Lacerda comenta novas tarifas dos EUA contra exportações brasileiras
Conselheiro federal falou à revista CartaCapital e apontou que o Brasil é deficitário no comércio bilateral com os Estados Unidos e não deveria ser alvo de restrições
A decisão do governo dos Estados Unidos de ampliar restrições comerciais a produtos brasileiros (com tarifas que abrangem 21% das nossas exportações) e a abertura de investigações envolvendo temas como desmatamento, propriedade intelectual e o sistema de pagamentos Pix foram tema de matéria publicada pela revista CartaCapital. O conselheiro federal Antonio Corrêa de Lacerda foi um dos especialistas ouvidos.
Na avaliação do economista, a adoção de novas restrições comerciais não encontra justificativa nos números do comércio bilateral. “O Brasil é deficitário no comércio com os Estados Unidos e, portanto, não deveria ser alvo de restrições”, observou Lacerda.
Ele também chamou atenção para o uso de barreiras não tarifárias como instrumento de proteção econômica por parte de países desenvolvidos. Alegações relacionadas a desmatamento, propriedade intelectual e outros temas podem ser contestadas por meio de argumentos técnicos e negociações conduzidas pelo governo brasileiro e pelas entidades representativas do setor privado. “É importante lembrar que nessa questão o Brasil poderá contar com as empresas norte-americanas aqui instaladas e também aquelas nos Estados Unidos que terão impactos nos seus custos”, menciona o conselheiro federal.
A reportagem também abordou críticas direcionadas ao Pix por autoridades norte-americanas. Para o conselheiro federal, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos consolidou-se como uma importante inovação financeira, ampliando a concorrência e reduzindo custos para consumidores e empresas. Ele argumenta também que parte da resistência ao Pix decorre do fato de que a ferramenta passou a disputar espaço com meios tradicionais de pagamento controlados por grandes empresas globais do setor financeiro. Estas empresas registram perdas de receita, pois cobram taxas pela utilização do serviço e, na visão de Lacerda, esse parece ser o real motivo do incômodo norte-americano.
A matéria completa pode ser lida na edição nº 1.416 da revista CartaCapital.
