Janine Alves: “Eles fizeram a guerra lá e a gente paga a conta aqui” 

Conselheira federal aponta que alta do petróleo atinge cadeia produtiva e deve manter cautela do Banco Central sobre redução de juros 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março apresentou variação de 0,88%, impulsionado pela alta nos preços dos combustíveis e alimentos. De acordo com a conselheira federal Janine Alves, o resultado reflete o impacto do conflito no Oriente Médio sobre o mercado internacional de petróleo, transferindo custos para a cadeia produtiva brasileira. Na avaliação da economista, “eles fizeram a guerra lá e a gente paga a conta por aqui”. 

A variação mensal foi influenciada pelo desempenho do grupo Transportes. A gasolina registrou avanço de 4% no período, enquanto o óleo diesel apresentou alta de quase 14%. De acordo com os dados, o encarecimento dos combustíveis gera um efeito cascata que atinge o setor de logística e transportes, elevando o preço final de diversas categorias de produtos. O IPCA acumulado no ano atinge patamares que acompanham a aceleração verificada nestes itens específicos. 

No grupo de Alimentação e bebidas, a pressão inflacionária concentrou-se em produtos de consumo básico. Janine destaca que “para as famílias de menor renda, o impacto é superior à média do índice geral: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação de preços para famílias com rendimento de um a cinco salários mínimos, subiu acima da inflação oficial, o que indica um aperto orçamentário maior para esta faixa da população”. 

A trajetória da inflação em março gera desdobramentos na condução da política monetária. Janine Alves aponta que o Banco Central deve adotar cautela em relação a novas quedas na taxa básica de juros (Selic). Conforme afirma a conselheira, o consumidor enfrentará um “duplo desafio por algum tempo por preços mais altos no dia a dia e juros que seguem pesando no orçamento”.  

Embora tenha ocorrido o início de um ciclo de redução, os juros permanecem em patamares que mantêm o custo do crédito elevado para o consumidor. A manutenção de taxas altas contribui para o nível de endividamento das famílias brasileiras, dificultando o acesso a financiamentos e onerando o orçamento doméstico. 

A convergência entre o aumento do custo de vida e o peso dos encargos financeiros sobre as dívidas sugere que o alívio econômico para as famílias não deve ocorrer no curto prazo. O equilíbrio entre o controle inflacionário e o fomento ao crédito permanece como o desafio central para as autoridades monetárias diante das pressões de custos originadas no mercado externo.

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