Centro Internacional Celso Furtado comemora 20 anos com lançamento de livro
Delegação do Sistema Cofecon/Corecons, liderada pela presidenta Tania Teixeira, prestigiou o evento realizado no dia 27/11, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados
O salão nobre da Câmara dos Deputados recebeu nesta quinta-feira (27) a comemoração dos 20 anos do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef) e o lançamento do livro comemorativo “Intérpretes do Desenvolvimento”, organizado pela viúva do economista paraibano, Rosa Freire d’Aguiar. O Sistema Cofecon/Corecons esteve presente com a presidenta Tania Cristina Teixeira, a conselheira federal Teresinha de Jesus Ferreira da Silva e a conselheira do Corecon-MG Beatriz Barros.
“Celso Furtado é um dos pilares do pensamento econômico brasileiro, alguém que nos ensinou a olhar para o país com profundidade histórica e com o compromisso ético de reduzir as desigualdades”, destacou a presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira. “Ele compreendeu, antes de muitos, que a desigualdade não era um acidente do processo econômico, mas um entrave ao próprio desenvolvimento, e nos deixou um projeto de nação ancorado na ideia de que o desenvolvimento implica não apenas no crescimento econômico, mas também na transformação estrutural, distribuição de renda e ampliação das capacidades humanas”.
O evento teve a presença da ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, economista Esther Dweck. “A interpretação de Celso Furtado sobre o Brasil fez com que pudéssemos avançar muito e mudar a realidade de quando ele estudou a formação brasileira”, afirmou Dweck. Ela também elogiou a atuação do Centro: “Persistir na complexidade, na historicidade e na análise da estrutura de poder é um serviço ao Brasil”.
Centro Internacional Celso Furtado
A criação do Centro Internacional Celso Furtado foi sugerida em meados de 2004 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Considero muito feliz a ideia de Vossa Excelência de criação de um Centro Internacional voltado para o estudo dos problemas do subdesenvolvimento. Economias desenvolvidas e subdesenvolvidas requerem tratamentos distintos”, respondeu Furtado, por e-mail. O economista faleceu em 20 de novembro daquele mesmo ano.
A fundação do Cicef ocorreu em 22 de novembro de 2005. A viúva do economista, Rosa Freire d’Aguiar, comprometeu-se a doar ao Centro os arquivos e a biblioteca, devidamente catalogados, e ressaltou que não gostaria que se tornassem arquivos mortos, mas que constituíssem um centro de memória vivo. “Neste primeiro momento cabia ao Centro, conforme sua missão de preservação da memória de seu patrono, a organização de sua biblioteca”, conta o diretor-presidente da instituição, Carlos Pinkusfeld Bastos, no prefácio do livro Intérpretes do Desenvolvimento.
Uma iniciativa marcante recordada por Pinkusfeld foi a iniciativa conjunta com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de realizar cursos sobre macroeconomia e desenvolvimento, com duração de cinco dias. “Primeiro, aulas de macroeconomia a cargo de pesquisadores do Ipea, e depois, aulas de desenvolvimento a cargo do Cicef, encerrando com uma palestra proferida por um convidado especial”.
Em novembro de 2008 o Centro realizou um seminário internacional com o tema “Perspectivas do Desenvolvimento para o Século XXI”. O evento contou com participantes de vários países e teve sessões tratando do desenvolvimento da China, Rússia e Índia – países que, no ano seguinte, realizariam a primeira cúpula do bloco atualmente conhecido como BRICS. Posteriormente, o Cicef realizou seis congressos – o próximo está marcado para os dias 3 a 6 de agosto de 2026, em João Pessoa. Além disso, uma série de publicações de grandes pensadores do desenvolvimento inclui, além do próprio Celso Furtado, autores nacionais e internacionais – e várias delas estão disponíveis na íntegra no site da instituição.
O reconhecimento do Cicef como Instituição de Ciência e Tecnologia (ICT) permitiu que o Centro recebesse bolsistas de pesquisa. Além disso, em julho de 2025 foi inaugurado um estúdio audiovisual próprio, cuja estrutura foi adquirida com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Os vídeos produzidos estão disponíveis no canal TV Cicef, no YouTube.
“Não é exagero refletir que a missão do Cicef hoje é ainda maior do que aquela inicialmente pensada pelo presidente Lula. O início do Século XXI trouxe elementos que qualificam essa missão, tais como a emergência climática, as novas tecnologias digitais, a chamada transição demográfica e a renovação/exacerbação de tensões geopolíticas”, afirma Pinkusfeld. “Se muito conseguimos nos nossos primeiros 20 anos, resistindo às turbulências da conjuntura política, muito mais temos que fazer no futuro”.
Intérpretes do Desenvolvimento
O livro Intérpretes do Desenvolvimento, organizado por Rosa Freire d’Aguiar, reúne um conjunto de entrevistas publicadas com diversos pensadores do tema publicadas nos Cadernos do Desenvolvimento, revista científica do Cicef. A obra é publicada pela Hucitec editora, com apoio do Centro Internacional Celso Furtado e da FAPERJ.
Além de um texto sobre o próprio Celso Furtado, o rol de entrevistados inclui Luiz Gonzaga Belluzo, Luciano Coutinho, Bertha Becker, Rubens Ricupero, Ignacy Sachs, Cristovam Buarque, Sérgio Xavier Ferolla, Wilson Cano, José Antonio Ocampo, Antônio Dias Leite, Pierre Salama, Roberto Saturnino Braga, Joubert de Oliveira Brízida, Celso Amorim, José Mujica, Theotonio dos Santos, Clélio Campolina Diniz, Maria da Conceição Tavares, Tania Bacelar e Rosa Freire d’Aguiar.
