jovens economistas e de mulheres na liderança. “Ele seguirá firme como guardião da profissão e do futuro socioeconômico da Paraíba”, afirma. 

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