Cofecon realizou capacitação sobre riscos psicossociais e atualização da NR-1
Atividade integra um conjunto de ações desenvolvidas pelo Cofecon diante da atualização da norma, que passará a vigorar no dia 26 de maio
O Conselho Federal de Economia realizou nesta quarta-feira (13/05) uma capacitação voltada aos gestores do Sistema Cofecon/Corecons com foco nos fatores de riscos psicossociais e nas determinações da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A atividade integrou o conjunto de ações promovidas pelo Cofecon diante da entrada em vigor da nova regulamentação, prevista para o próximo dia 26 de maio.
A capacitação foi ministrada pela psicóloga Suzana da Rosa Tolfo e promoveu reflexões sobre os impactos dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, abordando temas como estresse ocupacional, assédio, sobrecarga, adoecimento mental e os desafios institucionais relacionados à promoção de ambientes organizacionais mais saudáveis. Cerca de 60 pessoas participaram, entre presidentes e vice-presidentes de Corecons, conselheiros regionais e funcionários do Sistema Cofecon/Corecons.
“Esta é uma necessidade. Há uma norma que passa a vigorar neste mês e o Sistema Cofecon/Corecons precisa responder a isso”, expressou a presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira, ao dar as boas-vindas. “Estamos trabalhando numa resolução que será publicada para orientar o próprio Cofecon, e também numa cartilha. Hoje é um dia para dizer que vamos trabalhar muito, mas temos os instrumentos para isso”.
A coordenadora da Comissão de Trabalho, Valorização e Mercado Profissional do Economista, conselheira Lucia dos Santos Garcia, mencionou que a atualização da NR-1 pode ser vista a partir de duas óticas: “Primeiro, uma obrigação trabalhista: temos um marco legal ao qual vamos nos adaptar. Ao mesmo tempo, temos a perspectiva da conquista de uma melhor condição de trabalho”, comentou. “Esta nova redação nasce no contexto do digitalismo, que traz consigo a tendência de uma epidemia de doenças emocionais e sobrecarga dos trabalhadores”.
O conselheiro Paulo Hermance Paiva, coordenador do Grupo de Trabalho Ouvidoria: Prevenção de Assédio no Ambiente de Trabalho, disse que a atualização da norma “representa um avanço importante ao reconhecer que fatores como assédio, sobrecarga, pressão excessiva e ambientes organizacionais adoecedores não devem ser tratados como questões individuais isoladas, mas como temas que exigem prevenção e gestão adequada, além de responsabilidade institucional”.
Durante o encontro, foram discutidas as mudanças trazidas pela atualização da NR-1, sendo a principal delas a obrigatoriedade de inclusão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das organizações. A atividade também destacou riscos específicos, bem como a necessidade de construção de práticas preventivas. Também foram apresentados dados sobre os impactos do adoecimento mental no Brasil: em 2025, foram registrados mais de 546 mil afastamentos relacionados à saúde mental – segunda maior causa de afastamento do trabalho no país.
Outras atividades
A iniciativa faz parte de um contexto mais amplo de atuação do Cofecon relacionado à atualização da NR-1. Além da capacitação para gestores, o Conselho também tem promovido outras atividades relacionadas ao tema, no contexto da vigência da nova norma e do Mês do Trabalhador.
Nos dias 12 e 13 de maio foi realizada a oficina EAD “A economia como peça fundamental na saúde e segurança do trabalho”. A atividade, que teve mais de 200 inscritos, foi conduzida pela psicóloga Jackeline Sousa Pires e dirigida ao público geral, abordando as mudanças trazidas pela norma e as oportunidades de atuação dos economistas neste cenário.
Outra frente de atuação consiste em uma campanha de divulgação e conscientização nas redes sociais da autarquia. Ao longo do mês de maio vêm sendo publicadas peças informativas, conteúdos educativos e materiais de orientação voltados à atualização da NR-1 e aos impactos de sua vigência. A iniciativa busca ampliar o conhecimento do público sobre os fatores de riscos psicossociais e evidenciar que saúde e segurança do trabalho representam uma questão estratégica com impactos humanos, sociais, institucionais e econômicos relevantes.
O Cofecon também enviou um ofício aos Corecons contendo dados econômicos e sociais e informando a vigência da norma a partir de 26 de maio. Em 2025, foram registrados 546.254 afastamentos por problemas de saúde mental no Brasil (aumento de 15% em relação ao ano anterior), sendo 166.489 por transtornos de ansiedade; e 126.608 por depressão. Os transtornos mentais tornaram-se a segunda maior causa de afastamento (atrás apenas de problemas na coluna), com custo estimado ao INSS de R$ 3,5 bilhões. Estes dados também aparecem no artigo “O Brasil que cresce e adoece”, escrito pela conselheira federal Janine Alves e publicado na edição de março da revista Economistas (clique AQUI).
