A economia vai às urnas 

Em uma eleição, conhecer a realidade econômica do país é parte da responsabilidade de escolher e de cobrar. E os economistas têm muito a contribuir com esse debate 

*Por Tania Cristina Teixeira

No próximo domingo, os brasileiros vão às urnas escolher os rumos do país. Emprego, renda, preços, juros e políticas públicas estarão em jogo, e eles estão no cotidiano de cada eleitor: no salário, na conta do supermercado, na prestação do financiamento, no posto de saúde, na escola dos filhos. A economia não é uma abstração, nem um assunto reservado a especialistas: é a vida concreta das pessoas. Por isso, antes de escolher, vale olhar com atenção para o ponto de partida. Os números não substituem as convicções de cada eleitor, mas ajudam a separar a realidade das impressões e dos discursos e a responder a uma pergunta essencial: a economia está servindo às pessoas? 

Os números mostram avanços a reconhecer. O desemprego ficou em 5,3% no trimestre até agosto, o menor para o período desde 2012; a renda média real cresceu 3,7% em um ano; e a inflação, de 4,22% em 12 meses, está dentro do intervalo de tolerância da meta. Persistem, porém, desafios importantes: a informalidade atinge 37,5% dos ocupados e o investimento recuou para 16,1% do PIB. 

O maior entrave segue sendo os juros. Com a Selic atualmente em 13,75% ao ano, o crédito fica mais caro, o investimento produtivo é inibido e a dívida pública cresce, pressionada sobretudo pelo próprio custo dos juros, e não pelos gastos sociais. Reduzi-los, sem sacrificar o investimento público e as políticas sociais, será uma tarefa central de quem for eleito. 

Nenhum desses debates prospera sem instituições fortes. Desenvolvimento e democracia caminham juntos: são as instituições democráticas que garantem eleições livres e confiáveis, estatísticas produzidas com rigor técnico e um debate público em que as divergências se resolvem pelo voto. Fortalecer essas instituições e respeitar a vontade expressa nas urnas é compromisso de todos, qualquer que seja o resultado. 

No ano em que a profissão completa 75 anos de regulamentação no Brasil, os economistas reafirmam seu compromisso com a democracia e com a ideia de que a economia é um instrumento para que a sociedade alcance os objetivos que escolhe democraticamente: mais emprego, menos desigualdade, desenvolvimento com sustentabilidade. 

Que o voto de cada brasileiro e de cada brasileira seja informado, consciente e livre. 

*Tania Cristina Teixeira, Presidenta do Conselho Federal de Economia (Cofecon) 

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