30º Enesul e 1º Fórum da Mulher Economista do Sul: uma profissão conectada aos desafios do século XXI
Em Curitiba, economistas debateram sustentabilidade, desenvolvimento, novas áreas de atuação e a ampliação da presença das mulheres nos espaços de conhecimento, representação e decisão.
Por Tania Cristina Teixeira
Presidenta do Conselho Federal de Economia
Na semana passada, ao celebrarmos os 75 anos da regulamentação da profissão de economista, ressaltamos que o Brasil se transformou profundamente desde 1951 e que a profissão acompanhou essas mudanças. O 30º Encontro de Economistas da Região Sul (Enesul), realizado nos dias 20 e 21 de agosto, em Curitiba, mostrou de forma concreta a amplitude que a atuação dos economistas alcançou.
O tema central do encontro foi “Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável: um grande desafio econômico do século XXI”. As mesas discutiram recursos naturais e terras raras, poluição, economia circular e criativa, adaptação às mudanças climáticas e justiça social. Não por acaso, essa agenda foi debatida em Curitiba, cidade reconhecida por experiências de planejamento urbano e sustentabilidade.
A crise climática evidencia que decisões sobre produção, investimento, infraestrutura, energia e comércio têm consequências que atravessam toda a economia. Uma enchente, por exemplo, pode ser ao mesmo tempo uma tragédia humana, um problema de infraestrutura, um choque sobre cadeias produtivas, uma questão fiscal e um fator de aumento do risco de crédito.
Por isso, a questão ambiental não pode ser tratada como uma agenda paralela à economia. Ela está no centro das escolhas sobre desenvolvimento. A pergunta já não é se devemos escolher entre crescer ou preservar, mas que desenvolvimento queremos construir, para quem e em que bases.
Essa discussão também mostra a importância do olhar do economista. Relacionar variáveis, avaliar riscos, comparar alternativas e compreender os efeitos das decisões sobre empresas, trabalhadores, famílias e territórios são capacidades cada vez mais necessárias diante de uma realidade complexa.
O 30º Enesul também foi marcado por duas iniciativas que mostram outras dimensões dessa transformação profissional. O 6º Encontro de Peritos em Economia e Finanças da Região Sul destacou uma área de atuação que vem ganhando espaço e complexidade, com interfaces cada vez maiores com mediação, arbitragem, avaliação de ativos e finanças.
Já a realização do 1º Fórum da Mulher Economista do Sul acrescentou um marco histórico à trigésima edição do evento. Mais do que criar um novo espaço de debate, o Fórum colocou em evidência uma questão que diz respeito ao futuro da própria profissão: a ampliação da presença das mulheres nos espaços de formação, atuação, representação e decisão.
As mulheres representam cerca de 30% dos concluintes dos cursos de Ciências Econômicas, mas apenas 26% dos profissionais registrados no Sistema Cofecon/Corecons. Essa diferença exige que olhemos não apenas para o ingresso das mulheres na formação econômica, mas também para sua permanência, suas trajetórias profissionais e seu acesso aos espaços de liderança.
A importância do Fórum está justamente aí. Não se trata apenas de falar sobre as mulheres economistas, mas de ampliar o espaço para que as mulheres economistas falem sobre economia, desenvolvimento, políticas públicas, mercado de trabalho e os rumos do País.
Sustentabilidade, novas áreas de atuação e participação feminina podem parecer agendas distintas, mas todas revelam uma mesma realidade: a profissão de economista está se renovando para responder a questões que se tornaram centrais para a sociedade.
O 30º Enesul mostrou o tamanho dessa agenda e a importância de encontros capazes de reunir diferentes temas, experiências e perspectivas. Ao fazer isso, o evento reafirmou o papel do Sistema Cofecon/Corecons como espaço de debate, atualização profissional e construção de respostas para os desafios contemporâneos. Uma profissão conectada ao seu tempo é uma profissão capaz de compreender as mudanças da sociedade e de se transformar com elas.
