75 anos da profissão de economista: um compromisso permanente com o Brasil 

No Dia do Economista, celebramos uma trajetória de contribuições ao desenvolvimento do País e renovamos a responsabilidade de pensar os desafios do presente e do futuro 

Quando a Lei 1.411, de 13 de agosto de 1951, regulamentou a profissão de economista e criou o Sistema Cofecon/Corecons, o Brasil vivia uma transformação acelerada. Junto à urbanização e industrialização, o País construía condições e instituições para sustentar seu desenvolvimento e enfrentar desafios relacionados à desigualdade e à organização de uma economia que crescia e se tornava cada vez mais complexa. Neste cenário, o trabalho dos economistas foi fundamental. 

Passados 75 anos, somos um país muito diferente. Nossa economia se diversificou, a indústria cresceu, o agronegócio ganhou novas dimensões, os serviços passaram a ocupar uma parcela cada vez maior da atividade econômica e ampliamos nossa participação no comércio internacional. Houve períodos de crescimento e crise, enfrentamos inflação elevada, construímos estabilidade monetária e incorporamos tecnologias que modificam profundamente a forma como produzimos, trabalhamos, consumimos e nos relacionamos. 

O campo de atuação dos economistas também se expandiu. Hoje, muitos profissionais trabalham com questões que sequer ocupavam o centro da agenda econômica algumas décadas atrás. Estamos diante da transição energética, das mudanças climáticas, da transformação digital, da inteligência artificial, das novas relações de trabalho, da economia dos dados e das mudanças na organização das cadeias produtivas globais. Ao mesmo tempo, persistem desafios como a desigualdade, a pobreza, a concentração de renda, as diferenças regionais, a necessidade de ampliar a produtividade e de construir um desenvolvimento que gere oportunidades e melhore as condições de vida da população.  

O trabalho dos economistas está muito presente na vida das pessoas. Por isso mesmo, a campanha de valorização profissional deste ano tem como tema “75 anos, 75 contribuições”. Ela teve início no mês de agosto, com publicações em redes sociais que avançarão pelos próximos meses, mostrando como os economistas e a ciência econômica impactam a sociedade. A capacidade de combinar conhecimento técnico e compreensão da realidade é uma das grandes forças da nossa profissão. 

Ao completarmos 75 anos de regulamentação da profissão, reafirmamos a necessidade permanente de estudar, questionar, comparar alternativas e buscar respostas diante de uma realidade que está sempre mudando. Precisamos buscar o crescimento econômico, mas discutir que tipo de crescimento queremos e a quem ele deve servir; aumentar a produtividade, mas distribuir melhor seus frutos; avançar na inovação e na transformação ecológica, sem deixar trabalhadores e regiões para trás; e construir uma transição energética que seja, ao mesmo tempo, economicamente viável e socialmente justa. 

Celebrar o Dia do Economista, especialmente neste marco de 75 anos, é reconhecer o legado construído por diferentes gerações, mas também olhar adiante. A economia muda, os desafios se renovam e a nossa profissão precisa acompanhar essas transformações sem perder de vista uma questão essencial: de que maneira o conhecimento econômico pode contribuir para construir um País mais desenvolvido, menos desigual e capaz de oferecer melhores oportunidades à sua população. 

Temos muito a celebrar, mas temos também muito a construir. E é justamente nessa combinação entre legado, responsabilidade e futuro que reside a relevância da nossa profissão. 

Tania Cristina Teixeira 
Presidenta do Cofecon 

Share this Post