IV Seminário Nacional da Mulher Economista e Diversidade – “Taxonomia Sustentável Brasileira incorpora critérios sociais”, destaca Débora Freire
Secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda abordou o assunto durante o IV Seminário Nacional da Mulher Economista e Diversidade. Ela também defendeu mais representatividade no debate econômico
A secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, economista Débora Freire, realizou na manhã desta quinta-feira (18) a palestra magna do IV Seminário Nacional da Mulher Economista e Diversidade, que acontece em Manaus. Ela comentou os desafios da ampliação da participação feminina nos espaços de decisão econômica e falou sobre a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), instrumento desenvolvido pelo governo federal para orientar investimentos e atividades econômicas. A palestra pode ser assistida no vídeo abaixo.
Débora iniciou sua fala mencionando a necessidade de ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão. Ao abordar sua trajetória profissional e os desafios enfrentados pelas mulheres na área econômica, a economista destacou que a representatividade continua sendo um dos principais obstáculos para ampliar a participação feminina nos segmentos mais estratégicos da profissão.
“Embora as mulheres estejam cada vez mais presentes nos cursos de graduação, muitas acabam se afastando da profissão ou concentradas em áreas específicas, permanecendo sub-representadas em campos como macroeconomia, política monetária e finanças públicas”, mencionou a economista. “Se elas estão na sala de aula e não se veem representadas, não veem mulheres discutindo taxa de juros e política monetária, elas não se enxergam ocupando esses espaços. Por isso, é muito importante termos representatividade feminina no núcleo duro da economia. Está melhorando, mas ainda precisamos avançar”.
Taxonomia Sustentável Brasileira
O tema da palestra foi a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), instrumento criado para classificar atividades econômicas de acordo com critérios de sustentabilidade. Débora explicou que a taxonomia busca oferecer maior segurança para investidores, governos e empresas ao definir de forma objetiva quais atividades podem ser consideradas sustentáveis.
“A Taxonomia Sustentável Brasileira é um instrumento muito importante para termos um instrumento de classificação de atividades produtivas segundo critérios de sustentabilidade – e não é apenas ambiental, é social também”, destacou a economista. “Hoje temos um avanço da agenda ESG, mas é difícil dizer o que é sustentável, e a taxonomia faz isso com base científica. A taxonomia ajuda a evitar que ocorram práticas de greenwashing”.
A iniciativa estabelece critérios relacionados a objetivos climáticos, ambientais e sociais e abrange setores como agricultura, pecuária, pesca, indústria, energia, saneamento, construção civil, transporte e serviços. Débora Freire explica que a ferramenta brasileira representa uma inovação internacional por incorporar, desde sua primeira versão, critérios específicos relacionados à redução das desigualdades de gênero e raça.
O instrumento avalia práticas corporativas ligadas à governança, às relações de trabalho, ao relacionamento com consumidores e à interação com as comunidades. Ao todo, são 33 critérios quantitativos e qualitativos que compõem um índice de equidade de gênero e raça utilizado na classificação das atividades econômicas.
A construção da Taxonomia Sustentável Brasileira envolveu 38 órgãos governamentais, mais de 240 técnicos, cinco consultorias especializadas, representantes da academia e organizações da sociedade civil, totalizando cerca de 350 participantes de 63 instituições. “Temos muito orgulho desse processo. Foi uma construção marcada pela diversidade, pela participação social e pelo compromisso com a qualidade técnica”, afirmou a secretária de Política Econômica.
IV Seminário Nacional da Mulher Economista e Diversidade
A cidade de Manaus recebe, nos dias 18 e 19 de junho, o IV Seminário Nacional da Mulher Economista e Diversidade. Promovido pelo Sistema Cofecon/Corecons, o evento reúne economistas, estudantes, pesquisadoras, gestores públicos e representantes da sociedade civil para debater temas relacionados à igualdade de gênero, diversidade, inclusão e desenvolvimento econômico.
