Presidenta do Cofecon homenageia os 90 anos do IBGE em sessão solene na Câmara dos Deputados 

Em pronunciamento, Tania Cristina Teixeira destaca o papel estratégico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para a democracia, o planejamento econômico, o fortalecimento do pacto federativo e o desenvolvimento do Brasil 

Durante a sessão solene realizada em homenagem aos 90 anos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira (2), na Câmara dos Deputados, o presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) ressaltou a contribuição histórica da instituição para a produção de informações estatísticas e geográficas que orientam as políticas públicas, fortalecem a democracia e subsidiam o planejamento econômico nacional. Confira, a seguir, a íntegra do pronunciamento ou assista em vídeo clicando AQUI .

Excelentíssimo senhor presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta, proponente desta justa e oportuna homenagem; 

Excelentíssimos senhores deputados federais e senadoras da República; 

Senhor presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, professor Marcio Pochmann, economista e estimado colega; na pessoa de quem saúdo o corpo técnico e todos os servidores do IBGE que juntos sustentam a inteligência estatística e geográfica do nosso país; 

Estimados colegas conselheiros do Sistema Cofecon/Corecons, presidentes de Conselhos Regionais, profissionais da economia, gestores públicos e todos que nos acompanham nesta Casa de Leis e pelas transmissões oficiais; 

Boa tarde a todas e a todos. 

É com profundo senso de responsabilidade institucional que ocupo esta tribuna do Parlamento brasileiro. Estar no Plenário Ulysses Guimarães, o coração da nossa democracia representativa, para celebrar os 90 anos do IBGE, é um ato que transcende a mera solenidade festiva. Trata-se de uma afirmação de soberania e de compromisso com o futuro da nossa República. 

Ao unir a visão dos economistas e a precisão dos estatísticos e geógrafos sob a égide do Poder Legislativo, reafirmamos que o conhecimento técnico, o rigor científico e a cooperação institucional são os verdadeiros pilares do desenvolvimento nacional. 

O IBGE, como instituição do Estado, é pilar sim da democracia e do pacto federativo. 

Em 2026, o IBGE completa nove décadas de existência. São 90 anos dedicados à missão de decifrar o mapa social, geográfico e econômico da nossa nação. Falar do IBGE neste Parlamento exige reconhecer a grandeza de uma autêntica instituição de Estado. O IBGE pertence ao povo brasileiro e à sua história. 

Ao longo de quase um século, o Instituto consolidou um patrimônio público insubstituível. O IBGE produz algo que vai muito além de números e tabelas: ele entrega à sociedade a base de evidências que orienta as grandes decisões nacionais. 

Não há democracia forte sem dados confiáveis. A informação estatística oficial e pública garante a transparência e a igualdade de condições no debate político. Ela impede que a retórica vazia substitua a realidade dos fatos. O IBGE fornece o chão da verdade factual sobre o qual a nossa democracia se sustenta e se aperfeiçoa. 

Mais do que isso: o IBGE é um elemento vital para a sobrevivência do nosso pacto federativo. É através do mapeamento minucioso do território e da contagem precisa da população que se viabiliza a repartição justa de recursos públicos, como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e o Fundo de Participação dos Estados (FPE). Sem a precisão técnica do IBGE, a federação brasileira caminharia na cegueira distributiva, aprofundando desigualdades regionais em vez de combatê-las. 

Para nós, economistas, os produtos do IBGE são a matéria-prima diária do planejamento econômico. É impossível formular estratégias de desenvolvimento, calibrar políticas fiscais ou desenhar reformas estruturais sem o suporte analítico do Censo Demográfico, do Produto Interno Bruto (PIB), da inflação medida pelo IPCA e do mercado de trabalho retratado pela PNAD Contínua. O IBGE é o farol que ilumina a rota macroeconômica do Brasil. 

Por tudo isso, esta celebração na Câmara dos Deputados é o momento ideal para o Sistema Cofecon/Corecons reafirmar seu apoio à total autonomia do IBGE, bem como à valorização permanente de sua carreira de servidores. Garantir as condições de trabalho de seu corpo técnico é blindar o próprio Estado brasileiro contra o retrocesso e quanto a negacionismo em relação às ciências econômicas, a ciência de dados e a estatística. 

Essa visão de futuro e o respeito mútuo que unem a economia e a estatística oficial foram consolidados ao longo de uma caminhada histórica conjunta. O Conselho Federal de Economia orgulha-se de ter estado ao lado do IBGE em seus momentos de glória, mas também nos períodos em que o cenário nacional exigiu coragem para defender a integridade da produção de dados. 

O reconhecimento dos economistas à resiliência do IBGE materializou-se na concessão do Prêmio Destaque Econômico – na categoria Desempenho Técnico em diversas oportunidades, como nos anos de 2015, 2016, 2017, 2020 e 2021. 

Recordamos com orgulho o ano de 2021, quando o então presidente do Instituto, nosso colega economista Eduardo Rios Neto, recebeu essa premiação destacando o heroísmo dos servidores que, sob o manto severo da pandemia, colocaram de pé a PNAD Covid, respondendo com ciência e inovação técnica aos imensos desafios daquele tempo. 

Lembramos também o ano de 2023, quando o Cofecon veio a público e manifestou sua plena aprovação à indicação do economista Marcio Pochmann — nosso agraciado como Personalidade Econômica do Ano em 2007 — para assumir a presidência do Instituto, reforçando o compromisso com uma gestão técnica voltada às demandas do século XXI. 

A credibilidade do IBGE não é obra do acaso; é uma conquista diária alicerçada no rigor metodológico. Sua reputação é um patrimônio imaterial da sociedade brasileira. 

O Brasil precisa, hoje mais do que nunca, de informação qualificada para enfrentar suas complexidades econômicas e sociais. 

Em tempos de polarização acentuada e diante do desafio global da desinformação, o dado oficial produzido com rigor científico é o maior antídoto contra as narrativas falsas – as fake news. A ciência estatística é a verdade pública em defesa do cidadão. 

Aos 90 anos, o IBGE continua cumprindo a mesma missão nobre de sua fundação: ajudar o Brasil a conhecer a si mesmo para que possa governar a si mesmo e construir um futuro melhor. E enquanto este Parlamento e esta nação estiverem dispostos a planejar seu destino com base na ciência e nas evidências, o IBGE será sempre forte, respeitado e indispensável. 

O Sistema Cofecon/Corecons tem profundo orgulho de fazer parte desta história. 

Parabéns ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística pelos seus 90 anos de serviços prestados à República, parabéns aos seus funcionários, parabéns ao presidente do IBGE, professor Marcio Pochmann. 

Muito obrigada a todos. 

Tania Cristina Teixeira 
Presidenta do Conselho Federal de Economia 

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