Lacerda: “Poderíamos já ter reduzido os juros de forma mais ousada”

Conselheiro federal falou à rádio BandNews sobre a primeira queda da taxa Selic em quase dois anos e chamou a atenção para os efeitos negativos dos juros altos

O conselheiro federal Antonio Corrêa de Lacerda falou à rádio BandNews sobre a decisão do Copom de reduzir a taxa básica de juros de 15% para 14,75% ao ano. A guerra no Oriente Médio fez com que o Copom, em seu comunicado, não mencionasse a possibilidade de uma nova queda na próxima reunião.

“Temos um conflito no Oriente Médio, com restrições ao Estreito de Ormuz, o que representa um baque significativo, não só do ponto de vista dos preços, mas também da logística de transporte, não só de petróleo, mas também fertilizantes”, mencionou o conselheiro federal. “Este é, sim, um fator de indecisão para a maioria dos bancos centrais. O que ocorre, no Brasil, é que nós temos uma taxa básica de juros muito elevada”.

Ele também chamou a atenção para os efeitos que a Selic elevada tem sobre a dívida pública. “Poderíamos ter, inclusive, reduzido os juros de forma mais ousada, porque os efeitos deletérios de uma taxa de juros elevada são, às vezes, maiores do que uma aparente prudência na redução”, observou Lacerda. “Eu agregaria mais um fator, que é o custo do financiamento da dívida pública. No ano passado o Estado brasileiro pagou R$ 1 trilhão, arredondando. Isso é 8% do PIB, só em pagamento de juros sobre a dívida pública. É um ônus do lado fiscal. Não há equilíbrio possível com uma taxa de juros dessa grandeza, por mais que se façam esforços. De alguma forma, a queda nos juros tem esse papel importante de movimentar a economia e aliviar as contas”.

A matéria veiculada na rádio BandNews pode ser acessada clicando AQUI

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