Tania Teixeira participou do XIV Fórum Acadêmico de Alto Nível China-América Latina
Presidenta do Cofecon falou de forma remota na mesa principal e no encerramento do evento, realizado nos dias 24 e 25 de novembro
A presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira, participou do XIV Fórum Acadêmico de Alto Nível China-América Latina, realizado nos dias 24 e 25 de novembro na Universidade Sun Yat-sen, em Guangzhou, na China. Ela falou na mesa principal e na sessão de encerramento do evento, intervindo de forma remota em ambas as ocasiões.
Durante a abertura do evento, foi inaugurado o Centro de Estudos Brasileiros do Instituto de Estudos Internacionais e Regionais da Universidade Sun Yat-sen. Outros representantes do Brasil no evento foram Paula Margarita Andrea Cares Bustamante, professora da Universidade Estadual de Montes Claros; Thais Caroline Lacerda Mattos, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; Marcos Cordeiro Pires, professor da Universidade Estadual Paulista; e Ubirajara Garcia Ferreira Tamarindo, da mesma instituição.
Mesa principal
Na mesa principal do evento, o primeiro tema abordado por Tania foi a importância do Sistema Cofecon/Corecons. “É um órgão criado por lei, responsável por fiscalizar e fortalecer o exercício da profissão de economista”, explicou a presidenta. “As funções dadas à autarquia incluem a promoção de uma sadia mentalidade econômica nos setores da economia nacional e a realização de estudos e campanhas pela racionalização econômica do País”.
O crescimento do protagonismo feminino também esteve presente em sua fala. “A presença feminina na economia não é somente uma questão de representatividade. Quando uma mulher assume um espaço de decisão, traz consigo uma visão mais ampla das necessidades humanas, da gestão do tempo, dos impactos sociais e da sustentabilidade das escolhas econômicas”, apontou a presidenta do Cofecon. “O Cofecon tem buscado, de maneira permanente, promover a igualdade de gênero na profissão e combater todas as formas de violência e desigualdade que ainda limitam a participação das mulheres no mercado de trabalho”.
Tania Teixeira também falou sobre sustentabilidade. “Vai muito além da transição ecológica. Um desenvolvimento sustentável trata de como incluir toda a população no mercado de trabalho, nas políticas públicas, nas oportunidades de geração de renda e no crescimento econômico”, argumentou. “A transição para uma economia de baixo carbono já está presente no mundo inteiro e o Brasil tem tudo para ser um protagonista neste processo”.
É neste contexto, defende a economista, que a cooperação Sul-Sul ganha relevância. “Ao fortalecer laços com países da América Latina, África e Ásia, o Brasil pode compartilhar experiências de desenvolvimento inclusivo, bioeconomia e políticas públicas sustentáveis, ao mesmo tempo em que aprende com soluções locais criadas em realidades semelhantes à nossa”, pontuou. “Esta troca solidária entre nações do hemisfério Sul é estratégica para construir uma agenda global mais justa – que não reproduza desigualdades históricas, mas valorize o conhecimento, os recursos e as capacidades próprias de cada país em desenvolvimento”.
Mesa de encerramento
A presidenta do Cofecon também participou da mesa de encerramento do evento, com uma fala sobre a importância da parceria entre a China e a América Latina. “Podemos perceber a força transformadora que nasce quando países com diferentes culturas e tradições acadêmicas se encontram para pensar projetos comuns”, ressaltou a economista. “A inovação floresce onde há intercâmbio de ideias e disposição para aprender com o outro. Temos muito a oferecer mutuamente no campo das tecnologias verdes, das políticas industriais, da infraestrutura digital e das soluções para os desafios urbanos e ambientais”.
“Durante décadas, os países do Sul Global foram vistos como meros receptores de conhecimento e fornecedores de matéria-prima. Hoje testemunhamos uma mudança real nesse cenário e a aproximação entre China e América Latina ganha sentido histórico”, prosseguiu Tania. “Esta parceria não é circunstancial. É estratégica e envolve não só o comércio, mas também a ciência, inovação, sustentabilidade, infraestrutura e desenvolvimento humano. É uma cooperação que olha para o longo prazo”.
“A China e a América Latina mostram ao mundo que podem construir agendas, propor caminhos, aprofundar a cooperação e participar da definição das regras do jogo internacional. O Sul Global, agora, fala com mais voz e autonomia, e tem no BRICS sua principal instância de representação”, mencionou a presidenta do Cofecon. “Cada avanço desta cooperação se traduz em benefícios para as nossas populações, gerando mais empregos qualificados, melhor infraestrutura, uma transição energética mais rápida, oportunidades acadêmicas e maior inclusão produtiva”.
XIV Fórum Acadêmico de Alto Nível China-América Latina
O XIV Fórum Acadêmico de Alto Nível China-América Latina é um evento anual, realizado desde 2012, e é uma iniciativa conjunta do Instituto da América Latina da Academia Chinesa de Ciências Sociais, em parceria com várias universidades latino-americanas – entre elas, a Universidade Estadual de São Paulo (Unesp).
A edição deste ano foi realizada na Universidade Sun Yat-sen, em Guangzhou, capital da província de Guangdong, na costa sul do país, e teve como tema “Construir uma comunidade com um futuro compartilhado entre a China e a América Latina: Experiências de modernização e vias de desenvolvimento ecológico da China e dos países latino-americanos”.
Participam do evento acadêmicos chineses e latino-americanos e funcionários das Nações Unidas e organizações internacionais regionais. O secretário-executivo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), José Manuel Salazar-Xirinachs, participou remotamente da mesa de abertura. O evento também contou com ex-ministros de países sul-americanos.
