Cofecon promove debate sobre desigualdades de gênero, liderança e saúde mental no mercado de trabalho
Evento alusivo ao Dia Internacional da Mulher acontecerá no dia 6 de março, às 15:30 horas, com transmissão pelo YouTube, e discutirá oportunidades, riscos, liderança feminina e os impactos da nova NR-1 na promoção da igualdade de gênero
O Conselho Federal de Economia, por meio da Comissão Mulher Economista e Diversidade, realiza no dia 6 de março (sexta-feira), às 15:30 horas, um debate comemorativo ao Dia Internacional da Mulher. O tema será “Desigualdades de gênero no mercado de trabalho: oportunidades, riscos, liderança e ação coletiva” e haverá transmissão pelo canal do Cofecon no YouTube. As inscrições podem ser feitas clicando AQUI, com emissão de certificados com horas complementares para os participantes.
O evento terá a participação da presidenta do Cofecon, Econ. Tania Cristina Teixeira, e das conselheiras federais Econ. Teresinha de Jesus Ferreira da Silva, Econ. Lucia dos Santos Garcia e Econ. Janine da Silva Alves Bello. Também será sorteado um exemplar dos livros Trabalho Doméstico (Juliana Teixeira), O Lado Invisível da Economia: Uma Visão Feminina do Capitalismo (Katrine Marçal) e O Patriarcado do Salário (Silvia Federici) para as pessoas que estiverem acompanhando ao vivo.

Desigualdades de gênero
As desigualdades de gênero no Brasil estruturam-se a partir de dimensões que se sobrepõem e se reforçam mutuamente. A dupla jornada de trabalho e o trabalho de cuidado não remunerado seguem como um dos principais pilares dessas desigualdades: no Brasil, as mulheres dedicam, em média, quase o dobro do tempo dos homens às atividades domésticas e de cuidado com crianças, idosos e pessoas dependentes.
“Esse trabalho invisível sustenta a reprodução da vida social e da economia, mas permanece fora das contas nacionais, sem reconhecimento econômico e sem proteção social”, expressa a presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira. “Além disso, ele limita o tempo disponível das mulheres para qualificação, inserção profissional e progressão de carreira, gerando uma sobrecarga que se reflete diretamente na desigualdade de renda e no acesso a melhores oportunidades”.
Liderança feminina
A liderança feminina no Brasil ainda enfrenta muitas barreiras. As mulheres são a maioria da população, mas representam 43,6% da força de trabalho (IBGE, Censo de 2022) e ocupam apenas cerca de 39% dos cargos de liderança nas organizações (CNI, 2023). Na política, a desigualdade é ainda mais evidente: mesmo sendo maioria do eleitorado, elas ocupam menos de 18% das cadeiras no Congresso Nacional.
“Esses números revelam que a sub-representação feminina não é resultado de falta de qualificação, mas de estruturas de poder historicamente excludentes”, expressa a conselheira federal Teresinha de Jesus Ferreira da Silva. “A baixa participação da mulher em cargos de liderança é algo que precisa ser discutido para que, jogando luz sobre esta situação, possamos compreender o processo histórico e melhorar estes indicadores”.
Atualização da Norma Regulamentadora nº 1
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), oficializada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, obriga as empresas a incluírem riscos psicossociais (como burnout, assédio, sobrecarga de trabalho e ambientes organizacionais tóxicos) em seu Programa de Gerenciamento de Riscos. A nova norma – cuja vigência e fiscalização têm início em 26 de maio de 2026 – inaugura uma agenda estratégica: a de que saúde mental, inclusão, diversidade e crescimento econômico são dimensões interligadas do desenvolvimento.
O debate ganha ainda mais relevância quando se observa que as mulheres concentram 53% dos casos de transtornos mentais relacionados ao trabalho e 72% dos atendimentos por burnout no SUS, revelando que desigualdade de gênero, assimetria de poder, dupla jornada e sobrecarga não são apenas problemas sociais, mas fatores estruturais de risco ocupacional.
“Inclusão e saúde mental no trabalho não são apenas pautas sociais. São estratégias econômicas para o desenvolvimento sustentável do Brasil”, expressa a conselheira federal Janine Alves. “O desenvolvimento do Século XXI exige que crescimento econômico e justiça social caminhem juntos. E a NR-1 é um marco importante nessa transição”.
Agir coletivamente
Em um contexto de avanço de formas cada vez mais instáveis de inserção profissional, as mulheres vêm sendo empurradas para um mercado de trabalho marcado pela precarização e insegurança. Novas atividades econômicas surgem sem regulação adequada, ampliando desproteção social e assimetrias de poder – um cenário que aprofunda desigualdades históricas de gênero no mundo do trabalho.
“Como agir coletivamente no âmbito público para, se não reverter, pelo menos conter a precarização?”, questiona a economista Lucia dos Santos Garcia, técnica do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “Precisamos olhar para a lei da igualdade salarial e fazê-la sair do papel. Precisamos regular as novas atividades econômicas, como os trabalhos exercidos por meio de aplicativos. Precisamos fazer valer as legislações que dizem respeito à educação e ao orçamento público para a questão do cuidado”.
Sorteio de livros
Durante o evento, quem estiver participando online poderá concorrer ao sorteio de três livros que abordam questões de gênero:
- Trabalho Doméstico (Juliana Teixeira) – O livro traça um painel histórico e social do trabalho doméstico no Brasil, com uma pesquisa bibliográfica aprofundada e entrevistas com mulheres de diferentes idades e origens que exercem a profissão.
- O Lado Invisível da Economia: Uma Visão Feminina do Capitalismo (Katrine Marçal) – Para a autora, o modelo patriarcal em que a economia está fundamentada explica por que ela funciona muito mais para os ricos do que para os pobres e mais para os homens do que para as mulheres. A solução para uma sociedade mais igualitária, defende a autora, está no pensamento econômico feminista.
- O Patriarcado do Salário (Silvia Federici) – A obra traz uma série de artigos que abordam a relação entre marxismo e feminismo do ponto de vista da reprodução social, apontando como a exploração do trabalho doméstico e de cuidados, exercido sem remuneração pelas mulheres, teve e tem papel central na consolidação e sustentação do sistema capitalista.
Participantes
Tania Cristina Teixeira é economista, doutora em Economia Aplicada pela Universidade de Valência (Espanha) e professora da PUC Minas. É conselheira do Cofecon desde 2024 e presidenta da autarquia desde 2025.
Teresinha de Jesus Ferreira da Silva é graduada em Ciências Econômicas pela UFPI, com mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela mesma instituição. É superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Piauí.
Lucia dos Santos Garcia é graduada em Ciência Econômicas (UFRGS), com mestrado em Economia pela mesma instituição. É técnica do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Janine da Silva Alves Bello é economista e doutora em Engenharia e Gestão do Conhecimento (UFSC). É vice-líder do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Conhecimento, Aprendizagem e Memória Organizacional (UFSC) e colunista do portal Making Of.
