Seminário Nacional da Mulher Economista e Diversidade – Mesa 5: Inclusão, diversidade e trajetórias que transformam

Janaína Silva Alves, Ilva Abreu e Girlian Silva de Sousa discutem desigualdades e barreiras estruturais na formação das economistas

As desigualdades de gênero e raça ao longo da trajetória acadêmica em Ciências Econômicas foram o foco das reflexões apresentadas por Janaína Silva Alves, Ilva Abreu e Girlian Silva de Sousa no IV Seminário Nacional da Mulher Economista e Diversidade, realizado em Manaus nos dias 18 e 19 de junho. Janaína chamou a atenção para a baixa participação feminina nos cursos e para a sub-representação em áreas como econometria e macroeconomia; Ilva reforçou que o crescimento da presença feminina no ensino superior representa uma ruptura histórica, mas insuficiente para romper o que chama de “labirinto de cristal”; e Girlian ampliou o debate ao questionar quem produz o conhecimento na universidade, destacando as barreiras enfrentadas por mulheres negras e estudantes de origem popular.

“A inclusão das mulheres na economia não começa no mercado de trabalho, ela começa na universidade”, afirmou a economista Janaína Silva Alves ao analisar os desafios da diversidade nos cursos de Ciências Econômicas. Com base em dados da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), ela demonstra que a participação feminina entre os ingressantes do curso permanece historicamente baixa e observa, também, que as mulheres ainda estão sub-representadas em áreas como macroeconomia, econometria e modelagem econômica. Para enfrentar esse cenário, apresentou o projeto Mulheres na Economia, criado em 2026, que busca fortalecer a permanência das estudantes por meio de ações de mentoria e acolhimento. “Não basta garantir o acesso; é preciso criar condições para que elas permaneçam, se desenvolvam e se enxerguem ocupando espaços de liderança”, ressalta. Ela também abordou questões como segurança, mobilidade urbana e familiares como problemas que fazem da permanência feminina na universidade um desafio maior e defendeu a importância de políticas de apoio. “Precisamos validar trajetórias femininas e mostrar que elas pertencem a esses espaços”, afirma, defendendo que a universidade assuma um papel ativo na construção de ambientes mais inclusivos e capazes de inspirar novas gerações de economistas.

A professora Ilva Ruas Abreu, da Universidade Estadual de Montes Claros, mencionou que a presença cresce das mulheres no ensino superior brasileiro é uma ruptura histórica, e não uma mera mudança estatística. Ela destaca que, entre 2013 e 2023, o número de mulheres matriculadas nas universidades brasileiras cresceu de 4,2 milhões para cerca de 10 milhões. No entanto, o aumento da participação feminina não foi suficiente para eliminar as desigualdades nos espaços de prestígio e poder acadêmico: segundo a professora, em posições mais altas na hierarquia universitária, a presença masculina cresce enquanto a feminina diminui. “As mulheres entram na universidade, produzem conhecimento, concluem suas formações, mas continuam sub-representadas nos postos mais altos da carreira acadêmica”, observa, lembrando que elas representam apenas cerca de um terço das bolsas de produtividade do CNPq. Para explicar esse processo, Ilva vai além da metáfora do “teto de vidro” e apresenta o conceito de “labirinto de cristal”, que descreve os múltiplos obstáculos encontrados ao longo da trajetória profissional das mulheres. “Não existe apenas uma barreira final; existem vários obstáculos espalhados pelo caminho”, destaca. Já a professora Girlian Silva de Sousa, ao refletir sobre racismo e desigualdade, mencionou a necessidade de perguntar quem produz o conhecimento e quem ocupa os espaços de poder dentro da universidade, questionando por que mulheres negras e indígenas continuam sendo raridade nos cargos de liderança e nos espaços de tomada de decisão, apesar de estarem cada vez mais presentes nas salas de aula universitárias. “Entrar na universidade não significa, necessariamente, estar incluído nela”, observa. “Muitos estudantes oriundos da escola pública chegam à graduação enfrentando dificuldades acumuladas ao longo de sua trajetória educacional e nem sempre encontram o suporte necessário para permanecer e prosperar”. Ela também relatou que, em sua prática docente, busca fortalecer a autonomia intelectual dos estudantes, recusando uma lógica assistencialista e oferecendo ferramentas para que eles reconheçam sua própria capacidade. “Nosso papel não é conceder favores, mas criar condições para que os estudantes reconheçam seu mérito e desenvolvam plenamente seu potencial”, conclui, defendendo uma academia mais diversa e comprometida com a transformação social.

Share this Post