Fórum da Mulher Economista e Diversidade defende equidade e inclusão como pilares do desenvolvimento
Palestrantes debateram orçamento público, cidadania LGBTQIA+, racismo estrutural e desigualdade de gênero no mercado de trabalho
No dia 11 de setembro, dentro da programação do XXIX Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia (SINCE 2026), foi realizado no Fórum da Mulher Economista e Diversidade. A mesa de debates foi coordenada pela conselheira federal Teresinha de Jesus Ferreira da Silva e reuniu especialistas para discutir o papel da economia na promoção da justiça social e no combate às discriminações.
A abertura das discussões ficou a cargo de Patricia Pelatieri, diretora adjunta do Dieese, que ministrou a palestra “Democracia, Participação das Mulheres e Orçamento Público”. Pelatieri defendeu que a alocação de recursos públicos não é um ato meramente neutro ou técnico, mas uma decisão política que precisa considerar as assimetrias sociais para garantir equidade.
“Tratar o orçamento público com perspectiva de gênero é reconhecer que as escolhas orçamentárias impactam homens e mulheres de formas profundamente desiguais. Aumentar a participação das mulheres nos espaços de decisão e no controle social das contas públicas é condição indispensável para a justiça distributiva e o fortalecimento democrático”, destacou a diretora do Dieese.
Na sequência, o painel “Além dos Rótulos: Gênero, Sexualidade e Cidadania LGBTQIA+” trouxe a contribuição de Antônio Fernando Gomes Alves, conselheiro do Corecon-SP e professor universitário. Alves ressaltou que a discriminação no ambiente de trabalho limita o potencial econômico do país e perpetua cenários de vulnerabilidade social.
“A economia não pode ignorar a diversidade sob pena de perpetuar processos de exclusão e precarização. Superar rótulos e garantir a cidadania plena e a inserção no mercado de trabalho para a população LGBTQIA+ são passos fundamentais para o desenvolvimento socioeconômico e a dignidade humana”, afirmou o conselheiro.
O debate sobre as bases do crescimento nacional ganhou contornos raciais na palestra “Racismo Estrutural e Desenvolvimento Econômico”, ministrada por Girlian Silva de Sousa, doutora em Desenvolvimento Socioambiental e ativista feminista negra. A palestrante sustentou que a equidade racial é premissa básica para qualquer projeto de desenvolvimento de longo prazo no Brasil.
“Não existe desenvolvimento econômico real em um país que mantém a maioria da sua população negra à margem do acesso às oportunidades. Enfrentar e superar o racismo estrutural não é apenas uma pauta de reparação histórica, mas uma condição indispensável e estruturante para a sustentabilidade do crescimento do país”, enfatizou Sousa.
Encerrando o Fórum, a palestra “Mercado de Trabalho, Gênero e Justiça Social” foi conduzida por Renata Belzunces, economista, técnica do Dieese e delegada regional do Corecon-SP. Belzunces apresentou dados que mostram que uma economista recebe muito menos do que um homem na mesma função, defendendo que a solução para essa disparidade exige articulação coletiva.
“A gente apura que uma mulher economista ganha, em média, R$ 44.300 a menos do que um homem por ano. Tratar isso só do ponto de vista individual vai resolver a vida de poucas. Se você coloca a luta, o debate e a política pública para o coletivo, você resolve a vida de milhões”, concluiu a palestrante.
As reflexões e propostas apresentadas no Fórum foram sintetizadas ao final do evento para compor os relatórios gerais do SINCE 2026 e orientar as próximas diretrizes do Sistema Cofecon/Corecons em defesa da equidade e da justiça social.
