Seminário Nacional da Mulher Economista e Diversidade – Mesa 3: Educação econômica, formação para o futuro e desenvolvimento sustentável e inclusivo
Patrícia Taylor Bittencourt, Cleuciliz Santana e Diana Dias Sampaio apresentaram diferentes dimensões da inclusão feminina na economia contemporânea
As desigualdades que atravessam o empreendedorismo, a formação acadêmica e a busca pelos espaços de liderança estiveram presentes nas análises apresentadas por Patrícia Taylor Bittencourt, Cleuciliz Santana e Diana Dias Sampaio, que apresentaram diferentes dimensões da inclusão feminina na economia contemporânea. Elas falaram na Mesa 3 do IV Seminário Nacional da Mulher Economista e Diversidade, realizado nos dias 18 e 19 de junho em Manaus.
A economista Patrícia Taylor Bittencourt destacou que, embora representem cerca de 34% dos empreendedores no Brasil, as mulheres ainda enfrentam condições mais desfavoráveis no acesso ao crédito, pagando juros médios mais altos que os homens e recebendo valores menores de financiamento. “O crédito é um dos desafios, e isso precisa ser corrigido”, afirma, chamando atenção para o fato de que as desigualdades não se limitam ao financiamento, mas atravessam toda a estrutura de oportunidades econômicas. Ela aponta que, mesmo com avanços legais que garantem presença formal das mulheres no mercado de trabalho e em espaços institucionais, persistem barreiras estruturais, como a baixa mobilidade profissional, a concentração em funções de menor ascensão, a desigualdade salarial e os obstáculos informais à liderança. “Inclusão e diversidade não podem ser nome de relatório. Têm que ser efetivas. Não basta identificar as assimetrias, é preciso trazer soluções e alternativas para transformá-las”, concluiu.
A professora Cleuciliz Santana, da Universidade Nilton Lins, iniciou sua fala questionando o papel da academia na formação dos novos economistas diante das transformações tecnológicas e sociais em curso. “O que estamos fazendo enquanto academia para mudar os currículos das instituições que ensinam economia para os novos tempos? O futuro já chegou. Estamos vivendo neste momento. As missões para o espaço, os carros voadores, a inteligência artificial generativa tornando as tarefas mais céleres”, comentou Cleuciliz. Nesse contexto, defende que é urgente repensar como a economia está sendo ensinada e como conceitos como equidade e sustentabilidade estão sendo incorporados à formação profissional. “Como estamos formando os profissionais? Que tipo de habilidades, além da economia pura e dura?”, questionou.
A servidora pública Diana Dias Sampaio, ao refletir sobre os obstáculos que limitam a participação feminina nos espaços de decisão, afirmou que “não há como uma mulher se dedicar plenamente aos espaços de poder e liderança sem o suporte necessário para as jornadas invisíveis que sustentam a vida cotidiana”. Em sua análise, ela identifica cinco barreiras centrais para a ascensão das mulheres: o androcentrismo curricular, o leaky pipeline acadêmico (que reduz a permanência feminina ao longo da carreira acadêmica), a ausência nos espaços de poder, o silenciamento midiático e a dupla jornada de trabalho. Ao abordar o desenvolvimento regional, Diana defende que a Amazônia ocupa uma posição estratégica no debate sobre o futuro do país. Para ela, a região se tornou “o epicentro dessa possibilidade de construção de um desenvolvimento sustentável diferenciado”, especialmente diante das mudanças climáticas e da visibilidade trazida pela COP. Nesse contexto, sustenta que as mulheres desempenham papel central em áreas como economia criativa, economia sustentável, agricultura familiar e nas próprias Ciências Econômicas.
