Fórum de Desenvolvimento Regional debate estratégias e desafios
Debate realizado durante o XXIX SINCE reuniu representantes das cinco regiões do país em torno de propostas para reduzir desigualdades e fortalecer o desenvolvimento regional
As disparidades socioeconômicas e as vocações produtivas das diferentes regiões brasileiras foram tema central do Fórum de Desenvolvimento Regional, realizado durante o XXIX Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia (SINCE 2026), em São Paulo. O debate reuniu especialistas e lideranças do Sistema Cofecon/Corecons para traçar um panorama das cinco regiões e estruturar propostas de políticas públicas voltadas à redução da pobreza e à integração nacional.
Vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional do Cofecon, o economista Gustavo Pessoti destacou que os trabalhos buscam subsidiar a formulação de diretrizes para a próxima gestão federal. “A perspectiva é trazer para 2026 o desenvolvimento regional como ferramenta para mitigar problemas sociais e superar a pobreza, formatando uma proposta de política pública para o próximo presidente eleito”, explicou.
Representando o Sul, o conselheiro federal Carlos Magno Bittencourt defendeu a necessidade de alinhar as potencialidades locais a uma visão global de país. “Buscamos trazer o panorama do Sul, apontando dificuldades, diferenciais e desafios para superar a diversidade de um país continental, intensificando o planejamento para garantir qualidade de vida ao cidadão”, pontuou.
Pela região Sudeste, os debates enfatizaram o peso demográfico e a relevância de conectar a força econômica regional à internacionalização e à América Latina. Em sua exposição, o presidente do Corecon-SP Haroldo Da Silva destacou que o projeto deve evitar o isolamento: “Mais do que olhar para uma região isolada, a meta é mostrar a conexão com o Brasil e as oportunidades com países parceiros, ampliando negócios e conquistando o mercado externo com os atributos próprios do Sudeste”.
A dinâmica produtiva do Centro-Oeste foi apresentada pela conselheira federal Kerssia Kamenach (GO), que chamou atenção para a diversificação do campo. “Apresentamos a força do agronegócio e como a nossa estrutura é diversificada, com municípios de destaque industrial em Goiás que contribuem para o PIB nacional, além dos desafios para fortalecer políticas de desenvolvimento regional”, ressaltou.
Já a realidade da região Norte foi abordada por Kleber Mourão, economista da Sudam e presidente do Corecon-PA/AP, que expôs o contraste entre a riqueza natural da Amazônia e as carências sociais da população. “Para se desenvolver, a região precisa de investimentos urgentes em infraestrutura e logística. O objetivo é atrair indústrias de valor agregado e produzir não apenas commodities, mas bens com tecnologia e ciência que se revertam em renda e qualidade de vida”, defendeu.
O fórum consolidou diagnósticos que servirão de base para o posicionamento técnico e propositivo dos economistas no debate das políticas de integração e redução das desigualdades no Brasil.
