Dantas vê reforma tributária como positiva, mas alerta: “O que interessa à sociedade é a tributação direta” 

Conselheiro federal concedeu entrevista nesta sexta-feira (23) à TV UFG e afirmou que a grande deformação no modelo tributário brasileiro 

O conselheiro federal Paulo Dantas da Costa concedeu nesta sexta-feira (23) uma entrevista à TV UFG para falar sobre a reforma tributária do consumo – cuja transição começa em 2026. Dantas mencionou que, embora ela contenha aspectos positivos, a questão mais importante para a economia brasileira tem a ver com a tributação direta. 

“A reforma tributária proposta é muito positiva na tributação sobre o consumo”, afirmou o conselheiro federal. “Mas a grande deformação no modelo tributário brasileiro, desde sempre, é a tributação sobre a renda, em especial as altas rendas, e o estoque de riquezas”, comentou Dantas 

A reforma tributária aprovada em 2023 substitui cinco impostos indiretos (ISS, ICMS, Pis, Cofins e IPI) por dois tributos (Imposto sobre Bens e Serviços – IBS e Contribuição sobre Bens e Serviços – CBS) e cria o Imposto Seletivo. “Alguns produtos podem se tornar mais baratos, mas a maioria não”, pontua o economista.  

Ele também mencionou o fato de que, na tributação indireta, os pobres e ricos pagam a mesma carga tributária sobre um determinado bem ou serviço – o que faz com que as camadas menos privilegiadas destinem uma parcela proporcionalmente maior da sua renda ao pagamento destes impostos. “Embora a reforma tributária tenha sido bem arrumada, com cashback, que é algo positivo, o que interessa mesmo à sociedade é a tributação direta”, ponderou Dantas. 

“A tributação não vai resolver o grave problema social do Brasil, mas pode contribuir muito”, argumentou o economista. “Vou dar um exemplo rápido: nas maiores nações capitalistas, a alíquota do imposto de renda vai de 38 a 40%. No Brasil, vai até 27,5%. As pessoas dizem que o Brasil não pode se comparar a estas grandes nações – mas, no que diz respeito à questão tributária, pode, sim, assimilar estas experiências”. 

A entrevista concedida pelo conselheiro à TV UFG pode ser assistida clicando AQUI

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