Copom reduz Selic para 13,75%; presidenta Tania Teixeira e conselheiro Lacerda comentam

Para a presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira, nível dos juros ainda impõe restrições ao crescimento e ao investimento. Conselheiro Antonio Corrêa de Lacerda espera nova queda na próxima reunião

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (16) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, marcando o quinto movimento consecutivo de corte de 0,25 ponto percentual. A presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira, e o conselheiro federal Antonio Corrêa de Lacerda, coordenador da Comissão de Política Econômica do Cofecon, falaram sobre o assunto. 

Para Tania Teixeira, a redução da Selic deve ser reconhecida, mas não altera o diagnóstico de que a política monetária permanece bastante restritiva. “A redução da Selic é importante, mas ainda estamos falando de uma taxa muito elevada, com juros reais próximos de 9%”, comentou a economista. “É um patamar que impõe um custo elevado para o crédito, o investimento e a atividade econômica. Precisamos discutir em que nível os juros devem estar para que a política monetária cumpra seu papel sem impor uma restrição excessiva ao crescimento.” 

A economista também argumenta que “a estabilidade de preços é fundamental, mas precisamos buscar uma combinação de políticas que permita preservar essa estabilidade sem manter a economia submetida, por um período excessivamente longo, a uma taxa real de juros tão elevada”. 

Lacerda espera nova redução da Selic em novembro 

O coordenador da Comissão de Política Econômica do Cofecon falou à rádio BandNews FM sobre a redução da taxa básica de juros promovida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central nesta quarta-feira (16), de 14% para 13,75% ao ano. Lacerda projetou uma nova redução de juros na próxima reunião do Copom. 

“Minha projeção pessoal é de uma continuidade da queda. Apesar de todos os fatores de incerteza que existem, seja no quadro internacional, seja no doméstico, o fato de termos uma taxa real de juros ainda muito elevada, com o nível de atividade negativamente afetado pelo custo do crédito, mais o impacto sobre o a dívida do Estado, das famílias e das empresas, a tendência natural seria de uma continuidade de queda na nossa taxa de juros”, analisou o economista. 

No mesmo dia, o Federal Reserve (Fed) elevou a taxa de juros dos Estados Unidos para a banda entre 3,75% e 4% ao ano. Lacerda avalia que não há contradição entre a decisão do Fed de elevar os juros em 0,25 ponto percentual e a redução de 0,25 ponto feita pelo Copom. Segundo o economista, as decisões respondem a condições econômicas distintas em cada país e não devem ser analisadas apenas pela diferença entre as taxas de juros. 

A próxima reunião do Copom (a penúltima de 2026) acontecerá nos dias 3 e 4 de novembro. A fala de Lacerda pode ser assistida AQUI.

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