Revista Economistas abre chamada de artigos para edição comemorativa dos 75 anos da profissão 

Edição de dezembro busca reconstruir a trajetória da profissão a partir das transformações do Brasil e dos desafios que moldaram o trabalho dos economistas 

Em 2026, a profissão de economista completou 75 anos de regulamentação no Brasil. Para marcar a data, a Revista Economistas, publicação do Sistema Cofecon/Corecons, prepara uma edição especial dedicada a contar essa trajetória. A proposta é olhar para os 75 anos da profissão não apenas como uma sucessão de acontecimentos da história econômica brasileira, mas como uma história da própria ciência econômica e de seus profissionais.  

Desde a regulamentação da profissão, em 1951, o Brasil passou por profundas transformações: industrialização e urbanização, planejamento estatal, inflação, estabilização monetária, abertura econômica, mudanças no mercado de trabalho, expansão das políticas sociais, modernização tecnológica e, mais recentemente, os desafios impostos pela inteligência artificial e pela transição ecológica. A cada mudança, novas questões foram incorporadas ao trabalho dos economistas. É essa trajetória que a edição especial pretende registrar: o que os economistas fizeram diante das mudanças do país, como essas mudanças transformaram a profissão e quais responsabilidades surgem diante do futuro. 

A edição será organizada como uma narrativa dividida em três atos. O primeiro recuperará as origens da formação econômica no Brasil, a mobilização pela regulamentação e o significado da Lei nº 1.411/1951. O segundo acompanhará as grandes transformações da segunda metade do século XX, passando pela geração do desenvolvimento, pelo planejamento, pelo período de expansão econômica, pela crise da dívida, pela inflação e pela estabilidade monetária, até chegar à abertura econômica e à redefinição das relações entre Estado e iniciativa privada. 

O terceiro ato trará a profissão para o presente e para o futuro. Entram nessa etapa a diversificação das áreas de atuação, as mudanças no mercado de trabalho e no ensino, a ampliação da presença feminina, a transformação provocada pelos dados e pela inteligência artificial e os desafios econômicos associados à transição ecológica. 

A proposta da edição é que cada artigo estabeleça uma relação entre a transformação do país e a transformação da profissão. Assim, um texto sobre a inflação, por exemplo, não deverá apenas reconstituir os índices de preços ou os planos econômicos do período, mas mostrar o que a inflação exigiu dos economistas, como modificou seu campo de atuação e quais conhecimentos e instrumentos passaram a ocupar o centro da profissão. 

Economistas, pesquisadores, professores e profissionais que tenham contribuições relacionadas aos temas propostos estão convidados a participar da edição especial. Os artigos devem ter entre 10 mil e 14 mil caracteres, com espaços, e ser enviados até 16 de novembro de 2026 para o e-mail [email protected]. Os textos serão submetidos à avaliação do Conselho Editorial, responsável pela seleção dos artigos que serão publicados. 

Os artigos enviados devem abordar um dos seguintes recortes: 

1. Por que o Brasil precisou de economistas? 
Das aulas de comércio de José da Silva Lisboa aos primeiros cursos e à mobilização pela regulamentação da profissão. 

2. 1951: o que significou regulamentar a profissão 
Fernando Ferrari, a Lei nº 1.411/1951, a criação do Cofecon e dos Corecons e a construção da identidade profissional no segundo governo Vargas. 

3. Que país os economistas queriam construir? 
A geração do desenvolvimento, as controvérsias entre diferentes visões sobre o desenvolvimento brasileiro, o planejamento e as contribuições de nomes como Simonsen, Gudin, Furtado, Rangel, Campos e Conceição Tavares, entre outros 

4. Do planejamento ao milagre e à crise da dívida 
PAEG, Planos Nacionais de Desenvolvimento, expansão dos cursos de Economia, prestígio da profissão e a crise econômica dos anos 1980. 

5. Da inflação à estabilidade 
Como décadas de inflação transformaram a política econômica e o ofício do economista, dos planos heterodoxos ao Plano Real e ao deslocamento das preocupações da profissão. 

6. Do Estado planejador à economia aberta 
Abertura econômica, privatizações, regulação, concessões e globalização: a atuação do economista na redefinição das fronteiras entre o público e o privado. 

7. Desigualdade, território e políticas sociais 
O papel dos economistas no desenvolvimento regional, na redução das desigualdades e na formulação, implementação e avaliação de políticas sociais. 

8. O Brasil mudou, e o trabalho do economista também 
A diversificação das áreas de atuação, as transformações do mercado de trabalho, o ensino de Economia e a ampliação da presença feminina na profissão. 

9. Da estatística à inteligência artificial 
Dados, métodos computacionais e inteligência artificial: o que muda no conteúdo do trabalho do economista e o que continua dependendo de conhecimento, julgamento e responsabilidade profissional. 

10. Do crescimento a qualquer custo à transição ecológica 
Recursos naturais, energia, mudanças climáticas e a incorporação da dimensão ambiental às decisões econômicas e às estratégias de desenvolvimento. 

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