Prevenção não é gasto, é investimento, defende Janine Alves 

Em entrevista ao Grupo SCC-SBT, conselheira federal cobrou ações do poder público contra a crise climática e criticou os cortes no orçamento destinado a minimizar os efeitos dos desastres 

As mudanças climáticas deixaram de ser um tema exclusivamente ambiental para se tornarem um dos maiores desafios econômicos da atualidade. O alerta foi reforçado pela conselheira federal Janine Alves, em entrevista ao grupo SCC-SBT. Com base em dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC) que apontam baixos índices de execução do orçamento destinado à prevenção de desastres em Santa Catarina, a economista cobrou uma postura mais ativa e estratégica dos gestores públicos. 

“O poder público precisa agir antes do desastre, antes da calamidade. A falta de aplicação dessas verbas na prevenção é que causa a catástrofe, porque a chuva vai acontecer. O valor está orçado, só que não é executado. Há uma omissão diante da crise climática”, afirmou Janine Alves. 

O custo da omissão 

A análise da conselheira ganha força diante do histórico de subexecução orçamentária acompanhado pelo TCE desde 2023. Mesmo com excesso de arrecadação nos últimos anos, o governo estadual utilizou apenas 35% da verba de prevenção em 2022 e metade do previsto em 2025. Em 2026, dos R$ 38 milhões reservados para o programa de prevenção a desastres (Programa 730), pouco mais de 40% haviam sido executados até a metade do ano. 

Para Janine Alves, tratar a prevenção como despesa é um erro matemático e social que custa caro. “A prevenção é mais barata do que a reconstrução. Enquanto gestores públicos continuarem tratando a prevenção como gasto, e não como investimento estratégico, seguiremos pagando uma conta muito mais alta em vidas, infraestrutura, empregos, competitividade e desenvolvimento”, alertou. 

Estudos internacionais corroboram a visão da economista. Dados do Instituto WRI Brasil indicam que cada dólar investido em prevenção pode gerar mais de 10 dólares em benefícios socioeconômicos e ambientais ao longo de uma década. 

Desdobramento de um debate nacional 

A participação de Janine Alves na grande mídia é o desdobramento de um trabalho técnico que vem sendo maturado no Sistema Cofecon/Corecons. O debate ganhou tração inicial no 29° Encontro de Economistas da Região Sul (ENESUL), onde Janine ministrou a palestra de abertura sobre o tema. 

As conclusões do encontro foram registradas na Carta de Florianópolis e, posteriormente, ratificadas na Carta de Porto Alegre durante o XXVI Congresso Brasileiro de Economia (CBE 2025). O assunto também foi aprofundado no artigo de autoria da conselheira, intitulado “Economia e Desenvolvimento na Linha de Defesa: resiliência urbana diante do risco climático para proteger pessoas, empregos e investimentos”, publicado na edição de setembro de 2025 da Revista Economistas. 

A mensagem central deixada pela conselheira é clara: diante de eventos climáticos cada vez mais frequentes e severos, a eficiência na execução do orçamento público destinado a defesa civil e obras de mitigação são a linha de defesa para salvaguardar a economia e a qualidade de vida da população. 

Acesse o vídeo na íntegra em https://www.youtube.com/watch?v=MfZPCcLyeZk  

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