Ana Cláudia Arruda debate entraves ao desenvolvimento do Nordeste 

Conselheira federal destaca desigualdades históricas, papel do financiamento e alerta para a necessidade de mudanças estruturais no modelo de desenvolvimento regional 

A conselheira federal Ana Cláudia Arruda participou nesta terça-feira (03) do programa Debate da Super Manhã, que vai ao ar pela Rádio Jornal, de Recife. O tema foram os entraves ao desenvolvimento do Nordeste, como a concentração de renda e as desigualdades. 

A conselheira trouxe alguns números. “Temos 27% da população brasileira e 14% do PIB. Além disso, 48% da população em estado de pobreza crônica e 55% da população em pobreza habitam a região Nordeste”, apontou a economista. “Em 1960, o PIB per capita do Nordeste correspondia a 25% do Sudeste Em 2000, era 35%. Em 2022, 40%. Neste ritmo de crescimento, o Nordeste levará 70 anos para atingir 80% da renda do Sudeste”. 

Ela avalia que a região continua frágil em termos de estrutura econômica e inserção social das suas populações. “Temos que saber o que está acontecendo e por que não conseguimos reverter estes indicadores. Não basta operar da forma que operamos nos últimos 25 anos”, avaliou Ana Cláudia. 

A conselheira também mencionou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi um parceiro importante da região nordeste no início da década de 2000. “Neste momento a reversão do processo de subdesenvolvimento teve um papel central do BNDES, junto a instrumentos de financiamento como o Fundo do Nordeste”, apontou. 

Ana Cláudia também citou uma frase de Celso Furtado. O célebre economista paraibano afirmava que o subdesenvolvimento é condição de atraso de difícil reversibilidade. É uma consequência do capitalismo, e não uma etapa de desenvolvimento. É uma deformação do capitalismo que se retroalimenta cumulativamente, e de forma ampliada, possuindo três características marcantes: persistência, cumulatividade e irreversibilidade, caso não ocorram forças de enfrentamento e intervenções poderosas. 

“Tivemos essas intervenções poderosas, mas elas se esvaíram a partir de 2019. Agora estamos tentando retomar este processo”, mencionou a economista. “Temos setores dinâmicos, mas precisamos adensar as cadeias produtivas para criar os chamados efeitos de encadeamento. Do contrário, não vamos reverter esses indicadores”.  

A conselheira federal também citou um relatório de 2024 acerca das aplicações do Fundo do Nordeste. “Há uma grande concentração em atividades rurais e infraestrutura, que poderiam ter outra fonte de financiamento, como o BNDES. Mas a indústria, que é uma atividade transformadora, capaz de gerar empregos de qualidade, teve apenas R$ 2,7 bilhões do total de R$ 44 bilhões desembolsados”, mencionou Ana Cláudia. “Isso tem que ser revisto. Será que é a estratégia correta?”, questionou. 

Também participaram do debate o ex-senador Armando Monteiro e o superintendente da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, Francisco Alexandre. O programa pode ser assistido clicando AQUI.

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