Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência
Nosso reconhecimento às mulheres que produzem ciência, dados e políticas públicas para transformar o Brasil e no mundo
Neste Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, o Conselho Federal de Economia e a Comissão Mulher Economista e Diversidade do Conselho Federal de Economia falam, antes de tudo, a partir de uma convicção muito clara: não existe ciência forte, democrática e capaz de transformar o Brasil sem a presença plena das mulheres.
Quando falamos em mulheres na ciência econômica, falamos de trajetórias que ajudaram — e seguem ajudando — a pensar o desenvolvimento, o combate às desigualdades, o mercado de trabalho, o planejamento público, a sustentabilidade e o futuro do país.
No Brasil, a ciência econômica carrega a marca profunda de mulheres que abriram caminhos quando quase nenhum espaço lhes era concedido. Maria da Conceição Tavares, com sua leitura crítica e estruturante sobre o desenvolvimento brasileiro. Tania Bacelar, referência incontornável no debate sobre desigualdades regionais, planejamento e Nordeste. Mulheres que não apenas produziram conhecimento, mas formaram gerações, influenciaram políticas públicas e ajudaram a ampliar o papel social da economia.
E é também nesse presente que queremos reconhecer, valorizar e dar visibilidade às mulheres que hoje sustentam a produção científica no país.
Entre elas, destacamos Luciana Servo, presidenta do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e recentemente homenageada com o Prêmio Mulher Economista do Ano. Sua trajetória simboliza, de forma muito concreta, o lugar que as mulheres ocupam — e precisam ocupar cada vez mais — na liderança da ciência brasileira.
Falar de Luciana Servo é, também, falar da importância do próprio Ipea para o Brasil. O Instituto é uma das principais bases da produção científica aplicada no campo da economia e das políticas públicas, responsável por estudos, pesquisas e bases de dados que orientam decisões do Estado e qualificam o debate público. Sem dados e sem pesquisa de qualidade, não há política pública eficaz — e não há ciência comprometida com a realidade social.
Valorizar mulheres à frente de instituições estratégicas como o Ipea é reconhecer que a produção de dados, o rigor técnico e a pesquisa científica também têm rosto, voz e liderança feminina.
Hoje, muitas outras economistas brasileiras seguem produzindo ciência, ensinando, pesquisando, formulando políticas, ocupando universidades, centros de pesquisa, governos, empresas e organizações da sociedade civil. Em todos esses espaços, as economistas sustentam, todos os dias, a construção de uma economia mais justa, inclusiva e conectada com os desafios reais do país.
Ainda assim, sabemos: o caminho continua sendo mais difícil para meninas e mulheres. O acesso à formação científica, à pesquisa, à progressão na carreira, ao reconhecimento acadêmico e à liderança institucional segue atravessado por desigualdades que não podem mais ser naturalizadas. Por isso, para o Cofecon, valorizar mulheres na ciência não é discurso. É compromisso institucional.
A Comissão Mulher Economista e Diversidade existe porque o Sistema Cofecon/Corecons reconhece que promover equidade de gênero na produção do conhecimento é parte do próprio compromisso da profissão com o desenvolvimento nacional e com a justiça social.
E é a partir do Brasil — das nossas escolas, universidades, territórios, realidades regionais e desafios históricos — que esse compromisso começa. Mas ele também dialoga com uma trajetória internacional que inspira e fortalece. Mulheres como Joan Robinson, Elinor Ostrom e Esther Duflo mostraram, em diferentes contextos, que a ciência econômica pode ser crítica, sensível às instituições, às pessoas e às desigualdades concretas. Assim como, em outras áreas da ciência, referências como Marie Curie, Ada Lovelace e Valentina Tereshkova provaram que o avanço científico sempre esteve e sempre estará ligado à presença feminina.
Celebrar este dia, para nós, é afirmar, com clareza, que meninas precisam se ver na ciência. Que as jovens precisam ser estimuladas a permanecer na pesquisa. Que as economistas precisam ser reconhecidas, ouvidas e valorizadas em seus espaços profissionais e acadêmicos.
O Cofecon acredita na ciência como instrumento de transformação social.
E acredita, sobretudo, que não há futuro para a ciência econômica brasileira sem as mulheres. Por isso, seguiremos trabalhando para que cada vez mais meninas possam sonhar com a ciência — e para que cada vez mais mulheres possam permanecer, crescer e liderar dentro dela.
Tania Cristina Teixeira
Presidenta do Cofecon
Conselheira Teresinha de Jesus Ferreira da Silva
Coordenadora da Comissão Mulher Economista e Diversidade – Cofecon
