Pedro Afonso Gomes comenta uso do FGTS para pagar dívidas
Proposta vem sido discutida pelo governo para reduzir o nível de endividamento da população. Para o conselheiro federal, sem educação financeira, iniciativa não impede que famílias voltem a se endividar
Para tentar conter o nível de endividamento da população, o governo federal tem avaliado medidas que podem aliviar este quadro. Uma delas seria a liberação de até R$ 17 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para ajudar trabalhadores a quitar dívidas – uma proposta que pode beneficiar mais de 10 milhões de pessoas e faz parte de um pacote de medidas.
O conselheiro federal Pedro Afonso Gomes falou sobre o assunto ao portal G1. Na visão do economista, a proposta pode ajudar a reduzir a inadimplência, mas não representa a melhor solução. “Sem medidas que promovam melhor educação financeira dos trabalhadores e da população em geral, iniciativas para facilitar a quitação de dívidas anteriores não impedem que o indivíduo e sua família voltem a se endividar, recaindo na mesma ciranda de sempre”, afirmou Gomes.
O conselheiro federal também chama a atenção para o fato de que um aumento no volume de saques pode reduzir o financiamento a setores estratégicos. “Se houver saques relevantes, diminui o volume de recursos disponíveis para crédito imobiliário e projetos de infraestrutura, que são funções centrais do FGTS. Nesse cenário, os empregos tendem a cair e o trabalhador, sem renda ou com renda menor, pode voltar a se endividar”, analisa Gomes.
Quem também foi ouvido pelo portal G1 foi o conselheiro regional Carlos Eduardo Soares de Oliveira Junior, do Corecon-SP – e integrante da Comissão de Política Econômica do Cofecon. Para ele, a medida pode aliviar o orçamento das famílias. “Sob a ótica econômica, a substituição de passivos com taxas de juros elevadas por recursos do FGTS tende a melhorar o fluxo de caixa das famílias e a reduzir os níveis de inadimplência”, ponderou Oliveira.
“A redução do endividamento e da inadimplência contribui para melhorar o equilíbrio financeiro das famílias e pode gerar estímulos pontuais ao consumo, com efeitos limitados sobre o PIB”, prossegue o economista. “No entanto, trata-se mais de um mecanismo de suavização dos impactos econômicos do ciclo atual do que de uma medida capaz de promover, por si só, uma aceleração significativa e sustentada do crescimento econômico”.
A matéria publicada pelo portal G1 pode ser lida clicando AQUI
