IV Seminário da Mulher Economista e Diversidade – Mesa 1: Empreendedorismo, carreira e liderança feminina

Economistas Michela Souza, Karine Atala e Pricila Almeida compartilham trajetórias profissionais, desafios de liderança e iniciativas de inovação e empreendedorismo feminino

Trajetórias profissionais marcadas por desafios de inserção, liderança e inovação no mercado de trabalho formaram o eixo das falas das economistas Michela Souza, Karine Atala e Pricila Almeida no IV Seminário Nacional da Mulher Economista e Diversidade. Elas falaram na primeira mesa de debates do evento, que teve como tema empreendedorismo, carreira e liderança feminina.

Em comum, as três destacaram experiências que evidenciam tanto as barreiras enfrentadas pelas mulheres em ambientes historicamente masculinizados quanto as estratégias de superação e construção de caminhos próprios, seja no empreendedorismo, na gestão pública ou na bioeconomia. As economistas também reforçaram a importância da qualificação contínua, da confiança profissional e da construção de redes de reconhecimento como elementos centrais para a consolidação da presença feminina em posições de decisão e impacto econômico.

A economista Michela Souza contou que seu trabalho consiste em “comprar o sonho” de crescimento das organizações, ajudando-as a expandir e investir com planejamento, mesmo em um ambiente que considera tradicionalmente dominado por homens. Nesse contexto, ressalta a necessidade de presença, confiança e resiliência das mulheres para demonstrar competência, lembrando ainda de um episódio em que sua credibilidade foi questionada por um cliente, mas acabou reafirmada dentro da própria consultoria: “Se a Michela não aprovar esse projeto, ninguém mais aprova nessa consultoria”. Hoje, à frente da própria consultoria, ela afirma que sua principal vitrine é a indicação dos clientes, reforçando que o “boca a boca” se tornou seu mais forte instrumento de reconhecimento profissional.

A economista Karine Atala lembrou o início de sua atuação no setor público ainda muito jovem, quando assumiu cargos de gestão e precisou provar que era capaz de liderar equipes e ocupar posições de responsabilidade. Ao longo de sua apresentação, destacou a importância da qualificação contínua, da busca por conhecimento técnico e da definição de objetivos claros. “Tenha sonhos e corra atrás dos seus sonhos, porque eles são o seu direcionamento”, afirmou. Karine também abordou os desafios de conciliar liderança, maternidade e vida pessoal, ressaltando que o equilíbrio perfeito é uma meta impossível, mas que é fundamental seguir construindo uma trajetória com propósito. Para ela, a principal missão das mulheres que ocupam espaços de liderança é servir de referência para as novas gerações. “Eu quero mostrar para minha filha que ela pode ser o que quiser. O mais importante não é apenas chegar ao destino, mas construir uma jornada com propósito”, concluiu.

A economista Pricila Almeida compartilhou sua trajetória profissional, que transita entre a gestão industrial, a consultoria empresarial e o empreendedorismo de impacto. Proprietária de quatro empresas e administradora de uma quinta, ela relatou como transformou experiências pessoais e oportunidades de mercado em negócios voltados à inovação e à bioeconomia amazônica. Entre os exemplos apresentados estão a Amazonia Smart Food, dedicada ao desenvolvimento de alimentos a partir de bioativos da floresta, e a Ecomodular, iniciativa que cria unidades inteligentes de processamento para qualificar matérias-primas produzidas por comunidades amazônicas. Segundo Pricila, o objetivo é construir um modelo de desenvolvimento capaz de gerar renda, fortalecer a sociobiodiversidade, agregar valor aos produtos da floresta e ampliar a inserção da Amazônia nos mercados nacional e internacional. “Quando minha filha nasceu, percebi que precisava trabalhar com algo que deixasse um legado. Foi assim que a bioeconomia e o impacto socioambiental se tornaram uma missão de vida”, afirmou.

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