Lacerda: “Com o dólar ao redor de R$ 5, estamos numa situação de equilíbrio”
Conselheiro federal falou ao portal Exame sobre a cotação da moeda norte-americana, que acumula queda de 5% no ano, e seus impactos sobre a economia brasileira
O conselheiro federal Antonio Corrêa de Lacerda falou nesta quarta-feira ao portal Exame sobre a queda do dólar – a moeda norte-americana já recua 5% nos dois primeiros meses do ano. Ele apontou que este movimento tem impactos positivos imediatos na economia brasileira, mas também consequências negativas num período maior. A matéria pode ser lida clicando AQUI (https://exame.com/invest/mercados/do-pao-a-celulares-itens-ficam-mais-baratos-com-dolar-recuando/).
“Não há dúvidas de que, no curto prazo, os benefícios são muito grandes, primeiro porque o dólar é um dos componentes fundamentais dos preços, portanto ele tende a diminuir a inflação”, comentou o economista. No entanto, uma queda num prazo maior pode ter efeitos colaterais indesejados: “Desestimula a produção e a exportação de bens industrializados, aqueles que têm maior valor agregado”, menciona Lacerda.
Neste contexto, o economista vê a cotação atual como próxima do ponto de estabilidade. “Eu diria que hoje, com o dólar ao redor dos R$ 5, estamos numa situação de equilíbrio. Isso traz os benefícios de curto prazo sem comprometer o longo prazo”, analisa.
Fertilizantes e combustíveis reduzem preço ao consumidor
Quem também ao portal Exame foi o presidente do Corecon-SP, Haroldo da Silva, que abordou os efeitos de curto prazo. “Os fertilizantes acabam fincando mais baratos, porque são importados. Conforme utilizados na agricultura, é um redutor de custos que acaba chegando à mesa do consumidor final”, observou. “Produtos eletrônicos e bens duráveis também têm uma grande parcela de itens importados”.
Outro ponto de transmissão da cotação do dólar ao consumidor final está nos combustíveis. “O petróleo é cotado internacionalmente em dólar, então qualquer variação da moeda para baixo reduz a cotação dessa commodity, o que chega na bomba do posto de gasolina”, comenta Haroldo. “O pão do dia acaba sendo impactado, e isso traz mais alívio na capacidade de compra dos salários brasileiros. Inclusive, até a classe média passa a ter mais acesso a comprar outros produtos e também a viagens internacionais a preços melhores”.
Mas o presidente do Corecon-SP também alerta para o impacto negativo apontado por Lacerda: “Como fica mais atrativo importar produtos e serviços, do outro lado dificulta a vida das empresas brasileiras em exportar os seus produtos”.
