Débora Freire: “Precisamos atuar para que mulheres economistas se sintam livres de padrões pré-definidos”

Subsecretária de Política Fiscal do Ministério da Fazenda destaca a importância da diversidade na formulação de políticas públicas e no mercado de trabalho 

A relevância da representatividade feminina na economia, com ênfase no impacto positivo da diversidade na formulação de políticas públicas, foi o tema da fala trazida por Débora Freire. Para ela, que é subsecretária de Política Fiscal na Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, a chegada da Econ. Tania Teixeira à presidência do Conselho simboliza um avanço essencial para mulheres economistas. Além disso, destacou que políticas como a recém-aprovada Política Nacional de Cuidados são fundamentais para ampliar a participação feminina na economia, contribuindo para o crescimento sustentável do País. A fala de Débora Freire pode ser assistida AQUI

“É uma honra estar aqui presenciando e comungando da posse da nossa querida Tania Teixeira. Se pensarmos que o Cofecon foi criado em 1951 e mais de 70 anos depois estamos celebrando a posse da primeira mulher à frente do Conselho, este fato por si só mostra quão representativo é o dia de hoje e quão importante é a temática do protagonismo, diversidade e desenvolvimento”, apontou Débora. “Como mulher economista, fico feliz por enfim termos uma liderança que é o que na literatura econômica chamamos de ‘role model’. Esta representatividade será muito importante para as estudantes de economia se sentirem representadas e poderem aspirar a uma posição futura com o protagonismo na profissão”. 

“Temos um mercado de trabalho majoritariamente masculino na nossa profissão, seja na esfera privada, seja na pública. Ainda encontramos resistências ao desenvolvimento pleno das nossas habilidades”, observou Freire. “Como economista acadêmica e professora, posso dizer que o status quo da nossa profissão não me era muito favorável: mulheres estudantes de universidade do interior contavam com poucas referências femininas como professoras durante a graduação, e menos ainda na área de economia”. 

“Sempre me interessei pela área de macroeconomia, contas públicas e política econômica. Por algum tempo, mesmo durante a pós-graduação e já atuando como uma jovem professora, tentei mimetizar comportamentos masculinos na apresentação de trabalhos ou na forma de dar aula por acreditar que o meu jeito de explicar ou me manifestar não era o mais acertado”, relatou a economista. “Esse é o problema da falta da representatividade. Meus melhores resultados foram obtidos quando eu executei as atividades preservando minhas características. Isso foi transformador na minha atuação profissional. E hoje vejo, falando para mulheres, esse é o nosso grande diferencial. É preciso atuar para que as mulheres economistas se sintam livres de padrões pré-definidos majoritariamente associados ao masculino”. 

“Atuando como formuladora de política econômica no Ministério da Fazenda, vejo quão importante é a participação de mulheres economistas neste ambiente. Primeiro, porque o viés de gênero no mercado de trabalho e a menor participação feminina reduzem nosso PIB potencial, nossa capacidade de crescimento”, observou. “Segundo, porque os problemas e instrumentos econômicos precisam ser pensados sobre o recorte de gênero e raça. Tributação, gastos públicos, política fiscal como um todo e até mesmo política monetária são esferas que são afetadas ou afetam tanto a desigualdade de gênero quanto de raça”. 

“Por muito tempo a participação de mulheres na formulação de políticas públicas ficou restrita às áreas da política social. Essa restrição é um erro, porque toda política é social: fiscal, monetária, creditícia, cambial, todas são políticas sociais porque afetam a sociedade”, observou. “Quem é mais afetado pelas desigualdades não está sentado à mesa para tomar decisões que afetam desproporcionalmente mais os grupos que estão excluídos da formulação. Por isso a diversidade e representatividade são tão importantes”. 

“Uma das principais formas de ampliar o PIB potencial do Brasil é a partir da maior participação feminina no mercado de trabalho. Só alcançaremos este feito comum robusto plano de economia de cuidados”, expressou a economista. “Quando garantirmos que a mulher, se for do seu desejo, esteja plenamente apta a participar do mercado de trabalho, estaremos caminhando para isso. A Política Nacional de Cuidados que acaba de ser aprovada no Congresso Nacional e o Plano Nacional de Cuidados que está sendo planejado e gestado pelo Governo Federal e em breve será lançado são muito importantes para que as mulheres possam exercer plenamente suas habilidades e participar plenamente do mercado de trabalho”, finalizou. 

Confira as fotos do evento clicando AQUI ou acessando o álbum abaixo.

Solenidade de Posse - Nova diretoria Cofecon 2025
Share this Post