Presidenta do Corecon-DF destaca papel das instituições públicas e defende um projeto nacional de desenvolvimento
Luciana Acioly foi reconduzida ao cargo de presidenta do Corecon-DF em solenidade realizada pelo Sistema Cofecon/Corecons
A economista Luciana Acioly foi reconduzida à presidência do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal na última sexta-feira (6), em solenidade do Sistema Cofecon/Corecons realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Em seu discurso de posse, ela ressaltou a centralidade das instituições públicas na construção de políticas de desenvolvimento de longo prazo e na redução das desigualdades regionais e sociais do país.
Ao mencionar o BNDES, Acioly afirmou que a instituição “é fundamental para o financiamento do desenvolvimento, para o fomento, contribuindo para o crescimento econômico, a inovação, a reindustrialização e a redução das desigualdades regionais”, ressaltando ainda seu caráter de banco de longo prazo, “voltado para as novas gerações e para o futuro do país”.
Sobre o IPEA, instituição da qual é servidora de carreira, destacou o compromisso com o planejamento estratégico e com a sociedade brasileira. “Temos no IPEA uma instituição voltada para políticas públicas, com grande comprometimento com a sociedade e com os temas mais prementes da realidade brasileira”, afirmou. Em relação ao IBGE, enfatizou o papel das estatísticas públicas de qualidade: “Sem estatísticas confiáveis não há diagnóstico preciso, e sem diagnóstico preciso não há políticas eficazes voltadas para o desenvolvimento econômico e a redução das desigualdades”.
A economista também abordou as transformações em curso na geopolítica internacional e os impactos sobre o Brasil. Segundo ela, as mudanças nos fluxos de comércio, investimento e finanças exigem uma nova forma de pensar a inserção do país no cenário global. “Essas transformações recaem diretamente sobre os territórios. Afetam São Paulo, o Distrito Federal e os demais estados brasileiros, pelos mais diversos canais, sejam financeiros ou produtivos”, afirmou. Esse novo contexto impõe a necessidade de um projeto nacional de desenvolvimento com soberania e compromisso social. “Todas essas mudanças precisam ser pensadas a partir de um approach voltado para o desenvolvimento econômico, com soberania e com compromisso com a redução das desigualdades, nesse mundo que está mudando tão depressa”, concluiu.
Confira AQUI as fotos do evento.
A fala da presidenta do Corecon-DF, Luciana Acioly, pode ser vista no vídeo abaixo, ou lida no texto a seguir.
É uma grande alegria estar aqui neste momento. Eu gostaria, primeiramente, de agradecer a presença dos nossos parceiros do Distrito Federal, vejo muitos aqui que estão nos prestigiando, incluindo aqui nossa superintendente da Sudeco, Luciana Barros, em nome da qual eu cumprimento todos os nossos demais parceiros que aqui se fazem representar.
A economia do Distrito Federal é diferente e guarda algumas especificidades em relação aos demais estados brasileiros, como os senhores e senhoras devem saber. Eu queria também começar saudando a economista Tania Cristina, que é presidenta do Conselho Federal de Economia, que acabou de ser reconduzida, nossa líder do sistema Cofecon/Corecons. Registro também, de forma muito especial, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social.
Nós, que somos economistas, e também aqueles que tratam de negócios e temas do dia a dia ligados a financiamento, sabemos que o BNDES é uma instituição fundamental para o financiamento do desenvolvimento, para o fomento, contribuindo para o crescimento econômico, a inovação, a reindustrialização e a redução de desigualdades regionais. O BNDES tem tido um papel importante por ser um banco de longo prazo, ou seja, que está voltado para as novas gerações, para as gerações futuras. Portanto, agradeço a presença do economista Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, e parabenizo por estar na liderança de um banco tão importante.
Da mesma forma, ressalto a presença da presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Luciana Mendes Santos Servo, minha colega de instituição, uma instituição de que participo, sou de carreira e tenho muito orgulho. O IPEA é uma instituição é voltada para os estudos econômicos e sociais, pensando sempre no longo prazo. Temos essa oportunidade de termos uma instituição voltada para políticas públicas, com grande comprometimento com a sociedade brasileira e com os temas mais prementes da sociedade brasileira.
Também quero destacar o papel do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que é uma instituição essencial para as estatísticas. O IBGE assegura informações confiáveis sobre realidade econômica, social e territorial do país, garantindo uma base empírica de informações que nos ajudam na formulação e monitoramento de políticas públicas, além de ajudar do ponto de vista da melhoria das metodologias para aferição de dados importantes da sociedade brasileira. Sem estatísticas públicas de qualidade não há diagnóstico preciso, o que dificulta políticas eficazes voltadas para o desenvolvimento econômico e redução da desigualdade. Então, agradeço a presença do Marcio Pochmann, presidente do IBGE.
No âmbito regional, agradeço o compromisso dos nossos parceiros e falo que nosso Conselho Regional de Economia do Distrito Federal é um Conselho com atribuições em lei, ligadas à fiscalização do trabalho dos economistas. Nós também somos vigilantes com relação à ética, que é importante na condução da análise econômica, no compromisso que devemos ter com a população do Distrito Federal.
Nosso conselho, para além disso, é uma plataforma de debates. Temos feito muitos debates ao longo dos anos – nos últimos dois anos, principalmente. São debates que tratam do Centro-Oeste, das estatísticas, nós temos alguns parceiros importantes também produtores de estatística, que são nossos parceiros, como IPDF, que é a nossa referência em dados estatísticos para Distrito Federal. Temos a Universidade do Distrito Federal, que conseguimos colocar um curso de economia público aqui no Distrito Federal. Nosso Conselho está muito engajado nas questões mais importantes do Distrito Federal, do desenvolvimento, inclusive do entorno, e trabalhamos em conjunto com os outros Corecons do Centro-Oeste, né, que também estão aqui presentes.
Gostaria também de fazer uma menção aos nossos parceiros do Conselho Regional de Contabilidade, Conselho Regional de Administração, Conselho de Arquitetura e Urbanismo, que também são parceiros do Corecon-DF. Começamos agora um grande debate sobre a questão da reforma tributária, que atinge todos de uma maneira ou de outra, e os Conselhos de classe têm que estar preparados para essa discussão. Então, criamos o Comitê para a Aliança da Reforma Tributária aqui no Distrito Federal.
Quero agradecer também à Câmara Legislativa do Distrito Federal, a Wellington Luiz, deputado que lidera esta Casa, por por ter sido sempre muito parceiro em todos os eventos do Corecon-DF e agora, também, nesta comemoração que estamos fazendo, sabendo que a CLDF tem sempre prestado bons serviços e ajudado o Conselho, não só proporcionando este espaço, mas também no diálogo com relação às questões mais importantes no que se refere aos economistas do Distrito Federal.
Prezados senhores e senhoras, a importância do economista neste momento, um economista que seja ético e comprometido com a realidade brasileira, comprometido com o dia a dia do cidadão, com todas as tarefas que a sociedade brasileira tem que desenvolver, estudar, trabalhar e fazer tantos outras coisas que a nossa população tem tido, digamos assim, muitas dificuldades, às vezes com questões de infraestrutura, de acesso à saúde, de acesso à escola, à escola integral, que é uma questão importante para as mulheres, em todos esses assuntos tem um economista envolvido. A importância do economista no setor financeiro, nos bancos.
Nós estamos experimentando mudanças importantes na geopolítica mundial. Isso significa que o Brasil terá que rever e fazer um balanço de como essas mudanças nos fluxos de comércio, nos fluxos de investimento de portfólios, como isso pode atingir o Brasil? Quando falamos do Brasil, o Brasil parece uma entidade abstrata – mas, na verdade, o que acontece é que todos os resultados das decisões e do tipo de inserção externa que o Brasil tem caem em cima dos territórios. Afeta São Paulo, como afeta o Distrito Federal, como afeta outros estados brasileiros, por meio por mais diversos canais, seja pelo canal financeiro, seja pelo canal produtivo. Então, todas essas mudanças devem pensadas a partir de um approach voltado para o desenvolvimento econômico, com soberania e com compromisso com redução das desigualdades nesse mundo que está mudando tão depressa. Obrigada.
