Prêmio Mulher Economista 2025 reconhece a liderança e a contribuição pública de Luciana Servo 

Presidenta do Ipea homenageia vencedoras anteriores e conta sua própria história: “Queremos que as mulheres possam estar onde quiserem” 

A economista Luciana Servo recebeu do Cofecon nesta sexta-feira (6) o prêmio Mulher Economista de 2025. A honraria foi entregue em solenidade realizada pelo Sistema Cofecon/Corecons na Câmara Legislativa do Distrito Federal, na qual foram empossadas as presidências e os novos conselheiros do Cofecon e do Corecon/DF. 

A economista prestou uma homenagem às mulheres que receberam o prêmio antes dela. “Para mim, este prêmio é, antes de tudo, uma honra, porque sigo uma linha de mulheres economistas que admiro imensamente: Denise Gentil, a professora e ministra Esther Dweck, a professora Tania Bacelar, a presidenta Dilma Rousseff e a nossa grandiosa Maria da Conceição Tavares”, afirmou Luciana Servo, entre aplausos, com emoção na voz. “Elas alinharam não só um grande rigor intelectual, mas um compromisso público imenso, compromisso com o modelo de desenvolvimento que ainda está em construção, mas pelo qual lutaram diariamente”. 

A presidenta do IPEA elogiou as presidentas do Cofecon e do Corecon-DF, Tania Teixeira e Luciana Acioly, e a conselheira regional Valquíria Aparecida Assis. “Vocês são referência em tudo o que faço, são exemplos”, afirmou Luciana Servo, citando em seguida o nome de outras mulheres importantes em sua trajetória: “Preciso destacar Sueli Carneiro, do Instituto Geledés, Cida Bento, Lélia Gonzalez, a Lúcia Xavier”. Ela também fez referência a dois economistas homens: Marcelo Paixão e Mário Teodoro. “Eles colocaram a questão da equidade racial no centro do debate. Transformaram por dentro a visão de que a economia tinha uma neutralidade em relação à questão racial. Então, essas pessoas abrem o caminho, elas permitem que eu esteja aqui hoje assumindo em 2023 a presidência do IPEA como mulher negra, num governo que claramente tem um compromisso em colocar a justiça social no centro do debate”. 

Luciana contou também uma história pessoal. “Eu tinha quatro ou cinco anos, acho que meus pais não lembram disso. Eu estudava na escola particular e eu e meus irmãos provavelmente éramos as únicas pessoas de cor diferente naquela escola e eu queria ser a princesa de uma peça. E aí me gritaram: você não pode, não existe princesa negra”, recordou Luciana – cujos pais estavam presentes no auditório. “Meus pais me chamaram para conversar e disseram: ser negra é a sua força, é a sua identidade, a sua forma de estar no mundo. E ser negra e ser mulher numa família de quatro homens é ser o que você quiser e estar onde você quiser. E isso é o que queremos para todas as mulheres deste país: que possam estar onde quiserem, sem serem vítimas de feminicídio. E que a economia feminista, a economia racial siga com seu compromisso de introduzir esses temas no debate público”. 

Confira AQUI as fotos do evento.

A entrega pode ser assistida no player abaixo. 

Luciana Servo é graduada em Ciências Econômicas pela Universidade de Brasília (UnB), com mestrado pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e doutorado pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar/UFMG). Atua como técnica de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e assumiu em 2023 a presidência da instituição.  

A escolha do nome da economista Luciana Servo se deu em quatro fases. Inicialmente houve a indicação de nomes de mulheres economistas pelos conselheiros federais, Conselhos Regionais de Economia e Comissão Mulher Economista e Diversidade. Em votação secreta, o Plenário do Cofecon formou lista décupla, a partir da qual os Corecons, por meio de seus plenários, formaram lista tríplice. Entre os três nomes mais votados, a economista foi eleita a Mulher Economista do Ano, em votação realizada na 748 Sessão Plenária do Cofecon.  

A premiação tem a finalidade de reconhecer e valorizar mulheres que desempenham funções estratégicos na economia, tanto no campo teórico quanto aplicado, e que, com seu conhecimento e atuação, contribuam para promover o desenvolvimento econômico com justiça social.  

Vencedoras anteriores 

A economista Luciana Servo se une a um seleto grupo de mulheres que tiveram suas trajetórias reconhecidas com o prêmio Mulher Economista, que é entregue pelo Cofecon desde o ano de 2020. São elas: 

2024 – Maria da Conceição Tavares (In Memoriam)  

2023 – Dilma Rousseff  

2022 – Tania Bacelar  

2021 – Esther Dweck  

2020 – Denise Lobato Gentil 

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