Discurso da presidenta do Cofecon, Econ. Tania Cristina Teixeira, por ocasião do Dia do Economista

Em discurso na solenidade dos 75 anos, Tania Cristina Teixeira destaca a evolução da profissão e o papel dos economistas na construção do desenvolvimento brasileiro. Leia na íntegra a fala da presidenta do Cofecon

Boa tarde a todas e todos. 

Hoje, 13 de agosto, é uma data muito especial para nós, economistas. É o dia em que celebramos a regulamentação da nossa profissão no Brasil. Neste ano, a celebração é ainda maior: estamos completando 75 anos desde a sanção da Lei nº 1.411, no dia 13 de agosto de 1951. 

Naquele momento, o Brasil vivia um processo acelerado de transformação. O país se industrializava, se urbanizava e buscava construir as condições para sustentar seu desenvolvimento. Havia grandes desafios relacionados à desigualdade e à organização de uma economia que crescia e se tornava cada vez mais complexa. 

Na segunda metade da década de 1940, o então deputado estadual Fernando Ferrari defendeu que, enquanto a profissão do economista não fosse regulamentada, “nada poderemos fazer em proveito da economia nacional, porque um técnico, dentro do Estado moderno, não se improvisa”. 

Aquela afirmação, feita há quase oito décadas, continua nos dizendo algo importante: compreender a economia e planejar o desenvolvimento de um país exigem conhecimento, formação e responsabilidade. 

O trabalho dos economistas foi fundamental para transformar o país. Nos anos posteriores à regulamentação, os economistas foram fundamentais para a compreensão da formação econômica do Brasil e para o planejamento estatal, criando instrumentos de financiamento do desenvolvimento e de enfrentamento das desigualdades regionais. 

Setenta e cinco anos depois, o Brasil é muito diferente daquele país de 1951. Nossa economia se diversificou, a indústria se desenvolveu, o agronegócio ganhou novas dimensões e os serviços passaram a ocupar uma parcela cada vez maior da atividade econômica. O Brasil também ampliou sua participação no comércio internacional. Tivemos períodos de crescimento e de crise, enfrentamos inflação elevada, construímos estabilidade monetária e incorporamos tecnologias que modificam profundamente a forma como produzimos, trabalhamos, consumimos e nos relacionamos. 

E, se a economia mudou, a profissão de economista também mudou com ela. 

O campo de atuação da profissão se expandiu. Muitos profissionais lidam hoje com questões que não estavam no centro da agenda econômica algumas décadas atrás. Estamos diante da transição energética, das mudanças climáticas, da transformação digital, da inteligência artificial, das novas relações de trabalho, da economia dos dados e da reconfiguração das cadeias produtivas globais. 

Ao mesmo tempo, o Brasil ainda enfrenta problemas históricos como a desigualdade, a pobreza, a concentração de renda, as diferenças regionais, a dificuldade de ampliar a produtividade e a necessidade de construir um processo de desenvolvimento que gere oportunidades e melhore as condições de vida da população. 

O economista do nosso tempo, portanto, precisa saber olhar para o novo sem deixar de compreender aquilo que o Brasil ainda não conseguiu superar. 

Neste sentido, gostaria de mencionar que a campanha institucional de valorização da profissão realizada pelo Cofecon neste ano tem como tema “75 anos, 75 contribuições”, justamente com a finalidade de mostrar a amplitude do trabalho dos economistas. A campanha teve início neste mês de agosto, com publicações em redes sociais que, nos próximos meses, continuarão mostrando diferentes contribuições para a sociedade dadas pela ciência econômica e pelos economistas. 

E essa é uma mensagem que precisamos levar à sociedade: a economia não existe apenas nos indicadores, nas planilhas ou nas decisões dos mercados. A economia está presente na vida concreta das pessoas. 

Essa amplitude de atuação exige do economista não apenas domínio técnico, mas também capacidade de compreender as instituições, os territórios, as relações sociais e os efeitos concretos das decisões econômicas. Essa combinação entre conhecimento técnico e compreensão da realidade é uma das grandes forças da nossa profissão. 

Nós recebemos um legado construído por gerações de economistas, muitas delas anteriores à própria regulamentação da profissão em 1951. Agora, temos a responsabilidade de mantê-lo vivo e, ao mesmo tempo, de renová-lo, preparando a profissão para as questões do presente e do futuro. 

O Brasil precisa continuar buscando crescimento econômico, mas precisa também discutir qual crescimento queremos e a quem ele deve servir. Precisamos aumentar a produtividade, mas também distribuir melhor os frutos do desenvolvimento. Precisamos avançar na inovação e na transformação ecológica, sem deixar para trás trabalhadores e regiões, e fazer da transição energética uma oportunidade de desenvolvimento, geração de emprego, redução das desigualdades e afirmação da soberania nacional. 

Porque desenvolvimento não é apenas fazer a economia crescer. É decidir como crescer, para quem crescer e que país queremos construir a partir desse crescimento. E esse é um debate no qual os economistas têm muito a contribuir. 

Em meio a tantos desafios, precisamos falar sobre um deles, que é o tema do nosso debate de hoje: as novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos contra as exportações de alguns produtos brasileiros. 

Um dos elementos centrais desse debate é o Pix. O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos foi mencionado pelo governo dos Estados Unidos entre os fatores que motivaram a abertura de uma investigação comercial, alegando que ele criaria condições desfavoráveis para a concorrência de empresas americanas do setor de pagamentos eletrônicos. 

O economista Gustavo Pessoa vai falar com mais detalhes daqui a pouco, mas eu gostaria de dizer que precisamos defender aquilo que é nosso, e que a soberania brasileira não pode ser refém da vontade política e dos impulsos de governantes de outros países. 

Finalizo com uma convicção: ao completarmos 75 anos de regulamentação da nossa profissão, não celebramos apenas uma data. Celebramos uma profissão que aprendeu, ao longo de sua história, a olhar para uma realidade complexa, formular perguntas e construir caminhos possíveis para o desenvolvimento do Brasil. 

Ser economista é, também, reconhecer que não existem respostas prontas para uma realidade que está sempre em transformação. Por isso, estudamos, questionamos, comparamos alternativas e buscamos compreender as consequências das escolhas que fazemos como sociedade. 

Hoje celebramos o legado daqueles que construíram a nossa profissão, reconhecemos a contribuição dos economistas para o país e, sobretudo, reafirmamos nossa responsabilidade com o Brasil que ainda temos a construir. 

Parabéns a todas as economistas e a todos os economistas pelos 75 anos da nossa profissão. 

Muito obrigada. 

Econ. Tania Cristina Teixeira 
Presidenta do Cofecon  

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