Fórum de Perícia Econômico-Financeira debate mercado de trabalho e novas ferramentas
Mesa de debates realizada no XXIX SINCE abordou atuação no Judiciário, recuperação judicial, qualificação profissional e uso de inteligência artificial
O Fórum de Perícia Econômico-Financeira esteve entre os temas debatidos durante o XXIX Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia (SINCE 2026), realizado nesta sexta-feira, 11 de setembro, em São Paulo. As discussões reuniram economistas de diferentes regiões do país para tratar das perspectivas do mercado de trabalho, da atuação na perícia econômico-financeira e dos desafios impostos pelas novas tecnologias à atividade profissional.
Coordenador do Fórum, o economista José Marcos de Campos, conselheiro do Corecon-SP, destacou o resultado dos trabalhos realizados. Segundo ele, um dos principais aspectos observados foi o alinhamento entre os representantes dos diferentes estados. “Percebemos uma convergência de ideias, uma convergência de objetivos”, afirmou, ressaltando que houve um alinhamento de visões que contribuiu para enriquecer os debates e a formulação das propostas.
José Marcos também enfatizou a importância da participação e da integração entre os representantes durante as discussões. Para o coordenador, as contribuições apresentadas nas mesas e plenárias poderão auxiliar o Sistema Cofecon/Corecons no encaminhamento das demandas da categoria. “É uma melhoria muito grande o sistema conhecer as demandas que o SINCE proporciona”, afirmou, destacando a importância de levar ao Conselho Federal as necessidades, expectativas e experiências dos economistas de diferentes regiões.
Coordenadora da Comissão de Mercado de Trabalho e Valorização do Economista no âmbito do Cofecon, Lúcia Garcia pontuou o papel prático da categoria no sistema judiciário ao traduzir conceitos teóricos em números. “Trouxemos a operação de profissionais que quantificam aquilo que outros economistas teorizam. Precisamos de calculistas que reúnam o conhecimento econômico, a legislação e a competência no cálculo”, destacou.
O debate também abordou oportunidades concretas de atuação no mercado. O economista José Roberto Alves apresentou aspectos da perícia econômica e financeira nos processos de recuperação judicial, apontando frentes de trabalho como administração judicial, habilitação de créditos, assistência técnica e elaboração de planos de recuperação, com recomendação de capacitação contínua aos profissionais.
As transformações tecnológicas fecharam a programação técnica. Ao tratar do impacto da Inteligência Artificial na elaboração de laudos, o conselheiro do Corecon-SP Welinton dos Santos ressaltou o domínio prático das ferramentas: “O objetivo é que economistas e peritos aprendam, por meio de prompts e boas práticas, a usar a IA atendendo às exigências do Judiciário”, frisou, lembrando que a tecnologia não substitui a responsabilidade técnica do profissional.
Já Pedro Afonso Gomes, conselheiro federal e ex-presidente do Corecon-SP, abordou a atuação como perito judicial e assistente técnico na solução de litígios, arbitragens e mediações, reforçando a importância do economista na prospecção de clientes, mensuração de danos, avaliação de empresas e análise da substância econômica de contratos. Ele também ressaltou a importância de discutir a perícia no âmbito dos grandes eventos do Sistema Cofecon/Corecons.
“Este é um espaço muito tradicional. Nos SINCEs e nos Congressos Brasileiros de Economia, sempre houve um espaço para os peritos. Tratamos de quatro temas, que envolvem a recuperação de empresas, a utilização de inteligência artificial, a atuação do perito judicial e a atuação do assistente técnico”, comentou Gomes.
