Fórum de Relações Internacionais debate soberania, política industrial e inserção global

Debates realizados durante o XXIX SINCE trataram dos desafios da diplomacia econômica brasileira, a diversificação de parceiros e a autonomia produtiva do país

O cenário geopolítico global, a diversificação de parceiros comerciais e o papel estratégico do Estado na cadeia produtiva foram os eixos centrais dos debates realizados no fórum temático “O Brasil em um mundo em transformação: desenvolvimento, integração regional e novas estratégias de cooperação internacional”, que teve lugar no XXIX Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia (SINCE 2026), em São Paulo. O encontro, promovido pela Comissão de Relações Internacionais do Cofecon, reuniu economistas e especialistas para discutir os rumos da diplomacia econômica brasileira e a reconfiguração do comércio internacional.

A presidenta do Cofecon, Tânia Cristina Teixeira, ressaltou a relevância da comissão criada na atual gestão: “Não vivemos fechados em nossas fronteiras; estamos interconectados comercialmente com o restante do mundo. A comissão veio para debater relações internacionais de cooperação, desigualdade e os desafios do setor externo frente a barreiras e taxações, buscando caminhos para fortalecer a economia brasileira”, afirmou. “A Comissão teve êxito, a participação foi significativa, havia pessoas em pé e isso mostra como o tema tem interesse e veio para ficar”.

A conjuntura geopolítica e o posicionamento do Brasil diante das tensões entre grandes potências ganharam ênfase nas discussões. Haroldo da Silva pontua que o País não pode permanecer apático nem restrito a pólos excludentes: “O Brasil precisa de uma participação ativa. Não podemos abandonar a relação com os Estados Unidos nem focar exclusivamente na China; a diversidade de parceiros é um exercício fundamental da nossa soberania nacional”, sublinhou.

O papel da política industrial e a autodeterminação produtiva também foram debatidos a partir de contribuições da Cepal e de referências à economista Mariana Mazzucato, tema presente no livro “Desindustrialização e Neoindustrialização no Brasil: uma perspectiva crítica e prospectiva” – que teve um lançamento no evento. Especialistas defenderam que o fortalecimento da indústria e a inovação tecnológica são condições indispensáveis para garantir competitividade externa e autonomia fiscal.

Integrante da Comissão de Relações Internacionais, o economista Gustavo Pessoa abordou a importância do financiamento público e das diretrizes governamentais nas cadeias produtivas nacionais: “A orientação do Estado e suas escolhas discricionárias impactam toda a cadeia produtiva, indo muito além da taxa de juros”, afirmou. O painel também ressaltou o pioneirismo do Pix como ferramenta soberana de modernização econômica e eficiência de pagamentos, com potencial de projeção para além das fronteiras brasileiras dentro de um projeto nacional de longo prazo.

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