Janine Alves: “Endividamento faz Brasil crescer menos, com mais desigualdade” 

Conselheira federal falou ao portal O Brasilianista sobre o assunto. De acordo com estudo da FecomercioSP, 30% da renda familiar dos brasileiros vai para o pagamento de dívidas 

Cerca de 30% da renda familiar dos brasileiros está sendo destinada ao pagamento de dívidas no início de 2026. O número aparece na Radiografia do Endividamento, publicada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), e a conselheira federal Janine Alves falou sobre o assunto ao portal O Brasilianista. 

Para a economista, a conta chegou para as famílias, que estão endividadas; para as empresas, que enfrentam crédito caro; e para o setor público, porque o peso dos juros da dívida tira recursos que poderiam ir para outros setores. “O dinheiro que poderia movimentar a economia real está sendo capturado pelo sistema financeiro. Em vez de circular no comércio, nos serviços, nos pequenos negócios e na produção, uma parte expressiva da renda das famílias vai para pagar juros, parcelas atrasadas, cartão de crédito, cheque especial e renegociações”, comenta Janine. “Quando a família paga dívida, ela deixa de consumir. Quando consome menos, as empresas vendem menos. Quando vendem menos, investem menos e contratam menos. É assim que o endividamento trava o crescimento”. 

Além da Selic alta, Janine também mencionou que o spread bancário também afoga o orçamento doméstico, com taxas de juros anuais que chegam à casa dos três dígitos para o cheque especial e o cartão de crédito. “Isso transforma qualquer desequilíbrio em uma bola de neve. Uma dívida pequena pode virar uma armadilha quase impossível de pagar”, avalia. 

As apostas online (bets) também contribuem para este cenário de endividamento, argumenta a economista. “Não é apenas o dinheiro que escoa. É também a saúde mental que vai sendo drenada pelo vício em apostas. Para famílias que já vivem no limite, as bets podem significar menos dinheiro para comida, aluguel, transporte, contas básicas e cuidado com os filhos”, pondera Janine Alves. A economista também defende o acesso à orientação financeira para mostrar às pessoas que o endividamento tem saída.  

E como o Brasil pode crescer num cenário em que um terço da renda das famílias está sendo usada para pagar dívidas? “O décimo terceiro salário pode dar algum fôlego, assim como os programas de transferência de renda. Eles cumprem um papel importante porque colocam dinheiro diretamente na base da pirâmide, onde a renda vira consumo quase imediatamente. No caso do Bolsa Família, cada real investido pode gerar impacto maior na economia, chegando a movimentar R$ 1,78 no PIB”, observa a conselheira federal. “Portanto, a resposta é direta: o Brasil pode até crescer com famílias endividadas, mas cresce menos, com mais desigualdade e com a economia real sufocada. Para crescer de forma consistente, a renda precisa deixar de ser drenada por juros, dívidas e apostas, e voltar a circular onde realmente gera atividade econômica: no consumo das famílias, nos pequenos negócios, nos serviços, na produção e no investimento público”, conclui Janine. 

A matéria pode ser lida na íntegra clicando AQUI 

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