Pedro Afonso Gomes comenta inadimplência entre empresas: “crise de crédito ampla”
Dado divulgado pela Bloomberg mostra que há 8,9 milhões de empresas inadimplentes no Brasil. Conselheiro federal e presidente do Sindecon-SP falaram ao portal O Brasilianista
Inadimplência entre empresas pode provocar crise de crédito no Brasil? Este foi o questionamento levantado por uma matéria publicada no portal O Brasilianista, e o conselheiro federal Pedro Afonso Gomes foi um dos especialistas ouvidos. De acordo com dados divulgados pela Bloomberg, há 8,9 milhões de empresas inadimplentes no Brasil.
“O número reflete uma crise de crédito ampla no Brasil, não apenas turbulência pontual por juros altos”, avalia o economista. Ele aponta também que os juros altos impactam o fluxo de caixa das empresas que precisam de capital de giro. “Empresas veem margens apertadas, com custo da dívida superando receitas em cenários de crescimento moderado”.
As micro e pequenas empresas são as mais vulneráveis neste cenário, porque dependem mais de crédito bancário tradicional e possuem menos reservas para enfrentar períodos prolongados de juros altos. “Grandes conglomerados têm acesso a garantias e diversificação, enquanto PMEs enfrentam seletividade extrema e garantias líquidas exigidas”, observou Gomes.
Com aumento da inadimplência, instituições financeiras tendem a elevar exigências e reduzir concessões de crédito. Entre os setores mais expostos aparecem varejo, construção civil, indústria e agronegócio. Gomes afirmou que muitas instituições acabam dificultando renegociações inicialmente, mas cedem diante da possibilidade de perdas maiores. Empresas com mais garantias conseguem melhores condições, enquanto pequenos negócios encontram mais barreiras.
Mesmo uma queda na taxa básica de juros não teria resultado imediato sobre este quadro. Gomes explica que o processo de transmissão pode levar pelo menos seis meses: “Os efeitos não são imediatos e, na maior parte das vezes, os juros não são reduzidos na mesma proporção que é reduzida a Taxa Selic”.
Quem também foi ouvido sobre o assunto foi o presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP), economista Carlos Eduardo Soares de Oliveira Junior. Ele citou que o período de juros baixos durante a pandemia de Covid-19 incentivou empresas a ampliarem dívidas, enquanto a alta recente da Selic encareceu a manutenção desses compromissos financeiros. O encarecimento da dívida reduz os recursos disponíveis para operação e investimento, além de dificultar a rolagem de passivos. Na prática, isso leva empresários a priorizarem despesas essenciais e adiarem planos de expansão.
Ele também argumentou que a queda dos juros leva algum tempo para ter um impacto real na economia. “A queda dos juros não se transmite de forma imediata, devido à defasagem da política monetária e à postura cautelosa das instituições financeiras”, pontuou Oliveira.
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