Tania Teixeira: “Futuro do país não pode ser resultado das circunstâncias”
Presidenta do Cofecon falou na abertura do XXIX Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia (SINCE), que acontece em São Paulo nos dias 09 a 11 de setembro
O XXIX Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia (SINCE), que acontece em São Paulo, teve início nesta quarta-feira (09). O evento reúne representantes do Sistema Cofecon/Corecons de todas as regiões do Brasil para três dias de debates sobre a profissão de economista, o futuro das instituições e os desafios econômicos, sociais e políticos do Brasil e tem como tema “Economistas por um projeto de nação”.
Na mesa de abertura do evento, a presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira, destacou o trabalho feito “a muitas mãos” para realizar o evento e destacou que o SINCE é “o momento em que o Sistema Cofecon/Corecons se reúne para refletir sobre a profissão, as nossas instituições e a contribuição que os economistas podem e devem dar ao país”. Também abordou o tema do evento, “Economistas por um projeto de nação”, dizendo que ele recursa a ideia de que o futuro do país seja resultado das circunstâncias. “Os países fazem escolhas sobre como produzir, em que investir, que setores desenvolver, como financiar tecnologia, como organizar seu território, como enfrentar as desigualdades e defender seu lugar no mundo”, afirmou.
Ao abordar sua trajetória no Sistema Cofecon/Corecons, Tania compartilhou a experiência de ser a primeira mulher a liderar a instituição em 75 anos. Ela afirmou que “ser a primeira mulher não é fácil. É um momento em que as mulheres podem estar onde quiserem, mas temos que criar caminhos para quem está à margem”. Também mencionou que “temos que enfrentar e analisar o que acontece na formação econômica do nosso país, nas relações institucionais, e avaliar consequências, avaliar riscos e contribuir para as escolhas que afetam empresas o governo e as famílias, e que milhões de pessoas possam ter direito à vida com abundância e ao bem-viver”.
Tania também ressaltou que “uma das principais mensagens desse SINCE deve ser que o Brasil precisa de economistas participando das grandes decisões nacionais”. Disse também que “não podemos ter medo da nova ordem mundial, que estamos discutindo há bastante tempo, nem da inteligência artificial. Temos que enfrentar estas questões e este Simpósio se dispõe a isso”. Ela acrescentou, ainda, que é uma responsabilidade do Sistema Cofecon/Corecons “contribuir para que a profissão seja mais aberta à participação, à pluralidade à representação da população e ao projeto de desenvolvimento que nós queremos”.
A presidenta do Cofecon ressaltou o SINCE como um espaço que permite “pensar a economia, refletir a nossa relação internacional, pensar a questão tributária, porque não temos condições efetivas de pensar em igualdade se não tivermos uma política tributária justa, igualitária, equânime” e comentou que o juramento do economista, ao colar grau, expressa que devemos “contribuir para o desenvolvimento social e econômico do nosso país”.
Haroldo da Silva, presidente do Corecon-SP, fez uma homenagem aos jovens em sua fala de abertura, dizendo que eles são o futuro da profissão. “A vocês caberá fazer com que o Brasil, que avançou bastante nos últimos trinta ou quarenta anos, avance muito mais. Temos um país ainda bastante desigual, uma carência em vários temas inerentes à sobrevivência do ser humano e uma dificuldade para o brasileiro representar toda a sua cidadania. Mas nós avançamos”, expressou Haroldo.
Ao falar sobre o momento de turbulência eleitoral, o economista destacou que “nós, como brasileiros, não podemos desistir. Temos que mostrar que o Brasil é feito por instituições e cabe a cada um de nós lutar para que elas continuem sólidas e o Brasil avance no cenário global de maneira mais célere”. Por fim, desejou a todos um inesquecível SINCE.
João Manoel Gonçalves Barbosa, vice-presidente do Conselho Federal de Economia, falou sobre a importância de participar dos debates, “discutindo a economia mundial e suas transformações e as oportunidades”. Também falou sobre as eleições que se aproximam, quando “a sociedade como um todo vai se posicionar para dizer o que quer para o futuro do Brasil”. Ele também mencionou a importância de estar ao lado da primeira mulher a presidir o Conselho Federal de Economia em seus 75 anos de história.
Antonio Prado, vice-presidente do Corecon-SP, mencionou a participação de economistas de todo o País. “Isso é muito importante, porque nos permite ter a visão não só do todo, mas também a perspectiva de cada região”, comentou. Ele também referiu-se aos trabalhos do Grupo 3 (que debate conjuntura econômica, social e política do Brasil) como “bastante importantes”, discutindo temas como macroeconomia, desigualdade social e desenvolvimento regional.
Carlos Eduardo de Oliveira Júnior, presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo, ressaltou que a participação de mulheres e negros na profissão e nos eventos do Sistema Cofecon/Corecons tem crescido constantemente. “Isso é um reflexo da nossa sociedade. Nós não somos minoria, somos maioria”, observou. Ele também mencionou os 75 anos da regulamentação da profissão e falou da importância da Gincana Nacional de Economia, e concluiu desejando “que boas ideias venham deste SINCE para oxigenar nossa profissão e nosso Conselho”.
A mesa de abertura do evento pode ser assistida no player abaixo.
