Luciana Servo defende inclusão e sustentabilidade como pilares do desenvolvimento
Durante a solenidade de posse do Cofecon, presidenta do IPEA destacou a importância de repensar a economia a partir de uma visão social e de longo prazo
A posse da nova presidência do Cofecon foi também um momento de reflexão sobre os desafios estruturais da economia brasileira. Luciana Servo, presidenta do IPEA, ressaltou que a exclusão social e o racismo limitam o potencial de crescimento do País e defendeu que a economia deve ser pensada como uma ciência social e humana. Para ela, a presença de uma mulher na presidência do Cofecon, pela primeira vez em mais de 70 anos, sinaliza a necessidade de um novo olhar sobre desenvolvimento, inclusão e sustentabilidade como elementos inseparáveis na construção de políticas públicas eficazes. A fala da presidenta do IPEA pode ser vista clicando AQUI.
“Ter a primeira presidenta depois de mais de 70 anos não é qualquer coisa. Um país baseado em exclusão e discriminação, numa visão de curto prazo, não se desenvolve”, expressou a presidenta do IPEA. “Nós temos que ensinar para estes jovens que estão aqui que existe, na economia, uma questão de curto e longo prazo, de estática e dinâmica e de visão de que estas coisas têm que ser combinadas”.
“Se olharmos só para a conjuntura, nos esqueceremos do que estamos pensando como modelo de desenvolvimento. É preciso olhar a conjuntura, mas não podemos ser, durante décadas, reféns de um determinado modo de pensar e ver a economia, como se o crescimento pudesse andar dissociado da inclusão e da sustentabilidade”, argumentou. “O desastre no Rio Grande do Sul, as secas no Nordeste, os problemas de violência e a baixa educação são questões históricas que nos colocam onde estamos hoje. Temos que olhar os indicadores conjunturais, mas só teremos um país desenvolvido se entendermos que a economia é uma ciência social e uma ciência humana. Ela precisa colocar no centro do debate a discussão sobre inclusão e sustentabilidade”.
“A exclusão social e o racismo tiram algo entre 12% e 20% do nosso PIB potencial. Quantos estudos há a respeito? Quatro, cinco. Por que esta questão está fora do debate econômico? Precisamos colocar nos nossos estudantes, nas nossas teses, na nossa compreensão de finanças públicas, política monetária, política industrial, que estas questões não podem andar separadas de questões que afetam o nosso país”, questionou Luciana. “Esperamos que esta mudança estrutural, que começa com uma mulher na cadeira da presidência depois de 70 anos, nos coloque em outro patamar no modo de pensar e fazer a economia. Não temos tantas mulheres nos cursos de mestrado e doutorado, em determinados momentos já tivemos mais do que hoje”.
“No IPEA, se não olharmos para este processo, não estaremos fazendo política pública – e nosso papel é fazer com que estas políticas sejam efetivas. Neste sentido, trabalhar a inclusão e o desenvolvimento sustentável é função de todas as áreas do IPEA”, afirmou. “O Brasil depende de nós, economistas. Precisamos ter este compromisso como profissionais e servidores públicos”.
Confira as fotos do evento clicando AQUI ou acessando o álbum abaixo.
