Pedro Garrido: “Pix fez uma revolução no sistema de pagamentos” 

Conselheiro regional e integrante do Conselho Editorial da Revista Economistas falou sobre a modalidade de pagamentos no programa Economia Direta, da TV Câmara 

“O pix fez uma revolução no sistema de pagamentos”. Esta foi a análise do economista Pedro Garrido da Costa Lima, conselheiro do Corecon-DF e integrante do Conselho Editorial da Revista Economistas, ao falar sobre a modalidade de pagamentos ao programa Economia Direta, da TV Câmara, que foi ao ar no dia 22 de abril. Ele foi convidado a falar sobre a ferramenta e a investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos. 

“Talvez a preocupação do governo dos Estados Unidos seja reflexo do sucesso que é o pix aqui no Brasil. Ele foi uma iniciativa governamental, feita pelo Banco Central, que fez uma revolução no sistema de pagamentos, porque possibilitou a muita gente fosse incluída”, aponta Garrido, referindo-se à ferramenta que já é utilizada em mais de 50% das transações comerciais no Brasil, segundo dados do Banco Central. “O pix reduziu custos para pequenos e médios estabelecimentos, já que em pequenas transações não há custo, e aumentou a eficiência do nosso sistema de pagamentos como um todo”. 

De acordo com o governo dos Estados Unidos, o pix prejudica as empresas de cartões e outras soluções de pagamentos (como o próprio WhatsApp). “Acredito que não seja um problema. Ninguém foi impedido de participar, então esta seria uma acusação infundada por parte dos EUA. E eles têm tido uma postura bastante agressiva para fazer valer seus interesses econômicos pelo mundo”, menciona Garrido. “A investigação que está ocorrendo sobre o pix usa uma legislação chamada Seção 301 (da Lei de Comércio dos EUA, de 1974). Há uma investigação aberta contra o Brasil contra o pix, etanol e até a pirataria (a Rua 25 de Março é um dos alvos)”. 

Garrido menciona que, do ponto de vista da concorrência, as bandeiras de cartão continuam atuando no Brasil. “Elas perderam espaço para uma solução estatal e que facilitou as transações. Empresas que não tinham qualquer incentivo para aumentar sua participação no mercado hoje veem ela ser reduzida”, comenta o economista. “A Seção 301 é complicada do ponto de vista das regras do comércio internacional: de maneira unilateral, os Estados Unidos atacam ou pretendem modificar práticas de outros países sem passar por mecanismos multilaterais que já existem”. 

O conselheiro regional também destacou o caráter inclusivo da ferramenta. “A inclusão foi um fator central. Trouxe consumidores para as transações. Um comércio oferece pagamento via pix, substituindo o cartão e sem pagar a taxa que ele pagaria. O empresário tem custos menores. O pipoqueiro, que antes só aceitava dinheiro, agora só precisa de um código QR para receber pix”, observou. “O consumidor também consegue realizar transações de forma facilitada: Documento de Ordem de Crédito (DOC) e Transferência Eletrônica Disponível (TED) ainda existem, mas são cada vez menos usados porque o pix substituiu gratuitamente ferramentas que antes eram cobradas”. 

Após as críticas dos Estados Unidos, o presidente Colombiano Gustavo Petro afirmou que gostaria de ter o sistema na Colômbia. O assunto também já foi discutido no BRICS. “O bloco usaria um sistema de pagamentos próprio, similar ao pix”, comentou Garrido. “São formas de sair desta concentração de bandeiras, instituições financeiras e ‘big techs’ americanas e ter sistemas mais ágeis e eficientes. O pix e outros sistemas podem ser mais eficientes e reduzir custos para a economia”. 

A participação completa do conselheiro regional Pedro Garrido no Economia Direta pode ser assistida clicando AQUI 

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