{"id":2129,"date":"2022-08-15T16:08:05","date_gmt":"2022-08-15T19:08:05","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/comissoes\/?p=2129"},"modified":"2022-09-23T16:09:03","modified_gmt":"2022-09-23T19:09:03","slug":"em-debate-cofecon-revisita-importancia-do-desenvolvimentismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/comissoes\/?p=2129","title":{"rendered":"Em debate, Cofecon revisita import\u00e2ncia do desenvolvimentismo"},"content":{"rendered":"<p>A economia brasileira enfrenta v\u00e1rios problemas complexos, e um dos mais relevantes \u00e9 a falta de uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento. A busca por solu\u00e7\u00f5es de curto prazo coloca em segundo plano as a\u00e7\u00f5es destinadas a gerar resultados num prazo mais longo. J\u00e1 s\u00e3o quase dez anos de crescimento baixo ou negativo e a ind\u00fastria perde cada vez mais espa\u00e7o no produto interno bruto. Pensando nisso, o Conselho Federal de Economia (Cofecon) realizou no \u00faltimo s\u00e1bado, 13 de agosto, uma live comemorativa ao dia do Economista, como parte do projeto Economia em Debate. O palestrante convidado foi o economista Alexandre de Freitas Barbosa, autor do livro O Brasil Desenvolvimentista e a Trajet\u00f3ria de R\u00f4mulo Almeida. A media\u00e7\u00e3o foi feita pela conselheira federal Ana Claudia Arruda Laprovitera.<\/p>\n<p>O presidente do Cofecon, Antonio Corr\u00eaa de Lacerda, gravou um v\u00eddeo no qual parabenizava os economistas pelo seu dia e falava sobre o trabalho de R\u00f4mulo Almeida. \u201cEle \u00e9 uma refer\u00eancia do pensamento econ\u00f4mico e do planejamento. Nada melhor do que revisitar a obra de grandes economistas que tiveram n\u00e3o s\u00f3 um papel intelectual relevante, mas uma fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica crucial para o grande salto que o Brasil deu, em termos de desenvolvimento, ao longo do s\u00e9culo 20\u201d, afirmou Lacerda. \u201cN\u00e3o se trata de copiar o que eles fizeram, mas de fazer o que Oswald de Andrade, na semana de 1922, traduziu como uma antropofagia: deglutir aquele conhecimento, adapt\u00e1-lo e tropicaliz\u00e1-lo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cTive a oportunidade de ler. A obra vai muito al\u00e9m do R\u00f4mulo Almeida. Como o professor Bresser-Pereira coloca no pref\u00e1cio, \u00e9 um mergulho no Brasil, e eu diria que na hist\u00f3ria do Brasil profundo\u201d, comentou Ana Claudia ap\u00f3s o debate. \u201cEu convido os economistas e o p\u00fablico que est\u00e1 aqui a conhecerem esta obra, porque ela \u00e9 constru\u00edda com uma trama muito forte, os personagens est\u00e3o sempre conversando. Eles se transformaram em grandes t\u00e9cnicos do desenvolvimento, porque n\u00e3o foram s\u00f3 intelectuais org\u00e2nicos, mas tiveram vis\u00e3o integrada de desenvolvimento nacional.\u201d<\/p>\n<p>Barbosa contou que o livro demorou mais de 10 anos para ser elaborado. Come\u00e7ou em 2010, com um programa chamado C\u00e1tedra IPEA\/CAPES do Desenvolvimento, e o autor apresentou um projeto para estudar a trajet\u00f3ria do intelectual baiano. \u201cConstru\u00ed e organizei uma equipe de pesquisa para tentar rastrear quem foi R\u00f4mulo Almeida e o material que conseguimos \u00e9 impressionante\u201d, contou. Depois, entre 2015 e 2017, defendeu uma tese de livre doc\u00eancia na qual abordou o Brasil desenvolvimentista no per\u00edodo de 1945 a 1964.<\/p>\n<p>Ao falar sobre a atua\u00e7\u00e3o de Almeida no setor p\u00fablico, destacou sua import\u00e2ncia na organiza\u00e7\u00e3o do censo de 1940 no Acre, a participa\u00e7\u00e3o na chamada \u201ccontrov\u00e9rsia do planejamento\u201d (o debate entre Roberto Simonsen e Eug\u00eanio Gudin, na qual R\u00f4mulo se alinhou ao primeiro), a cria\u00e7\u00e3o do departamento econ\u00f4mico da CNI e a atua\u00e7\u00e3o na assessoria econ\u00f4mica do governo Vargas. Participou da cria\u00e7\u00e3o da Petrobras, do Banco do Nordeste do Brasil, da Superintend\u00eancia de valoriza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Amaz\u00f4nia, das reformas no setor el\u00e9trico que levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da Eletrobras, entre outras. \u201cBoa parte destas institui\u00e7\u00f5es ser\u00e3o vitais para o governo JK e os governos subsequentes, inclusive a ditadura militar\u201d, argumentou Barbosa. \u201cMuitas vezes n\u00f3s vemos o desenvolvimentismo como JK, a ind\u00fastria automobil\u00edstica, mas na verdade j\u00e1 havia ali uma comiss\u00e3o de desenvolvimento industrial. Eu tento contar a hist\u00f3ria deste processo por meio do movimento das estruturas e da atua\u00e7\u00e3o a partir do Estado, um movimento interdisciplinar.\u201d<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 1964, na vis\u00e3o de Alexandre, restam apenas os escombros do Brasil desenvolvimentista. \u201cAgora h\u00e1 uma vis\u00e3o tecnocr\u00e1tica, da qual Delfim \u00e9 o melhor exemplo. Temos a no\u00e7\u00e3o de um caminho \u00f3timo para o desenvolvimento, como se fosse uma opera\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica econ\u00f4mica\u201d, abordou. \u201cTanto nos economistas ortodoxos como nos heterodoxos da Academia se criou uma determinada concep\u00e7\u00e3o do nacional-desenvolvimentismo de 1930 a 1980. Tudo mudou a partir de 1964. Acontece que a economia continuou se industrializando e crescendo, e o Estado tem um papel. Todo o resto \u00e9 diferente. A maneira como \u00e9 pensado o desenvolvimento j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais a mesma.\u201d<\/p>\n<p>Ao abordar anos mais recentes, Barbosa apontou que nos anos 2000 houve a ret\u00f3rica do desenvolvimento. \u201cMas a impress\u00e3o que tenho \u00e9 de que apesar da redu\u00e7\u00e3o da desigualdade de renda, da recupera\u00e7\u00e3o do papel do Estado e da maior proje\u00e7\u00e3o internacional, o desenvolvimentismo ficou ali encoura\u00e7ado numa opera\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica econ\u00f4mica, e por isso precisamos recuperar esta tr\u00edade poderosa: projeto, interpreta\u00e7\u00e3o e utopia\u201d, destacou, em refer\u00eancia ao subt\u00edtulo do livro. \u201cDeixamos de falar de depend\u00eancia e subdesenvolvimento. N\u00e3o s\u00e3o adjetivos, s\u00e3o conceitos, ferramentas importantes para compreender o funcionamento da economia, da sociedade e da cultura. Contribui\u00e7\u00f5es maiores que demos para a economia e as ci\u00eancias sociais na Am\u00e9rica Latina.\u201d<\/p>\n<p>Por fim, o autor pontuou que a ideia do livro era resgatar as ideias existentes para entender como chegamos ao Brasil de hoje. \u201cTentei mapear 1945 a 1964, as rupturas de 1964 a 1985. Este conjunto de pensadores nos oferece princ\u00edpios norteadores, uma ousadia propositiva. Precisamos dar mais substrato cr\u00edtico e ut\u00f3pico ao desenvolvimentismo, indo al\u00e9m da economia. O que n\u00e3o reduz, pelo contr\u00e1rio, torna ainda mais importante o desafio que os economistas t\u00eam diante de si neste momento de encruzilhada que n\u00f3s vivemos\u201d, finalizou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A economia brasileira enfrenta v\u00e1rios problemas complexos, e um dos mais relevantes \u00e9 a falta de uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento. 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