20 de fevereiro: Dia Mundial da Justiça Social

Cofecon reafirma compromisso com a redução das desigualdades e a construção de um modelo de desenvolvimento com inclusão, direitos e bem-estar social

Neste dia 20 de fevereiro, data instituída pela Organização das Nações Unidas para celebrar o Dia Mundial da Justiça Social, o Conselho Federal de Economia, por meio da Comissão Ações para Redução da Concentração de Renda e Desigualdade Social no Brasil, reafirma o compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva, fundada na redução das desigualdades e na efetiva ampliação de oportunidades para todas e todos.

A justiça social não se faz apenas por meio do crescimento econômico. Ela exige políticas públicas estruturantes, capazes de enfrentar desigualdades históricas e estruturais, promover inclusão produtiva, garantir direitos sociais e assegurar condições reais de dignidade, trabalho, renda, cidadania e bem-estar para a população brasileira.

As desigualdades no Brasil são múltiplas e se manifestam de forma interconectada:

  • Sociais: Os 10% mais ricos capturam 59,1% da renda nacional, enquanto a metade mais pobre fica com apenas 9,3%, tornando o Brasil o quinto país mais desigual do mundo (World Ineaquality Lab, 2025).
  • Territoriais: O PIB per capita do Nordeste corresponde a apenas 51% da média nacional, enquanto no Sudeste este número supera 125% e no Centro-Oeste 130% (IBGE, 2025, com dados de 2023).
  • Raciais: a renda das pessoas brancas era, em média, 87% maior do que a renda das pessoas negras (IPEA, 2022); mulheres negras têm o dobro do desemprego dos homens não negros (RAIS, 2024); 66% dos trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão entre 2002 e 2024 são negros (MTE, 2024).
  • Gênero: mulheres ganham 20,7% menos que os homens nas mesmas funções (RAIS, 2023), mesmo sendo mais escolarizadas (21,3% das mulheres e 16,8% dos homens com mais de 25 anos têm ensino superior – IBGE, 2024).

Estes são apenas alguns indicadores, mas a desigualdade se manifesta em inúmeros outros, sejam eles de renda, sociais, saneamento, escolaridade, emprego, acesso a serviços públicos, obtenção de cargos de liderança, etc. Combater a pobreza, a exclusão social, a concentração de renda e as assimetrias de acesso a direitos passa, necessariamente, por um Estado ativo, por políticas públicas consistentes e por uma economia orientada para o bem-estar coletivo.

A Comissão Ações para Redução da Concentração de Renda e Desigualdade Social no Brasil atua justamente nesse campo: articula conhecimento econômico, produção técnica, reflexão crítica e incidência institucional em defesa de políticas públicas que promovam equidade, inclusão social, desenvolvimento territorial equilibrado e fortalecimento da cidadania econômica.

Nesse contexto, é fundamental reconhecer o papel estratégico da economia e dos economistas na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades. A atuação técnica, ética e socialmente comprometida da profissão é essencial para a construção de modelos de desenvolvimento que priorizem a justiça social e a inclusão.

A justiça social requer o enfrentamento de todos os tipos de desigualdade – em especial aquelas já mencionadas anteriormente. Da mesma forma, a consecução deste objetivo demanda a ampliação do acesso a direitos e a construção de políticas que garantam oportunidades reais para todos.

O Conselho Federal de Economia manifesta seu compromisso com uma agenda que una economia, direitos, inclusão e transformação social, orientada pelos eixos da Campanha pela Redução da Desigualdade no Brasil e pela construção de um projeto de desenvolvimento que coloque a vida, a dignidade humana e o bem-estar coletivo no centro das decisões econômicas.

Econ. Tania Cristina Teixeira
Presidenta do Cofecon

Econ. Júlio Miragaya
Coordenador da Comissão Ações para Redução da Concentração de Renda e Desigualdade Social no Brasil

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