Economistas ampliam debate sobre Economia Solidária e atuação profissional

Fórum realizado no XXIX SINCE reuniu representantes de diferentes regiões e discutiu formação, políticas públicas, cooperativismo e articulação entre os Conselhos

O XXIX Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia (SINCE 2026), realizado em São Paulo, reservou um espaço fundamental para a discussão de modelos econômicos inclusivos e sustentáveis. Durante o evento, o fórum temático sobre Economia Solidária reuniu especialistas, conselheiros e profissionais da área para debater o fortalecimento de políticas públicas.

Coordenado por Fabíola de Paula, coordenadora da Comissão de Responsabilidade Social e Economia Solidária do Cofecon, o fórum teve como uma de suas metas principais estimular a descentralização do tema no país.

“Convidamos quatro representantes porque acreditamos que a economia solidária não pode ser discutida apenas no âmbito do Conselho Federal de Economia. Essa mesa foi pensada para estimular que todos os Corecons do país criem as suas comissões de economia solidária. Hoje, o sistema só conta com duas comissões ativas, no Corecon-SP e no Corecon-AM/RR. Também trouxemos o relato da visita técnica que fizemos a uma cooperativa de reciclagem aqui em São Paulo, reforçando essa prática que iniciamos no ano passado de vivenciar o trabalho das ONGs e empreendimentos de perto”, explicou Fabíola.

Abrindo o painel de discussões, o economista Anderson Oriente, conselheiro do Corecon-RJ, abordou o ensino de economia solidária e a formação profissional dos economistas. Em sua apresentação, Oriente defendeu que a economia solidária deve ser tratada como um pilar estratégico para o desenvolvimento atual.

“Trouxemos a perspectiva da economia solidária tratando a temática como algo transversal, tanto ao processo de formação dos profissionais de Economia quanto à própria atuação profissional. Entendemos que a economia solidária se configura como um instrumento fundamental para a transição ecológica, a economia circular e para pensarmos um processo de produção diferente do que viemos fazendo nas últimas décadas”, destacou Oriente.

O conselheiro Frednan Bezerra dos Santos enfatizou o papel institucional dos órgãos de classe no fomento a essa pauta, citando a Lei nº 14.476/2022 e a articulação de conselhos regionais. Ele destacou que o fórum do SINCE 2026 serviu de alavanca para iniciativas concretas no sistema.

“Pudemos acolher pessoas que já conhecem ou atuam na área e apresentar a pauta para quem ainda não a conhecia. Estamos criando o Coletivo Nacional de Economistas Solidários para atuar nessa agenda no país. Além de eventos e cursos, é fundamental visitarmos os empreendimentos locais; quando se vê a realidade de perto, as pessoas se tornam defensoras e apoiadoras da economia solidária”, afirmou Frednan.

As contribuições do painel foram enriquecidas com as análises do Coordenador da comissão de Economia Solidária do Corecon-SP, Carlos Cordeiro, e com a participação da economista Marcela Machado Vieira, que trouxe o panorama das experiências na região Norte ao debater a economia solidária na Amazônia e a experiência do grupo Economistas Solidários”.

Marcela atua na União Nacional das Cooperativas de Economia Solidária (UNICOPAS) e destacou a força do trabalho comunitário na região amazônica e os avanços legislativos do setor. “Apresentamos os avanços da economia solidária no Brasil e o campo de atuação a partir da realidade da Amazônia, onde temos um grupo de economistas solidários atuando diretamente com projetos e ações no território. Também aproveitamos o espaço para motivar a pauta do Projeto de Lei do Cooperativismo Popular e Solidário, buscando engajar os profissionais e o sistema nessa causa”, ressaltou.

Para Cordeiro, “no SINCE acolhemos quem já conhece o tema e quem está tendo contato agora. O Sistema Cofecon/Corecon tem o papel de levar essa pauta para os economistas e universidades, onde o assunto ainda é pouco debatido — tanto que raramente vemos economistas nos empreendimentos solidários do país. Estamos criando o Coletivo Nacional de Economistas Solidários e dialogando com a Secretaria Nacional de Economistas Solidários para promover formações internas e externas. Mas não adianta só fazer palestras: é preciso visitar os empreendimentos”.

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