Tania Teixeira: “Crescimento de 0,5% ocorre em ambiente de política monetária restritiva” 

Presidenta do Cofecon comentou o resultado do PIB do segundo trimestre do ano e destacou a necessidade de “uma trajetória de juros que seja compatível com a retomada dos investimentos” 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou nesta terça-feira (1º/09) o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, com alta de 0,5% no segundo trimestre de 2026 na comparação com os três primeiros meses do ano. No acumulado dos últimos quatro períodos a alta é de 1,9% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. 

Pela ótica da produção, o principal destaque foi a agropecuária, que cresceu 2,8% no trimestre. O setor de serviços teve alta de 0,2%, enquanto a indústria avançou 0,1%. Já na ótica da demanda, o consumo das famílias teve um recuo de 0,4% (após uma alta de 0,8% no primeiro trimestre) e o do governo cresceu 0,4%. 

Os investimentos tiveram alta de 1,2% sobre o trimestre anterior. A formação bruta de capital fixo foi de 16,1% do PIB e a taxa de poupança foi de 16,6%. No setor externo, as exportações recuaram 0,8% e as importações aumentaram 1,8%. 

“O resultado do segundo trimestre não deve ser interpretado de forma isolada. É importante observar que este crescimento de 0,5% ocorre em um ambiente com a política monetária bastante restritiva, tendo a Selic ainda em 14% ao ano”, observa a presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira. “A economia brasileira demonstra resiliência, mas o custo desta política aparece em alguns componentes importantes da atividade. O consumo das famílias recuou, mesmo com o desemprego em queda, e a indústria teve uma alta pequena. Estes dois elementos são muito sensíveis às condições do crédito”. 

“O comportamento dos investimentos é importante. Para que o Brasil consiga sustentar taxas mais elevadas de crescimento no médio e longo prazo, precisamos transformar este movimento em uma trajetória consistente de ampliação da capacidade produtiva”, prossegue Tania Teixeira. “Precisamos de uma trajetória de juros que seja compatível com a retomada dos investimentos e com um crescimento econômico mais robusto e duradouro”. 

Crescimento no primeiro semestre foi de 1,9% 

Nos primeiros seis meses do ano, a alta do PIB foi de 1,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. Todos os setores tiveram desempenho positivo, com a agropecuária crescendo 3,6%, a indústria 1,6% e o setor de serviços 1,8%. Na análise da demanda interna, houve aumento de 1,1% no consumo das famílias e 2,9% na despesa de consumo do governo. A formação bruta de capital fixo ficou estável e, no setor externo, houve aumento das exportações (5,5%) e das importações (3,4%) de bens e serviços. 

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