Boletim de Conjuntura do IPEAD aponta crescimento moderado da economia
Publicação de setembro destaca avanço de 0,5% do PIB brasileiro no segundo trimestre, desemprego em nível historicamente baixo e inflação dentro do limite da meta.
Está disponível mais uma edição do boletim de conjuntura econômica da Fundação IPEAD, vinculada à Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A publicação apresenta um panorama da economia brasileira e de Minas Gerais, com indicadores de atividade econômica, mercado de trabalho, inflação e cenário internacional.
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, enquanto o de Minas Gerais avançou 3% no mesmo período. Apesar do resultado mineiro, o crescimento acumulado em quatro trimestres foi de 1,3% no estado, abaixo dos 1,9% registrados no país. No Brasil, o consumo das famílias recuou 0,4%.
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor nível para esse período desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. A população ocupada chegou a 103,3 milhões de pessoas, e o rendimento médio real habitual alcançou R$ 3.762, com alta de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A inflação também apresentou recuo em agosto. O IPCA nacional caiu 0,32% no mês e acumulou alta de 4,22% em 12 meses, permanecendo abaixo do teto da meta. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o índice registrou queda de 0,29%. Em contrapartida, o Índice de Confiança do Consumidor de Belo Horizonte recuou 5,6%.
O boletim também analisa o cenário internacional e seus possíveis efeitos sobre a economia brasileira, incluindo os desafios para a política monetária e a trajetória da taxa Selic. A seção Opinião traz o texto “Democracia, Desenvolvimento e Trabalho no Século XXI: a atualização programática do sindicalismo industriário brasileiro a partir da Plenária Nacional CNTI 80 Anos”, de José Reginaldo Inácio, que discute temas como reindustrialização, inteligência artificial, transição energética, proteção social e transformações nas relações de trabalho.
Leia o boletim completo AQUI.
Boletim do IPEAD aponta desaceleração da economia brasileira e desafios para a política monetária
Publicação de setembro de 2026 destaca crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre, menor taxa de desemprego da série histórica para o período e pressões externas que podem limitar novos cortes da Selic.
A economia brasileira mantém trajetória de crescimento, mas começa a apresentar sinais de desaceleração. Essa é uma das principais conclusões do Boletim de Conjuntura Econômica de setembro de 2026, publicado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (IPEAD), vinculada à Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A publicação analisa os cenários internacional e nacional, o desempenho dos setores produtivos, o mercado de trabalho, os preços e a confiança dos consumidores.
De acordo com o levantamento, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, enquanto a expansão acumulada em quatro trimestres chegou a 1,9%. Pelo lado da oferta, a agropecuária teve o melhor desempenho, com alta de 2,8%, seguida pelos serviços, que avançaram 0,2%, e pela indústria, com crescimento de 0,1%. O comércio permaneceu estável.
Pela ótica da demanda, a formação bruta de capital fixo, indicador dos investimentos na economia, aumentou 1,2%. Já o consumo das famílias recuou 0,4%, registrando o pior resultado trimestral desde 2021. Para o boletim, os resultados refletem os efeitos da política monetária restritiva sobre a demanda interna, especialmente nos segmentos mais sensíveis às condições de crédito.
Minas Gerais registra crescimento do PIB acima da média nacional
A economia mineira apresentou expansão de 3% no segundo trimestre, segundo dados da Fundação João Pinheiro citados pelo IPEAD. O PIB estadual foi estimado em R$ 316,3 bilhões no período. No acumulado de quatro trimestres, porém, o crescimento foi de 1,3%, abaixo dos 1,9% registrados pelo Brasil.
A agropecuária foi o principal destaque, com avanço de 43,7% no trimestre, impulsionado pelas colheitas de café e milho e pela recuperação após quedas nos dois trimestres anteriores. Em contrapartida, indústria e comércio recuaram 0,4% e 0,3%, respectivamente, enquanto os serviços permaneceram estáveis.
Na indústria, a produção brasileira cresceu 0,2% em julho e acumulou alta de 0,6% em 12 meses. Em Minas Gerais, o avanço mensal foi de 0,3%, e o crescimento acumulado chegou a 0,9%. Apesar disso, a confiança da indústria brasileira caiu 3,5 pontos em agosto, a maior retração do ano, refletindo a piora nas avaliações sobre a situação atual e nas expectativas para os meses seguintes.
O comércio varejista também mostrou perda de fôlego. O volume de vendas caiu 0,8% no país e 1,2% em Minas Gerais em julho. No acumulado de 12 meses, os resultados foram positivos, mas modestos: 1,6% no Brasil e 0,8% no estado.
Já o setor de serviços permaneceu estável no país em julho, embora tenha acumulado expansão de 2,4% em 12 meses. Em Minas Gerais, houve crescimento mensal de 1%, mas retração de 0,3% no acumulado de um ano.
Mercado de trabalho mantém indicadores favoráveis
Apesar dos sinais de desaceleração da atividade econômica, o mercado de trabalho continuou apresentando resultados positivos. A taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho de 2026, o menor patamar para esse período desde o início da série histórica, em 2012.
A população ocupada chegou a 103,3 milhões de pessoas, enquanto o rendimento médio real mensal alcançou R$ 3.762, valor 3,3% superior ao registrado no mesmo trimestre de 2025. A informalidade recuou para 37,5% da população ocupada, ante 37,8% um ano antes.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o país criou 58.568 empregos formais em julho. Foi o menor saldo para esse mês desde 2020, embora o acumulado do ano tenha superado 970 mil novas vagas. O setor de serviços liderou a geração de empregos, enquanto o comércio registrou saldo negativo.
Em Minas Gerais, foram abertas 5.199 vagas com carteira assinada em julho, com destaque para a construção civil, responsável por 3.337 postos, e a agropecuária, com 1.323.
Inflação recua, mas confiança do consumidor preocupa
No campo dos preços, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,32% em agosto, acumulando alta de 4,22% em 12 meses, abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a queda mensal foi de 0,29%, e a variação acumulada em 12 meses chegou a 3,39%.
A redução do IPCA nacional foi influenciada principalmente pelos grupos habitação e transportes. A energia elétrica residencial teve queda de 7,63%, associada à incorporação do Bônus da Itaipu. Em sentido contrário, o grupo despesas pessoais registrou alta de 1,30%.
As pesquisas próprias do IPEAD indicaram que o IPCA de Belo Horizonte recuou 0,16% em agosto e acumulou alta de 4,21% em 12 meses. A cesta básica da capital mineira caiu 0,25%, chegando a R$ 757,19. O valor correspondia a 46,71% do salário mínimo, e o custo do conjunto de alimentos acumulava alta de 1,98% em um ano.
A confiança do consumidor, entretanto, apresentou deterioração. O Índice de Confiança do Consumidor de Belo Horizonte (ICC-BH) caiu 5,6% em agosto, alcançando 42,12 pontos, abaixo do patamar de 50 pontos que indica otimismo. A queda foi influenciada principalmente pela piora na avaliação da situação econômica do país e das perspectivas de emprego.
Cenário internacional pode limitar cortes da Selic
O boletim também destaca os efeitos das mudanças na política monetária dos Estados Unidos sobre as condições financeiras brasileiras. Segundo a análise setorial da publicação, a postura mais restritiva do Federal Reserve (Fed), em um contexto de inflação persistente e juros elevados, reduziu o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos.
Esse movimento pode pressionar o câmbio, elevar os prêmios de risco exigidos pelos investidores e aumentar os custos de produtos importados e insumos cotados em dólar. Nesse cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) teria menos espaço para prosseguir com reduções da taxa Selic, uma vez que precisa considerar os possíveis efeitos externos sobre a inflação e as expectativas do mercado.
O quadro internacional também apresenta desafios em outras economias. Na Zona do Euro, o crescimento do PIB do segundo trimestre foi revisado para cima, mas a inflação voltou a acelerar, impulsionada pela energia. Na China, a produção industrial superou as expectativas, enquanto o consumo e os investimentos continuaram mostrando fragilidade. Na Argentina, a inflação desacelerou em agosto, mas a atividade econômica recuou em julho e a proporção da população urbana abaixo da linha da pobreza voltou a crescer no primeiro semestre.
A combinação desses fatores reforça a importância de acompanhar não apenas os indicadores domésticos, mas também as decisões das principais economias e seus efeitos sobre o financiamento, o câmbio e a atividade produtiva no Brasil.
Publicação reúne análises e perspectivas econômicas
Além dos indicadores conjunturais, a edição de setembro inclui o artigo “Mudança de postura do Fed limita cortes adicionais da Selic no Brasil”, dedicado à relação entre a política monetária norte-americana e as decisões do Banco Central brasileiro.
Leia o boletim completo AQUI.
