Conselheiros analisam crescimento do PIB em 2025
Alta foi de 2,3%. Presidenta Tania Cristina Teixeira e conselheiros Ana Cláudia Arruda, Antonio Corrêa de Lacerda e Gustavo Casseb Pessoti abordaram vários aspectos do indicador
A presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira, e os conselheiros federais Ana Cláudia Arruda, Antonio Corrêa de Lacerda e Gustavo Casseb Pessoti analisaram o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, divulgado nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para os economistas, o desempenho mostra que a atividade econômica continua em expansão, mesmo dentro de um cenário marcado por uma política monetária restritiva e incertezas externas.
Para a presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira, o resultado do PIB mantém a economia brasileira numa trajetória de crescimento – e, nesta trajetória, os resultados estão chegando à população. “O Índice de Gini da renda domiciliar per capita caiu para 0,504, o menor patamar da série recente, e a renda dos 10% mais pobres cresceu 13,2% em 2024. A população ocupada atingiu 103 milhões de pessoas, um recorde, e a taxa de desemprego de 2025 foi de 5,6%, o melhor resultado desde o início da série histórica da PNAD Contínua”, destacou. “Estes resultados foram potencializados por programas sociais que têm permitido ao Brasil transformar este crescimento do PIB em uma melhoria efetiva das condições de vida da população”.
O conselheiro Antonio Corrêa de Lacerda ressalta que o desempenho é positivo. “A inflação está na média, o desemprego é o mais baixo desde 2014 e houve recuperação da renda média, além de avanços na distribuição de renda”, observou. Ele também atribui parte do resultado à retomada de programas sociais de grande impacto. “Contribuiu para o desempenho favorável a retomada de programas sociais de elevado impacto, como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, o Farmácia Popular, o Pé de Meia na educação, para citar os principais”.
A conselheira Ana Cláudia Arruda, por sua vez, ressaltou que a taxa de 2,3% era esperada pelos analistas econômicos. “É um número positivo, significa que o Brasil continua crescendo, mesmo diante das adversidades externas e internas e de uma política monetária restritiva”, analisou a economista. “O Brasil precisa crescer num ritmo contínuo acima de 3% para enfrentar seus problemas estruturais e recuperar o tempo perdido”.
Crescimento por setores
Sob a ótica setorial, a agropecuária apresentou crescimento de 11,7%, com destaque para a produção de milho (alta de 23,6%) e soja (14,6%). No setor industrial (1,4%), a maior alta veio das indústrias extrativas (8,6%), enquanto a indústria de transformação registrou variação negativa (-0,2%). Já o setor de serviços (1,8%) teve alta em todas as atividades.
“A agropecuária atuou como o principal motor do crescimento em 2025. Apesar de representar apenas 6% do PIB, o setor contribuiu com quase um terço do crescimento total”, observa o conselheiro federal Gustavo Casseb Pessoti. “O setor de serviços sustentou a expansão, com um crescimento moderado, refletindo um consumo ainda contido e o impacto das condições monetárias restritivas. Condições de crédito mais difíceis e taxas de juros mais altas contribuem para um menor ritmo de elevação do consumo, mesmo com a melhora observada no mercado de trabalho brasileiro em 2025”.
O crescimento industrial teve um impulso relevante da indústria extrativa, especialmente nos setores de extração de petróleo e gás. “Cumpre destacar que o Brasil já produz cerca de 3,7 milhões de barris por dia, consolidando-se como o maior produtor da América Latina”, observa Ana Cláudia. “Do ponto de vista da demanda, o destaque ficou com as exportações (alta de 6,4%), resultado do excelente desempenho do setor agropecuário e da indústria extrativa mineral”.
Estímulo aos investimentos
A taxa de investimentos foi de 16,8% do PIB em 2025. A elevação dessa taxa, observa a presidenta do Cofecon, depende de uma combinação entre o investimento público estratégico e o estímulo ao investimento privado. “Neste contexto, programas estruturantes como o Nova Indústria Brasil (NIB) e o Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) incentivam esta combinação”, menciona Tania Teixeira. “O uso de ferramentas como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (cujos desembolsos atingiram cerca de 1,3% do PIB em 2025) tem sido útil para impulsionar os investimentos e a inovação no Brasil”.
Lacerda aponta que, apesar da taxa abaixo de padrões internacionais, “há um movimento em curso. Os desembolsos do NIB já somam R$ 300 bilhões e devem atingir R$ 370 bilhões até o final de 2026”, cita o conselheiro. “Os investimentos totais em infraestrutura, incluindo os setores público e privado, têm atingido níveis recorde e devem chegar a R$ 1 trilhão no acumulado do período 2023-2026. Cerca de 30% deste montante foi financiado pelo BNDES, destacando-se ainda o papel do banco na estruturação do financiamento de projetos privados”.
Impacto dos juros
As altas taxas de juros definidas pelo Banco Central do Brasil são um fator que teve impacto negativo sobre o investimento e a atividade econômica como um todo no ano de 2025. Desde o mês de junho a Selic encontra-se no patamar de 15% e, neste período, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu a redução dos juros.
“A desaceleração na formação bruta de capital fixo, que cresceu 6,9% em 2024 e 2,9% em 2025, está diretamente relacionada aos efeitos dramáticos e desconcertantes da política monetária de juros altos de 15%”, citou Ana Cláudia Arruda. “O encarecimento do crédito ao consumidor também impactou o poder de compra das famílias (alta de 1,3%)”.
“Existe a expectativa de que, na próxima reunião do Copom, nos dias 17 e 18 de março, tenhamos o primeiro movimento de um ciclo de quedas da Selic, inclusive porque o próprio Copom trouxe esta sinalização em sua ata mais recente”, menciona a presidenta do Cofecon. Ela alerta, entretanto, que a guerra entre Irã e Estados Unidos também pode afetar os preços internacionais, trazendo impactos no Brasil.
Lacerda também menciona que juros altos por um longo período geram enormes distorções: “Representam um prêmio ao ócio, na medida em que, com raríssimas exceções, o retorno esperado de qualquer outro empreendimento dificilmente superaria o ‘custo de oportunidade’ representado pelos juros”, observa o economista. “Elas também pressionam o custo do crédito e do financiamento, dificultando o funding para empreendimentos”.
Olhando para 2026, o desafio será equilibrar estabilidade macroeconômica, redução de juros, expansão do investimento e manutenção dos avanços sociais — em um ambiente de incerteza internacional. Este objetivo exige uma coordenação das políticas macroeconômicas. “Para aumentar o potencial de crescimento do Brasil, é preciso elevar a participação da indústria e da formação bruta de capital fixo, o que será impossível sem uma redução considerável nas taxas de juros – tanto a Selic, quanto as taxas de crédito e financiamentos bancários”, finalizou Pessoti.
