Transição energética, minerais críticos e economia circular pautam debates sobre sustentabilidade
XXIX SINCE reuniu especialistas para discutir o papel dos minerais estratégicos e da economia circular na transição para uma economia sustentável
O papel dos minerais estratégicos na transição ecológica global, as salvaguardas socioambientais na mineração e a urgência da economia circular foram temas presentes nos debates promovidos pela Comissão de Sustentabilidade Econômica e Ambiental do Cofecon durante o XXIX Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia (SINCE 2026), em São Paulo. O fórum de debates discutiu como alinhar a exploração de recursos naturais a um projeto soberano de reindustrialização e preservação do meio ambiente.
Coordenadora da comissão, a conselheira federal Elis Braga Licks destacou que a atuação dos economistas precisa responder ativamente às mudanças climáticas, conectando a teoria à realidade das cadeias produtivas e da gestão de resíduos: “A proposta é trabalhar a economia circular para reutilizar materiais e reduzir a extração de novos recursos da natureza, debatendo desde o conceito e a circularidade das terras raras até o equilíbrio entre extração, economia e meio ambiente”, frisou.
A regulação e o papel da mineração no futuro energético foram detalhados pela economista Mônica Beraldo, aposentada da Agência Nacional de Mineração. Ao destacar o marco do Projeto de Lei 2780/2024 sobre minerais críticos e estratégicos, ela enfatizou a função educativa e estratégica do setor: “A transição energética passa necessariamente pela mineração. Precisamos entender a importância geológica, econômica e social dos minerais para buscar parceiros e construir uma mineração justa, com rigor legal e respeito à sociedade”, afirmou.
O fórum de debates também analisou o tabuleiro geopolítico global em torno das terras raras, mercado no qual a China domina o refino mundial. Embora o Brasil detenha a segunda maior jazida do planeta, a economista Maria Amélia Enriquez alerta que a simples exportação primária é insuficiente para gerar desenvolvimento local. Para que a exploração desses elementos viabilize a reindustrialização do país, é indispensável dominar a tecnologia de agregação de valor e garantir rígidas salvaguardas socioambientais, respeitando a consulta prévia e informada a povos tradicionais e comunidades locais para evitar passivos ecológicos e insegurança jurídica.
Fechando as discussões, a transição para um novo modelo econômico foi apontada como o caminho definitivo para lidar com a escassez de recursos globais. Beatriz Luz, presidente do Instituto Brasileiro de Economia Circular (IBEC), ressaltou o protagonismo do economista em desenhar ciclos em que os rejeitos se transformem em insumos: “Ser eficiente já não é mais suficiente; precisamos fazer diferente. A economia circular permite redesenhar produtos com foco em durabilidade, reparo e reaproveitamento, extraindo dos itens já descartados no cotidiano os minerais críticos necessários para abastecer as novas tecnologias”, concluiu.
