Tania Teixeira: “Ser economista é reconhecer que não existem respostas prontas” 

Presidenta do Cofecon falou em solenidade comemorativa ao Dia do Economista e aos 75 anos de regulamentação da profissão 

O Conselho Federal de Economia (Cofecon) e o Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF) realizaram no dia 13 de agosto uma solenidade em comemoração ao Dia do Economista e aos 75 anos da regulamentação da profissão. O evento aconteceu na Câmara Legislativa do Distrito Federal e reuniu economistas, autoridades, estudantes, professores e integrantes da sociedade civil. As manifestações da mesa de abertura destacaram a trajetória da profissão e sua contribuição para o desenvolvimento brasileiro. 

Em seu pronunciamento, a presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira, celebrou a importância histórica do dia 13 de agosto, destacando que neste ano completam-se 75 anos da regulamentação da profissão no Brasil. Ao recordar o contexto da sanção da Lei n.º 1.411, em 1951, a economista enfatizou que o país vivia um “processo acelerado de transformação”, com intensa industrialização e urbanização, o que exigia profissionais preparados para conduzir e planejar uma economia cada vez mais complexa. 

Tania ressaltou a evolução da profissão ao longo das décadas, descrevendo-a como uma “profissão que aprendeu ao longo da história a olhar para uma realidade complexa, formular perguntas e construir caminhos possíveis para o desenvolvimento do Brasil”. A capacidade de diagnosticar desafios e participar das grandes questões econômicas, ressaltou a presidenta, consolidou o papel social e estratégico que o economista desempenha no amadurecimento das instituições brasileiras. 

A presidenta destacou que a prática da profissão exige humildade diante das incertezas, afirmando que “ser economista é também reconhecer que não existem respostas prontas para uma realidade que está sempre em transformação”. Ela também reafirmou a importância de discutir a quem a economia deve servir. “Precisamos aumentar a produtividade, mas também distribuir melhor os frutos. Avançar na inovação e na transformação ecológica, mas sem deixar para trás trabalhadores e regiões, e fazer da transição energética uma oportunidade de desenvolvimento, geração de emprego, redução das desigualdades e afirmação, mais do que nunca, da soberania nacional”. 

Ao encerrar sua saudação, a presidenta prestou uma homenagem ao legado daqueles que pavimentaram a história da categoria. “Reconhecemos a contribuição de cada economista deste país e reafirmamos nossa responsabilidade com o Brasil que vamos construir”, afirmou Tania Teixeira. “Parabéns a todos os economistas pelos 75 anos de nossa profissão e aos que pretendem ser economistas. Vocês fizeram uma boa escolha”. 

A presidenta do Corecon-DF, Luciana Acioly, expressou a satisfação em realizar o evento na Câmara Legislativa do Distrito Federal, agradecendo aos presentes e aos parceiros que possibilitaram a celebração dos 75 anos de regulamentação da profissão. “Quero, acima de tudo, agradecer ao deputado distrital Wellington Luiz pela cessão deste espaço na Câmara Legislativa. Ele tem sido um grande parceiro apoiando as atividades do Cofecon e Corecon-DF para tratar de temas nacionais, internacionais e daqueles que afetam a população do Distrito Federal e, de maneira ampliada, as questões ligadas ao Centro-Oeste”. 

Luciana Acioly também enfatizou a relevância dos temas abordados na sequência, com a palestra de Gustavo Pessoa sobre as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e o Pix. “Esses assuntos são preementes na tomada de decisão de investimento e no rearranjo de portfólios e possuem impactos diretos no crescimento e na governança da política econômica nacional, afetando o cotidiano de todos os profissionais da área”, comentou. 

Representando a Associação dos Consultores Legislativos e de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados (Aslegis), o economista Pedro Garrido, que também é conselheiro do Corecon-DF, mencionou a importância estratégica do assessoramento parlamentar. Ele ressaltou que, embora a carreira de consultor aceite diversas formações, a presença constante de economistas na função tem sido um pilar para o trabalho técnico na Câmara dos Deputados, afirmando que “já temos uma sequência de economistas à frente da Aslegis”. 

Garrido também enfatizou a relevância do debate sobre a atualização da regulamentação da categoria (tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3.178/2024, que busca atualizar a Lei 1.411/1951) e o papel essencial do profissional em tempos de incerteza econômica. Ao encerrar, reforçou o compromisso da classe com o país ao declarar que “o economista, nesse nosso mundo conturbado de hoje, tem uma tarefa extremamente importante, que é trazer opções de política econômica e conhecer bem os instrumentos que podem ser usados para promover o desenvolvimento social brasileiro”. 

A mesa de abertura pode ser assistida no player abaixo. 

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