Nota Oficial: O Brasil diante da guerra no Oriente Médio – desafios econômicos 

Os desdobramentos da guerra no Oriente Médio representam, a par dos seus impactos geopolíticos, institucionais e, principalmente, humanitários, desafios econômicos para a economia mundial e, consequentemente, para a brasileira. 

Os primeiros impactos da guerra estão relacionados às dificuldades impostas às cadeias internacionais de suprimentos. As limitações de trânsito no Estreito de Ormuz têm causado a elevação do preço do petróleo, assim como maior lentidão e aumento de custos de logística e transporte, em especial de fertilizantes e outros insumos fundamentais para a produção, tanto na região do conflito quanto nos demais locais do globo.  

O quadro de volatilidade de preços, insegurança de fornecimento e incerteza sobre a duração dos ataques amplia a instabilidade, afetando as expectativas mundo afora. Há uma desaceleração das atividades e elevação da inflação. 

Os bancos centrais dos países estão acompanhando os desdobramentos para recalibragem das taxas de juros. Nos EUA, o Federal Reserve (Fed) manteve a taxa de juro inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, em 18 de março de 2026. Foi a segunda reunião consecutiva na qual não houve alteração, o que interrompeu o ciclo de cortes anterior, diante das incertezas. 

No Brasil, o Copom decidiu por uma redução da Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75%. Conforme registrado pelo BC, a continuidade na queda vai depender dos desdobramentos e da duração dos conflitos. O IPCA acumulado nos últimos doze meses é de 3,8% e o nível atual da Selic, de 14,75% ao ano significa uma taxa real de juros superior a 10% a.a. Uma das maiores taxas do mundo, encarecendo o financiamento da dívida pública e o crédito e financiamento das empresas e famílias, muitas das quais endividadas. Ou seja, consideradas as condicionalidades, é fundamental promover a continuidade na redução das taxas de juros ao longo do ano em curso, o que defendemos que ocorra. 

No âmbito energético, na modalidade fóssil, o Brasil detém autonomia na produção de petróleo bruto e capacidade de expansão. Já no óleo diesel, dependemos da importação para suprir 25% da demanda doméstica, o que gera impactos sobre o custo dos transportes e fretes e requer medidas de contenção e compensação no curto prazo, além da busca de autossuficiência no menor prazo possível.  

Sob o ponto de vista da matriz energética mais ampla, destaque-se que 50% da oferta provém de fontes renováveis (hidroelétrica, biomassa, solar, eólica etc). O País é expressivo produtor de etanol e a elevação do preço do petróleo, por outro lado, abre espaço para ampliação da oferta e valorização internacional. 

Outro diferencial brasileiro relativamente às crises do petróleo do final do século passado é uma melhor posição do balanço de pagamentos e um nível confortável de reservas cambiais de US$ 365 bilhões, o que ameniza os choques exógenos sobre a taxa de câmbio, por exemplo. 

No que se refere a fertilizantes e insumos, torna-se fundamental aprofundar a segurança de fornecimento, para o que as iniciativas em curso no Governo Federal, como o Plano Nova Industria Brasil (NIB), ganhem dimensão para promover a produção e melhora de autonomia na área. 

Em suma, o cenário internacional geopolítico-econômico nos impõe desafios de curto, médio e longo prazos que exigem o aprimoramento do papel do Estado, das políticas públicas, dos bancos e empresas estatais, assim como a articulação com o setor privado para superar nossas debilidades e criar oportunidades. 

Conselho Federal de Economia
23 de março de 2026 

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