Posse do Cofecon e do Corecon-DF reúne ministros e lideranças do pensamento econômico nacional
Cerimônia contou com entrega de prêmios a Aloizio Mercadante (BNDES) e Luciana Servo (IPEA) e presença de José Mucio Monteiro (Defesa), Jorge Messias (AGU), Marcio Pochmann (IBGE) e Andrei Rodrigues (PF)
Durante a solenidade de posse da nova presidência e conselheiros do Cofecon e do Corecon-DF, realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal no dia 6 de fevereiro, a mesa de honra foi composta por lideranças de importantes órgãos nacionais. A presença de Marcio Pochmann (IBGE), Aloizio Mercadante (BNDES), Luciana Servo (IPEA) e Andrei Rodrigues (Polícia Federal) e dos ministros José Mucio Monteiro (Defesa) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) conferiu à cerimônia um caráter de ampla representatividade institucional e diálogo entre diferentes esferas do Estado brasileiro. Confira AQUI as fotos do evento.
Fraternidade política, respeito e serviço ao país: a homenagem de José Mucio a Aloizio Mercadante
O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, falou sobre um ambiente político no qual havia grandes nomes que tinham como interesse servir ao País. “Ninguém pensava em si. Tínhamos os melhores advogados, os melhores professores, os melhores médicos, os melhores engenheiros. Aloizio Mercadante era uma dessas referências: novo, inteligente, brilhante. Tinha algumas posições radicais, mas sempre foi limpo, probo, sério. Se prestássemos atenção numa conversa com ele, saíamos melhores”, afirmou. “Poderíamos discordar, mas havia fraternidade. Exercíamos a democracia na sua plenitude. Ele era do PT, eu era vice-líder da oposição ao governo que ele defendia. Um dia o presidente Lula me chamou e disse: eu queria que você viesse ser líder do meu governo. Eu respondi: presidente, o senhor deve estar cometendo um equívoco, que eu não sou do seu lado. Ele disse: o meu lado eu já tenho, quero que você traga o seu”.
Dirigindo-se a Mercadante, o ministro afirmou: “Aprendi muito com você e não lhe dizia. Ouvi seus conselhos, vi sua forma dura de fazer política quando tinha que defender seus pontos de vista, mas sempre respeitando os adversários e as pessoas. Hoje o Cofecon faz uma homenagem a um grande economista, um homem que ensinou a muitos políticos e hoje é feliz e sorridente porque exerce a economia, que ele escolheu como profissão, na plenitude da sensibilidade que ele tem, por ter aprendido a entender os males do nosso país”.
A fala do ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, pode ser assistida no player abaixo.
Jorge Messias: “Existem dois Brasis, um real e um oficial”
O ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, transmitiu palavras de apreço a várias das pessoas presentes à solenidade – e, em especial, ao ganhador do prêmio Personalidade Econômica do Ano, Aloizio Mercadante. “Não poderia ter vindo em tão boa hora esta premiação ao meu amigo, mestre, professor Aloizio Mercadante, porque com ele, na vida pública, aprendi o que é ser um homem íntegro, ético, um servidor público exemplar, uma pessoa que não mede esforços para dar o melhor de si para o País”, mencionou. “Gosto de citar uma frase de Machado de Assis que vai sintetizar o que penso deste momento. Ele falava que existem dois Brasis, um real e um oficial. O oficial é caricato e burlesco. O real é bom e revela os melhores instintos. Você está aqui hoje recebendo um prêmio do Conselho Federal de Economia porque é um economista do Brasil real”.
A fala do ministro Jorge Messias pode ser assistida no player abaixo.
Marcio Pochmann: “Próximos 25 anos são decisivos para o Brasil”
Em sua fala, o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann, destacou a importância da instituição. “O IBGE, em 2026, completará 90 anos de existência. É uma instância fundamental do sistema estatístico brasileiro, que possui 155 anos de história. E praticamente dois terços do que temos de registro oficial no Brasil pertencem a esta Casa”, mencionou Pochmann. Ele também mencionou a recuperação do orçamento do Instituto nos últimos dois anos. “É o que nos está permitindo, inclusive, realizar, além das pesquisas conjunturais – que são de segurança nacional para o País – avançar em outras perspectivas que até então pouco conhecemos, como a questão dos brasileiros que vivem em situação de rua”, comentou.
“Os institutos nacionais estatísticos são instituições constituídas na era industrial. E nós estamos vivendo outro momento, que inclusive coloca em questão a soberania nacional, já que hoje o Brasil tem quase 80% dos seus dados processados por empresas estrangeiras. E parte destas empresas estão sediadas num país que impõe a elas a abertura dessas informações”, pontuou o economista. Ele mencionou também que “os próximos 25 anos são decisivos para o Brasil, tendo em vista que estamos vivendo uma transformação demográfica. Nunca dependemos tanto dos pobres como passamos a depender nos dias de hoje em diante, tendo em vista que os 50% da população que não são pobres praticamente não têm mais filhos e temos dois idosos para um ativo, enquanto na população dos mais pobres temos um idoso para quatro ativos”, observou. “A classe trabalhadora do ano 2050 já nasceu e 80% deles nasceram em famílias pobres, que dependem quase que exclusivamente da existência de uma boa escola, um bom hospital, um bom sistema de transporte. Os ricos podem contar com o setor privado, mas para os pobres o setor público continua sendo essencial”.
A fala de Pochmann pode ser assistida no player abaixo.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, precisou ausentar-se antes de realizar seu pronunciamento.
Luciana Servo e Aloizio Mercadante premiados
A presidenta do IPEA, Luciana Servo, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, falaram ao receber as respectivas premiações – eles foram contemplados com os prêmios Mulher Economista do Ano e Personalidade Econômica do Ano, respectivamente.
Mercadante trouxe uma reflexão sobre o momento econômico e geopolítico, apontando para uma ruptura da ordem econômica internacional e erosão dos organismos multilaterais. Também caracterizou o momento como de declínio do Ocidente e ascensão da Ásia. “Esses 40 anos de neoliberalismo e insistência na ortodoxia neoliberal levaram o Ocidente a esta situação. A União Europeia e os Estados Unidos buscam respostas para repensar o lugar do Estado e reagir à perda de relevância econômica, tecnológica e de inovação”, apontou. Ele também observou que o Brasil precisa de investimentos estruturantes e mais competitividade na indústria. “Não podemos nos acomodar com o mercado de consumo de massa como vetor. É o investimento que dá o crescimento sustentado de longo prazo e que alavanca a modernização da economia”. Ao final, dedicou o prêmio ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. A matéria com a fala de Mercadante pode ser lida clicando AQUI.
Luciana Servo fez uma referência às ganhadoras anteriores do prêmio Mulher Economista do Ano e citou mulheres importantes em sua trajetória, homenageando também a presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira, e a presidenta do Corecon-DF, Luciana Acioly. A matéria completa com sua fala pode ser acessada clicando AQUI.
