Cofecon apresenta Revista Economistas #61, com artigos sobre desenvolvimento regional 

Edição reúne artigos que discutem desigualdades territoriais e políticas de desenvolvimento, além de uma entrevista com Rosa Freire d’Aguiar 

Já está disponível online a edição número 61 da revista Economistas! A publicação tem como tema o desenvolvimento regional e reúne reflexões sobre vários aspectos, tais como como o papel da indústria, um projeto nacional de desenvolvimento, capacidade fiscal, instituições, políticas implícitas e explícitas, integração nacional, precificação de matérias-primas, a regionalização do programa Nova Indústria Brasil, o papel de regiões como a Amazônia e o Nordeste e a ênfase no fato de que a redução das desigualdades é uma agenda de desenvolvimento e não de compensação. A revista pode ser acessada clicando AQUI

Uma entrevista com Rosa Freire d’Aguiar revisita o pensamento de Celso Furtado, um dos principais pensadores do desenvolvimento regional no Brasil. Ela fala sobre a convivência com o economista, o exílio em Paris, o pensamento de Celso e o trabalho de pesquisa e organização da correspondência e dos seus escritos. 

Desenvolvimento regional 

As características econômicas, sociais, ambientais e produtivas variam entre os territórios, o que exige políticas públicas capazes de considerar essas especificidades e aproveitar as potencialidades locais. Investir em infraestrutura, educação, inovação, qualificação profissional e diversificação das atividades produtivas contribui para fortalecer as economias regionais, gerar emprego e renda e promover um desenvolvimento mais equilibrado e inclusivo. Nesse processo, os economistas possuem uma tarefa importante ao formular diagnósticos, pensar estratégias e construir e avaliar políticas de longo prazo que articulem crescimento econômico e redução das desigualdades territoriais. 

Artigos 

Aristides Monteiro realiza uma análise do desenvolvimento regional no Brasil desde o ano 2000, com um quarto de século marcado pelo crescimento do agronegócio para exportação e a perda gradual do peso da indústria no PIB brasileiro. Em seu artigo, ele discute uma estratégia para superar este quadro, classificando o foco em objetivos claros e bem definidos como um objetivo essencial para essa finalidade. 

Ana Cláudia Arruda escreve sobre um projeto nacional de desenvolvimento e desigualdade regional no Brasil. Ela aponta que este projeto só será bem-sucedido se combater as profundas desigualdades regionais existentes, que impactam a qualidade produtiva, a integração social e as oportunidades de realização pessoal e intergeracional.  

Constantino Cronemberger Mendes argumenta que a análise das assimetrias territoriais estaria incompleta sem considerar o contexto macroestrutural da rigidez orçamentária federativa. Neste contexto, é necessário um sistema de equalização fiscal que leve em conta as demandas socioeconômicas locais e maior coordenação federativa de suas políticas setoriais. 

Eduardo José Monteiro da Costa discorre sobre o papel da Amazônia dentro do Brasil, entendendo que ela foi incorporada ao espaço nacional como uma ordem regional de acesso limitado, na qual as oportunidades não dependem de regras impessoais, mas da posição de agentes, de suas redes e da proximidade com os centros de poder. A questão decisiva, então, não é somente quanto investir, mas quem acesso os instrumentos de integração, como a riqueza circula e quem captura seus resultados. 

Jorge Jatobá aponta que o Nordeste de hoje é mais próspero que o de décadas atrás. Contudo, precisa ser mais célere na sua trajetória de desenvolvimento, e não há leis de mercado que regiões mais pobres possam crescer mais rapidamente do que as mais ricas. Por isso, o princípio fundamental da política pública é o da igualdade de oportunidades. 

O artigo de Cláudio da Costa Oliveira discute o conceito de preço nacional de desenvolvimento, sob o qual determinados insumos estratégicos produzidos no Brasil devem contribuir não apenas com a receita de seus produtores, mas também com a formação de cadeias produtivas competitivas dentro do País. Quando chegam à produção nacional em condições pouco competitivas, o Brasil exporta recursos naturais e depois importa bens fabricados com matérias-primas semelhantes às que exportou. 

Reduzir desigualdades regionais é agenda de desenvolvimento, não de compensação. Este é o argumento que aparece no artigo A Geografia do Crescimento, de Eduardo Rangel de Moraes. Ele conclui que a geografia do crescimento brasileiro não está determinada pelo acaso, mas pelas escolhas de política econômica e institucional. 

Como destravar a Amazônia e transformá-la numa potência global? Esta é a pergunta que o artigo de Michele Aracaty busca responder. Ela argumenta que é essencial fazer uma transição de uma economia da destruição para a economia da natureza, com base na bioeconomia de alta tecnologia, que valorize a preservação da floresta e melhore a vida das pessoas. 

Paulo Fernando Cavalcanti Filho defende a necessidade de territorializar o programa Nova Indústria Brasil (NIB), integrando políticas macroeconômicas industriais e regionais. Na visão do autor, um NIB regionalizado fomentará sistemas produtivos de bens de capital e de serviços às empresas em escala suficiente para viabilizar a lucratividade das demais atividades industriais. 

Leitura gratuita  

A Revista Economistas nº 61 está disponível gratuitamente em formato digital no portal do Cofecon. A publicação reúne reflexões de pesquisadores, professores, gestores públicos e profissionais da Economia, contribuindo para o debate qualificado sobre os desafios e as oportunidades do desenvolvimento brasileiro. 

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