Tania Teixeira reafirma papel das instituições e dos economistas no desenvolvimento do Brasil
Reconduzida à presidência do Cofecon, ela destacou o momento econômico vivido pelo País e a importância da profissão no debate público e na construção de políticas baseadas em evidências
Reconduzida ao cargo na última sexta-feira (6), a presidenta do Conselho Federal de Economia, Tania Cristina Teixeira fez uma defesa enfática do papel das instituições públicas, da democracia e da ciência econômica como pilares do desenvolvimento nacional. A fala da presidenta, numa solenidade que reuniu ministros de Estado, dirigentes de instituições estratégicas e autoridades, foi marcada por uma análise abrangente do cenário econômico brasileiro e por um chamado à responsabilidade pública dos economistas.
“A presença de dirigentes de instituições como o BNDES, o Ipea e o IBGE, de ministros de Estado, parlamentares e autoridades do governo local confere a este momento um significado político, institucional e simbólico ainda mais forte, não apenas para o Sistema Cofecon/Corecons, mas para toda a economia brasileira e também para o futuro do Brasil”, afirmou Tania Teixeira. “Não há desenvolvimento possível sem instituições fortes, sem diálogo democrático qualificado e sem políticas públicas fundamentadas em evidências e em compromisso com o interesse coletivo. A economia não é neutra, e as escolhas econômicas têm consequências sociais, regionais e geracionais”, declarou.
Durante o discurso, a presidenta apresentou indicadores recentes da economia brasileira como evidência de um novo ciclo de crescimento. Segundo ela, o desempenho de 2024 demonstrou a retomada do papel do Estado como agente de coordenação do desenvolvimento. Ao tratar do mercado de trabalho, Tania destacou os resultados históricos alcançados em 2025. “O Brasil registrou a menor taxa média de desemprego da série histórica, de 5,6%, com mais de 103 milhões de brasileiros e brasileiras ocupados, representando crescimento real da renda do trabalho e expansão da massa salarial”, afirmou.
No campo social, a presidenta enfatizou a redução da desigualdade como resultado de políticas articuladas. “Em 2024, o país alcançou o menor nível de desigualdade de renda desde 2012, com o Índice de Gini caindo para 0,50, ao mesmo tempo em que o rendimento domiciliar per capita atingiu o maior patamar da série histórica. Esses dados comprovam que crescimento econômico, geração de emprego e renda e políticas sociais não são dimensões opostas, mas complementares”, pontuou Tania.
Ao abordar os desafios fiscais, a presidenta reconheceu as limitações impostas pela dívida interna e pelos juros elevados, mas alertou para os riscos da compressão de investimentos estruturantes. “Investimentos em educação, saúde, transporte, estrutura urbana e tecnologia não podem ser adiados, porque são determinantes do futuro da nação”, afirmou.
Ela também reafirmou a importância dos economistas na sociedade e o compromisso institucional do Sistema Cofecon/Corecons com a democracia e o desenvolvimento inclusivo. “A sociedade precisa de análise técnica, de responsabilidade pública e compromisso com a verdade dos dados. Nós temos que combater as fake news, inclusive na nossa área de conhecimento, que é a ciência econômica”, disse a presidenta. “O sistema Cofecon/Corecons não pode ser neutro diante dos desafios do país. Tem o dever de atuar como referência pública em defesa da ciência econômica, da democracia e de um projeto de desenvolvimento que coloque as pessoas no centro. Reafirmo o compromisso de conduzir essa gestão com rigor técnico, autonomia institucional, diálogo permanente e profundo senso de responsabilidade pública”, observou Tania. E finalizou citando Guimarães Rosa: “O que a vida quer da gente é coragem”.
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A fala da presidenta pode ser assistida no player a seguir, ou lida na íntegra logo abaixo.
Saúdo a todos os integrantes dessa qualificada mesa de honra, a quem agradeço de forma muito especial pela presença na condição de representantes de instituições estratégicas para a formulação de políticas públicas, defensores do desenvolvimento econômico e do fortalecimento à democracia no Brasil. A presença de dirigentes de instituições como BNDES, o IPEA e o IBGE, de ministros de Estado, parlamentares e autoridades do governo local, confere a este momento um significado político, institucional e simbólico ainda mais forte, não apenas para o sistema Cofecon/Corecons, mas para toda a economia brasileira e também para o futuro do Brasil.
Nosso país é marcado por desafios estruturais profundos, mas também por avanços recentes que não podem ser ignorados. Neste cenário, podemos afirmar que não há desenvolvimento possível sem instituições fortes, sem diálogo democrático qualificado e sem políticas públicas fundamentadas em evidências e em compromisso com o interesse coletivo. A economia não é neutra e as escolhas econômicas têm consequências sociais, regionais e geracionais, razão pela qual o debate econômico não pode ser reduzido a simplificações, nem apropriado para discussões fáceis e casuais.
O Brasil vive um ciclo recente com resultados econômicos concretos, que exigem análise séria e rigorosa. Em 2024, o produto interno bruto cresceu 3,4%, o maior desempenho desde 2021. Este crescimento não ocorreu por acaso. Foi sustentado por um mercado de trabalho mais dinâmico, pela expansão da renda e por políticas públicas que recolocaram o Estado como agente de coordenação do desenvolvimento. Os serviços avançaram 3,7% e a indústria 3,3, com destaque para a indústria de transformação e a construção civil, atividades com elevado efeito multiplicador sobre o emprego, sobre a renda e sobre os investimentos. A agropecuária, por sua vez, enfrentou retração, impactada por eventos climáticos extremos, um dado que não pode ser tratado como meramente conjuntural. Ao contrário, esse desempenho reforça, de forma inequívoca, que a agenda climática, a transição energética e a sustentabilidade ambiental são dimensões estratégicas do desenvolvimento nacional e que não há projeto de país viável em um contexto de emergência climática, sem planejamento, sem investimento, sem ciência e sem políticas de longo prazo.
No mercado de trabalho, os resultados foram ainda mais expressivos. Em 2025, o Brasil registrou a menor taxa média de desemprego da sede histórica de 5,6%, com mais de 103 milhões de brasileiros e brasileiras ocupados, representando um crescimento real da renda do trabalho e expansão da massa salarial. Esses resultados não são acidentais, mas decorrem de uma dinâmica econômica que voltou a colocar o trabalho no centro do desenvolvimento, fortalecendo o consumo, arrecadação e buscando a coesão social.
No ponto de vista social, os avanços são incontestáveis. Em 2024, o país alcançou o menor nível de desigualdade de renda desde 2012, com o Índice de Gini caindo para 0,50, ao mesmo tempo em que o rendimento domiciliar per capita atingiu o maior patamar da série histórica. Estes dados comprovam, com evidências, que crescimento econômico, geração de emprego e renda e políticas sociais bem delineadas não são dimensões opostas, mas complementares.
No setor externo, o Brasil registrou em 2024 um superavit comercial de 74,6 bilhões de dólares, o segundo maior da série histórica, com destaque para o desempenho recorde das exportações da indústria de transformação, indicando ganhos de competitividade e maior diversificação da pauta exportadora. No entanto, a inserção internacional do país não pode ser passiva. Ela deve ser associada a uma estratégia consistente de política industrial, inovação, tecnologia, investimento em ciência e tecnologia e uma visão soberana de desenvolvimento. Esse é um compromisso que nós temos como economistas e como membros do Conselho Federal de Economia e do Sistema Cofecon/Corecons. E afirmamos a importância de uma visão soberana de desenvolvimento e de país.
Ao mesmo tempo, é imperativo enfrentar com seriedade e coragem os desafios postos, por exemplo, como o crescimento da dívida interna. Verifica-se que no encerramento do exercício de 2025, esta dívida correspondeu a 8,6 trilhões, num contexto de taxas de juros elevadas, o que impõe restrições ao investimento, à capacidade do Estado de planejar o futuro e à retomada de um crescimento efetivo e de longo prazo. Reafirmamos também que esse governo atual mantém sua responsabilidade fiscal, seguindo o dever institucional, mesmo com todos os percalços e os grandes desafios. No entanto, achamos ser necessário dizer que investimentos em educação, saúde, transporte, estrutura urbana, tecnologia, não são investimentos que podem ser deixados por futuros, porque eles são determinantes do futuro da nação.
Afirmamos que, neste contexto complexo, marcado por avanços, limites e escolhas estratégicas, o papel dos economistas se torna ainda mais central em um ano eleitoral, caracterizado pela polarização, desinformação e, muitas vezes, soluções aparentemente simples para problemas complexos, a sociedade precisa, sim, de análise técnica, de responsabilidade pública e compromisso com a verdade dos dados e com a verdade de fato. Nós temos que combater as fake news, inclusive na nossa área de conhecimento, que é a ciência econômica. Para isso, os economistas estão aí. Eles têm um conselho de ética e todos nós sabemos da importância de estarmos atentos a essa questão, principalmente no momento em que há disputas políticas, mas a sociedade não pode ser usada e nem os economistas podem ser usados a despeito do interesse comum dessa nação.
Assumo mais uma vez a presidência do Conselho Federal de Economia com plena consciência da responsabilidade institucional que esse cargo impõe. O sistema Cofecon/Corecons não pode ser neutro diante dos desafios do país e tem o dever de atuar como referência pública em defesa da ciência econômica, da democracia, de um projeto de desenvolvimento que tem as pessoas e a sociedade civil no centro, combinando crescimento sustentável, inclusão social, responsabilidade e justiça social e reforço à cidadania. Nós não podemos abrir mão disso, porque a garantia de que os estudantes de economia e os jovens de hoje terão de viver numa sociedade democrática, justa e cidadã, faz parte das decisões que nós tomamos hoje, no presente.
É nesse sentido que reafirmo o compromisso de conduzir essa gestão com rigor técnico, autonomia institucional, diálogo permanente e profundo senso de responsabilidade pública. E gostaria de encerrar esse breve discurso citando o escritor mineiro Guimarães Rosa: “A vida é assim, esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que a vida quer da gente é coragem”. Obrigada, senhores e senhores.
