Pessoti defende debate sobre escala 6 por 1 com foco em produtividade e qualidade de vida
Em entrevista à Rádio Metrópole, conselheiro federal também analisa o cenário econômico e aponta endividamento das famílias e juros altos como desafios
O conselheiro federal Gustavo Casseb Pessoti concedeu uma entrevista ao programa Jornal da Cidade, que vai ao ar pela Rádio Metrópole. Ele abordou o momento econômico vivido pelo Brasil e o debate sobre o fim da escala 6 por 1. A entrevista pode ser assistida no player abaixo.
Pessoti comentou o momento atual da economia brasileira dizendo que, não fosse o altíssimo nível de endividamento das famílias, “estaríamos surfando uma onda extremamente positiva para a economia brasileira”. Ele observa que são cinco anos consecutivos de uma taxa de crescimento moderada, mas com o desemprego no nível mais baixo da história.
O conselheiro federal classificou o momento atual como sui generis. “Os investimentos produtivos estão em queda e o mercado de trabalho contrata mais”, contrastou. “O ambiente interno está melhorando, mas com um duplo indicador negativo, que é o aumento do endividamento das famílias, que tende a reverberar no comportamento do consumo, e a taxa de juros exorbitante que desestimula os investimentos produtivos”.
Outro assunto abordado na entrevista foi o fim da escala 6 por 1. “Há uma mística em torno de questões que envolvam a reforma trabalhista. Dizem que se não pagássemos tantos encargos, teríamos a chance de contratar mais. A questão é: quanto maior a perspectiva de lucratividade do empresário, tanto maior a possibilidade de contratação de novas vagas”, pontuou Pessoti. “A possibilidade de contratação de novas vagas não está atrelada às condições do próprio mercado, como a redução de custo ou escala, mas à perspectiva de lucratividade”.
O economista também defendeu que é preciso pensar na qualidade de vida do trabalhador brasileiro. “Não adianta ter um trabalhador funcionando numa escala 6 por 1 e um nível de produtividade menor que o 5 por 2”, avaliou. Ele também argumentou que, se houvesse um ambiente econômico favorável para os empresários, não haveria resistência para discutir o fim da escala 6 por 1. “De nada adianta uma escala 6 por 1 se tivermos o mesmo ritmo de produtividade. Isso não se altera da noite para o dia. Precisa de políticas educacionais e de requalificação de mão de obra”, afirmou.
